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Mostrando postagens com o rótulo resenha

"O Morro dos Ventos Uivantes", Emily Brontë

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Arte de C.E. Montford -  'Entra! Entra! - soluçava" Antes de ler vai no youtube e liga a música . (obrigada, Cyntia!) Li (mas não comprei) a famigerada edição com a referência à série Crepúsculo na capa, já que foi a que me caiu nas mãos. Estava numa das estantes do Leitura sem Fronteiras e eu decidi ler o clássico que a uns 25 anos me recomendam. Desde que eu tinha idade para ler romances. É da editora Leya, selo Lua de Papel, 2009, 292 páginas. E é... incrível, arrepiante. Justifica todas as referências, inspirações, homenagens, adaptações, inclusive as duvidosas. O mundo de Heatcliff e Catherine é tão diferente da atualidade que é até difícil julgar o enredo com nossos olhos. Só pela quantidade de gente que morre jovem, de doenças que, hoje em dia, são plenamente tratáveis, já se imagina que nunca existiria história como essa em nossos dias. Outra coisa é que dificilmente cinco crianças viveriam, hoje, em um grupo humano tão fechado... onde só tem como referência a...

Dos livros medianos e da leitura dinâmica

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Eu gosto de ler tudo. E é verdade. Gosto de ler policial, fantasia, aventura, drama, comédia, chick lit, infantil, juvenil, YA, guerra, histórico, contemporâneo, regional, faroeste, antigo, clássico, best seller... De tudo. Só que nessas de "pode vir quente que eu tô fervendo", eu acabo me decepcionando com os livros mornos. Os livros chatos, que não são exatamente ruins, mas também não são verdadeiramente bons. É aquele livro que não é mal escrito, em termos técnicos narrativos. Diálogos, descrições, coerência, início, meio e fim, tá tudo lá. Mas traz uma proporção de ideias por página tão pequena que me afeta a paciência. Eu não sou ninguém para criticar, claro, é só uma opinião ácida de uma velhinha chata que lê de tudo. Me desculpem autores, editoras e leitores que gostaram desses livros. São todos medianos. Chatos. Não valem resenhas em separado. Um livro de ficção que é compreensível e suficiente quando se lê de 20 em 20 páginas não é um romance, é um conto. E...

Antologia Poética, Anna Akhmátova

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Chegou através da iniciativa do Luciano, o pontoLivro. É uma corrente no estilo "booktour", que ele está promovendo . A edição é L&PM Pocket, tem 203 páginas, introdução, notas, tudo o que é necessário e imprescindível, um trabalho admirável de Lauro Machado Coelho. Assim que chegou, eu queria ter lido correndo, mas é poesia e poesia... é para poetas. Eu tava lendo aos pulinhos, mas ontem eu estava me sentindo poeta, peguei, e li. Caramba. Tô gostando muito  e acho que vou comprar um exemplar pra mim. Anna nasceu em 1899 e viveu o czarismo e a revolução. Era uma poeta popular, amada pelos russos, e eu entendi o porquê. Seus poemas são simples e contundentes, bonitos sem enfeites. Anna Akhmátova (1914), Nathan Altman O poema Réquiem é um dos mais expressivos e pungentes, sobre o terror estalinista. Nesse trecho de "Epílogo", escrito em 1940, me arrepiou (achei o mais forte de todo o livro). Fala sobre as mães que visitavam os filhos na prisão polític...

As lágrimas da girafa, Alexander McCall Smith

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Companhia das Letras, 2003, 223 páginas. Veio de Brasília, enviado por um amigo em "crédito" de futuras trocas. Vai pras estantes do Leitura sem Fronteiras em breve, assim que rodar os amigos. Tem livros que combinam com certos dias. Ontem era sábado, primeiro dia do feriado de carnaval e foi um dia fofo. Tomás acordou às nove horas da manhã, milagrosamente, então eu dormi até às nove da manhã. Acordei, portanto, de bom humor. Arrumamos juntos as camas, lavamos toalhas de banho e lençóis, brincando, rindo e bagunçando um pouco. Fomos almoçar com o papai e ele comeu bem e não fez bagunça no restaurante. À tarde não dormiu (tinha acordado tarde) e foi com o Rodrigo no mercado (então eu pintei minhas unhas e assistir um filme!). Quando eles voltaram, liguei para a Alana, amiguinha dele de 8 anos, que passou o resto do dia conosco. Ela é uma fofa, eles brincam até cansarem, comem até se fartarem, nenhuma discussão, nenhum problema. Nesses (bem raros) dias inteiramente fofos, ...

Sonhei que a neve fervia, Fal Azevedo

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Comprei na estante virtual, que o sebo estava dando descontos incríveis e tudo mais. A edição é da Rocco, 2012, 383 páginas. "Conheço" a Fal desde que entrei na internet, praticamente. Comecei a ler o blog dela em 2003, quando ela colava tirinhas do Dahmer e comentava a novela "Mulheres apaixonadas" e eu não perdia um capítulo (do blog, não da novela), porque era tipo assim, de mijar de rir, vejam lá . Então que ano passado eu conheci a Fal, a própria, no Buzz e trocamos umas palavrinhas. Uma pessoa doce, simpática e acolhedora, como Maliu (a mãe dela) bem ensinou. Daí que eu quis ler correndo o livro quando saiu, mas eu tinha me prometido não comprar mais nada pra mim esse ano, não é? Bah! Larguei mão e comprei. Muitos livrinhos novos... acho que foi uma crise de abstinência misturada com o pânico de ver tanto livro indo pras estantes do Leitura sem Fronteiras . Pronto. Comprei quase tantos quantos foram. Ufa. E o "Sonhei..." tá indo também. ...

Série "Maneco Caneco", Luís Camargo (A biblioteca do Tomás - parte 2)

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No primeiro post da série sobre os livros do Tomás, eu falei dos que tinha comprado naquele mês. Hoje vou falar sobre os livros que tem um grande valor emocional para esta mamãe leitora. A "estante emotiva" do Tomás: os livros da mãe Quando estava na licença maternidade descobri no site da editora Ática os livros que líamos nas aulas da segunda série. Eram eles que nós disputávamos para emprestar na biblioteca da escola. Além dos do Maneco, quero ver se consigo comprar mais alguns, como o " Lúcia Já-Vou-Indo ", da Maria Heloísa Penteado e os da Sylvia Orthof, " Maria vai com as outras " e " A vaca Mimosa e a mosca Zenilda ". Na época estavam caros, só eram vendidos pela editora e por 30 reais cada um, então tive que maneirar. Agora baratearam um pouquinho (só um pouquinho) e saem entre 20 e 25 reais cada um . Maneco construído por alunos da escola Recreio Então comecei comprando meus preferidos de criança, a série "Maneco Caneco...

As aventuras do Barão de Munchausen, Rudolf Erich Raspe

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Segundo livro do tema "mitologia universal" e décimo sexto do ano do  Desafio Literário 2012 . A edição é da Iluminuras, 2010. Ilustrado por Gustave Doré. Veio por troca no Skoob, ou no Livra Livro, não lembro mais! Uma resenhista disse no Skoob que é "um livro charmoso". Achei o adjetivo exato para descrever o Barão e suas aventuras. Charmosos! E com as ilustrações elegantes do Doré é um livro para passar de pai pra filho. Herança de família! A história é conhecida. O barão, que realmente existiu, nasceu em 1720 na cidade de Bodenverder, na Alemanha. Lutou em duas guerras contra os turcos e aposentou-se. Recebia convidados em grandes festas, quando contava suas ricas aventuras malucas pelo mundo conhecido (e desconhecido também). Viajando em uma bala de canhão, resolve mudar seu destino pulando para outra bala! Tudo acontece com o barão. Se ele está caçando, os animais mais diferentes aparecem, em situações que facilitam a caça ao extremo. Se ele está...

Contos e lendas orientais, Malba Tahan

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Segundo livro do tema "mitologia universal" e décimo sexto do ano do  Desafio Literário 2012 . A edição é da Ediouro, 2002. Peguei na caixinha do projeto Asas da Leitura, do Sesi, na sorveteria Nono Balin aqui em patópolis. Sou fã de Malba Tahan... "O homem que calculava" é um dos livros mais legais da literatura infantil "engajada" brasileira. Além de falar de matemática no deserto, o estilo o Tahan é direto e divertido. Em "Contos e lendas orientais" estão reunidos não só histórias de árabes e muçulmanos, mas também tem histórias do folclore judeu e uma história cristã. Infelizmente, é uma dessas coletâneas que valem por poucos contos. Achei a maioria sem graça e quase desisti e perdi as histórias boas. Vou falar delas, então! As minhas preferidas foram as de procedência judaica. Me deu vontade de ler muito mais, vou investigar. São três. "O Leão irritado", "Dez anos de Kest" e "O herdeiro legítimo". Em t...

Lampião e Maria Bonita, Liliana Iacocca e Rosinha Campos

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Terceiro livro do tema "fatos históricos" e décimo quinto do ano do  Desafio Literário 2012 . A edição é da Ática, 2005. Emprestei na biblioteca do SESC aqui em Pato Branco. A gente já sabe um pouco da história... Lampião era cangaceiro, casou com Maria Bonita, foram emboscados e exibidos em praça pública. Pra quem ainda lembra da imagem chocante das cabeças nos livros de história da oitava série, esse livro é um alívio... lindo, do início ao fim. É romance e poesia, mas não deixa de descrever os cangaceiros como bandidos, fora da lei. Para ver as imagens maiores (eu recomendo!!!), é só clicar em cima delas. páginas 4 e 5 "Na paisagem castigada do sertão nordestino nasceu o cangaço. Pela miséria, por vingança pelas injustiças, por questões de honra, ou apenas para a prática de valentias, gente simples do povo formava bandos armados e espalhava violência por todo o sertão. Eram os cangaceiros." Virgulino Ferreira era filho de um pequeno proprietário de...

Quem tem medo de monstro, Ruth Rocha e Mariana Massarani

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Segundo livro do tema "terror" e décimo quarto do ano do  Desafio Literário 2012 . A edição é da Global, 2004. Emprestamos na biblioteca do SESC aqui em Pato Branco. Como eu quero resenhar pelo menos um livro infantil de cada tema, de preferência algum que o Tomás também tenha lido, pegamos esse.  E é uma delícia!!! Perfeito pros dois anos e meio em diante, quando as crianças começam a ter medo das coisas e já sabem o que é um fantasma, um pirata, uma bruxa e, é claro, quem é o Lobo Mau, o maior, mais aterrorizante e mais amado vilão das histórias para pequeninhos. Seria o lobo um serial killer? Será? Hein? Tô pensando nisso, acho que dá pra incluir um livro sobre ele no mês de janeiro! Mas voltando ao livro de hoje. Será que nossos maiores medos são tão poderosos quanto a gente pensa? Será que eles não tem medo também? Pode ser que sim, hein... Era uma bruxa malvada que assustava a criançada com seu terrível ruído Mas o que ninguém sabia é que ela também ...

Filhas do segundo sexo, Paulo Francis

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Outro que comprei por R$ 3,00 na ponta de estoque de Guaratuba. Comprei por ser do Paulo Francis, jornalista que eu admirei muito desde pequena. Achava divertidíssimas as crônicas dele nos noticiários da Globo, adorava a forma dele falar, tudo. Então não vi motivos para deixar o livro lá, esperando outro leitor, por um preço tão convidativo. É da editora Francis, 2004, 156 páginas. Rápido e rasteiro. São duas histórias com protagonistas mulheres. As novelas foram escritas a partir de dois contos eróticos que não vingaram. Eu não sabia disso quando comecei a ler e me espantei um pouco. As primeiras linhas do livro, em "Mimi vai à guerra", descrevem um fellatio eficientemente aplicado por Mimi, que aprendeu já em mocinha que os homens ricos fazem de tudo para ficar com uma mulher bonita. Ela está trabalhando duro para trocar os vários "coroas" que a sustentam por um só, Pedro, mas o cara é casado com uma matrona difícil de se deixar divorciar. Na segunda his...

Hotel Atlântico, João Gilberto Noll

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Comprei na livraria ponta de estoque de Guaratuba, por 3 reais! Praia e livros baratos, como não amar? É da editora Francis, 2004, 110 páginas. Então esse moço, o narrador-protagonista do livro, está indo. Pra qualquer lugar. Começa se hospedando em um hotel no Rio de Janeiro e fica por uma noite. Então vai à rodoviária e pega um ônibus para Florianópolis, mas não quer ficar ali. Arranja carona num boteco. Acaba perambulando por cidadezinhas na fronteira entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, é acolhido e depois de um tempo vai de novo, para outro hotel e fim. cenas da adaptação para o cinema Nesse vai e vai, perambulando, ele encontra muita gente, acontece muita coisa, mas, ao mesmo tempo, não "acontece" nada. Não tem uma história, um meio e fim, um norte. É só a ida. Um livro diferente de quase todos que eu já li. Lembra o ótimo conto "A um passo" da Rosa Amanda Strausz, que eu resenhei aqui. Como o narrador do Hotel Atlântico, a protagonista também ...