20 de março de 2013

A redação do miojo não é notícia, mas rende uma boa conversa

As aulas de redação sempre foram minhas preferidas. E eu sempre fui bem, aí acabei achando que escrevo razoavelmente e me aventurei a escrever blogs e artigos e etcs. Eu nunca, jamais, colocaria uma receita de miojo numa redação sobre imigração (mas poderia citá-lo: o "miojo" é um exemplo ótimo de como as ideias também migram e não somente as pessoas). Minhas redações eram mais certinhas, sempre dentro do tema e minhas "tiradas criativas" eram mais inteligentes e bem colocadas (cof, cof), por isso eu nunca tirei um 5,6 em uma redação.

Então eu estou defendendo a nota desse menino e do menino que colocou o hino do palmeiras. Porque eu acho que como recurso estilístico foi uma coisa legal. A do palmeiras é bem pior que a do miojo, mas só porque ele não adaptou o hino. Se ele tivesse trocado "palmeiras" por "seleção" e "alviverde" por "canarinho", mereceria 1000! É exatamente o patriotismo de "torcida" que torna uma coisa tão humana e útil quanto imigração como "ilegal". Nós temos que deixar de ser torcedores do Brasil para sermos cidadãos, não só do país, mas cidadãos da humanidade.

Além as minhas próprias ideias ótimas (cof, cof), o causo rendeu muita conversa com gente boníssima no facebook. Primeiro dois textos de amigos foram as melhores coisas que eu li sobre o assunto, fora, é claro, esse que você está lendo.

Primeiro, o Ricardo Lísias, que é um fofo e permite que seus leitores e fãs sejam seus amigos de facebook, corrigiu a mesma redação como professor e deu algumas dicas de como usá-la em sala de aula como exemplo do que não fazer em redações do ENEM (a não ser que você tenha como meta uma nota 5,6, claro), ó um trecho:
"Explique enfim que o trecho sobre o miojo gera uma forte sensação de humor. Você pode citar o mesmo uso nos textos de Oswald de Andrade. Deixe claro ainda que se trata de um desvio do que se espera da redação. Explique a função das colagens nos textos modernos, inclusive seu aspecto de crítica."
Além da qualidade do texto em si, outra coisa que a gente não pode esquecer é que "O Globo", assim como inúmeros outros meios de imprensa, é sempre contrário ao atual governo. Sempre. Mesmo quando não existe algo a criticar (por isso a forma como eles noticiaram o caso miojo é uma não-notícia), eles criticam. E, sobre isso, o Paulo Cândido também falou (mas que droga, por enquanto não tem como linkar texto puro do facebook... então vai ser uma citação longa... o texto está perdido na página dele.)
"Mas basta anotar que os problemas de segurança, que assombraram o ENEM nos anos anteriores, parecem ter sido sanados. Perdida essa pauta, que fazer? Resta aos nossos bravos defensores da liberdade trabalharem duro, na busca incessante de alguma coisa que desqualifique o ENEM, o governo e o PT, nesta ordem.
Então, a primeira historinha foram os "inaceitáveis" erros de ortografia, encontrados aqui e ali, em algumas poucas redações bem avaliadas. Como se a redação do ENEM estivesse a medir a excelência ortográfica do candidato, qual uma imensa e anônima tia Margarida do quinto ano. O problema daquelas "denúncias", em que pese as timelines gritando "analfabetos" e "culpa do PT", é a confusão entre precisão ortográfica e precisão semântica e gramatical. Serve para dar vazão e voz à ignorância linguística média das timelines e da imprensa, às crenças do senso comum sobre o que seja uma língua e sobre como uma língua se move. E às crenças absolutamente infundadas de correlação entre ideias e ortografia.
A não-notícia de ontem e hoje, é claro, continuando aquelas da semana passada (a passo de tartaruga, eu diria - se é tão difícil achar exemplos da sua tese, será que a tese se sustenta?), é o yakisoba de letrinhas que ganhou nota média. Quem leu a redação inteira deve ter visto que há uma transição, quase uma brincadeira de adolescente. O texto para, marca o lugar em que vai passar a ser miojo, depois volta. O entorno do miojo, este que o examinador julgou, pode ter nota 520? Com certeza. Leia lá, nada nem de longe excepcional, mas vai de A até B passando por C e D, uma dissertação de apostila. Exceto, é claro, pelo excesso de macarrão japonês escapando pelas margens."
E então, conversando sobre o assunto com a queridíssima Neo Santi, um dos melhores presentes que um amigo de faculdade me deu, surgiu uma analogia com aulas de música que explica tudo o que eu sinto sobre o caso:
"Nas minhas aulas de música no colégio, (existiam, mas vamos trazer para o presente), existem adolescentes rebeldíssimos, bagunceiros, mas que na minha aula são aplicados. Zeram em tudo menos em música. Existem adolescentes nerds que na hora da minha aula não tiram o boné ou ficam mascando chiclete e não cantam. Não levam nota boa e questionam serem injustiçados por terem nota menor do que os "maus elementos". Não me interessa o resultado das outras matérias. A mim interessa é a participação deles em minha matéria! O piá do fundão se saiu bem e o nerd da primeira fila se saiu mal. Se fizermos depois um paralelo, o nerd não perdeu nada e o do fundão ganhou alguma coisinha. O do miojo e o do p(P)almeiras fugiram ao tema, assim como o nerd que não tirou o boné na hora de cantar (e não cantou) o Hino Nacional!!!"
Não é bom? Vocês não conseguem imaginar como as aulas de redação poderiam ter o mesmo poder de "redenção" dos "maus elementos" que uma aula de música, se os professores fossem menos rígidos com formas e ortografia e valorizassem mais a criatividade, a comunicabilidade do texto? A literatura é arte, como a música, e redações poderiam ser expressões artísticas também. Se deixassem. Se olhassem para elas com menos rigidez, com menos crueldade.

Então eu acho que, neste caso de miojos e torcidas, não é como se eles não tirassem o boné e não cantassem o Hino por conta do chiclete. O que acontece é que esses meninos cantaram o Hino sim, e dentro do ritmo, da melodia e da métrica. Só que lá no meio da letra misturaram a canção com outra coisa... o hino do Palmeiras, uma jingle, uma musiquinha infantil... sem, entretanto, bagunçar a execução do Hino como um todo.

Seria muito cruel, autoritário e anti-didático punir essas redações com nota zero e dificultar-lhes o acesso à faculdade por conta de irreverência, criatividade e pelo destemor de criticar o sistema (o ensino de música, o ENEM, o patriotismo, no caso do Hino) dentro da redação. Eles estavam criticando e testando a redação e o processo seletivo dentro do próprio ENEM! É uma tentativa de metalinguagem e isso é mais do que bom, é quase necessário.

Então, que bom que eles fizeram isso. Aos concorrentes que ficaram sinceramente chateados, indignados pela nota em si, e que acham que isso foi uma "brincadeira com nossos futuros e nossas vidas"* eu só posso dizer que também foi bom pra eles. Se esses meninos tivessem se mantido no tema poderiam ter tirado notas ainda melhores. E aí, sim, eles iriam atrapalhar em alguma coisa o processo seletivo de vocês...

* Li numa carta que um estudante enviou ao Senador Álvaro Dias... Não é uma coisa muito triste achar que o próprio futuro e a própria vida estão nas mãos do ENEM ou da faculdade? E se o estudante da carta não se sente assim realmente, só usa essas palavras como recurso estilístico e dramático, não é bem mais pobre que as redações cometidas pelos meninos?

8 de março de 2013

Carreira e maternidade: Sharon, Rodrigo e Tomás

Oi pessoal da blogagem coletiva! Hoje o Mamatraca quer "saber em detalhes" a nossa experiência e vou contar um pouco aqui. Já fazem 2 anos e 8 meses que voltei a trabalhar, após a licença, e agora eu acho que está tudo bem tranquilo... todos os envolvidos estão satisfeitos com o arranjo da mamãe nos trabalhos dela.


Rodrigo e eu dividimos tudo. Em todas as minhas conquistas e trabalhos ele é parte fundamental. Sem ele eu não faria metade do que eu faço! Eu vejo a relação entre ele e o Tomás como um espelho da que eu mesma tenho com o petiz. A sintonia e amor entre eles são tão bonitos! Para o Tomás, não existem muitas diferenças entre ser cuidado pelo pai ou pela mãe... e claro que isso é ótimo.

Obrigada, meu amor, por tudo! Te amo demais, amo demais nossa vida e nossa família!

Nesses quase 3 anos teve muita dúvida, muita angústia, algum choro, todo o estresse... Tomás teve crechites que pareciam não ter fim... a "gripe contínua" que pega todas as crianças que vão em creche... Fiquei internada com ele duas vezes, usei todos os meus 30 dias por ano de falta justificável por saúde de dependente para cuidar de dores de garganta mensais. Infelizmente isso é um privilégio, pouca mãe tem. E aqueles dias corridos de "ponto facultativo" municipal, quando a creche fecha, mas eu tenho que trabalhar. Ai. Nesses dias tivemos ajuda de vizinhas (ah! o valor reconhecido da boa vizinhança!), da minha mãe, da minha sogra e das minhas irmãs. É muito povo me ajudando!

Família chique!
Porque vejam só, eu tenho quatro (QUATRO!) carreiras, além da maternidade. A do IBGE, que é a minha fonte de renda, batendo ponto das 8 às 17. O Leitura sem Fronteiras, onde sou voluntária de incentivo à leitura, abrindo estantes, contatando pessoas, recebendo doações. A quitanda, que é pra diversão mesmo e ultimamente estava meio parada... E o ativismo de conversê, minha dedicação à defesa do ideal feminista. No FemMaterna, nas Blogueiras Feministas, no facebook, onde eu puder. E, logo, também vou estar em mais um site feminista, sobre rock!

Eu sou feminista. Nosso feminismo, o feminismo dos meus grupos, quer que toda mulher consiga ser tudo que quiser ser. Tendo filhos ou não, conforme ela decidir. Nosso feminismo é de apoio, nosso feminismo é sororidade. Essa é uma palavra que renasceu nesses anos e é perfeita para descrever meu sentimento em relação às mulheres que lutam comigo: as irmãs que eu fiz na vida, minhas sorors.

FemMaterna, um grupo de mães feministas!

Eu sou um raio de uma mãe feminista. Eu defendo e vivo que o filho não é responsabilidade exclusiva da mãe, da mulher. Nem mesmo da mãe e do pai. Criança é cidadã, faz parte de uma sociedade, de uma cidade, de um país. Todos tem responsabilidade. O mundo em que eu acredito é um mundo onde toda criança é respeitada em todas as suas demandas, por todos. O que inclui, é claro, comensais de restaurantes. (risos)

Tudo dá muito trabalho, claro! Eu gosto da minha vida assim. O Tomás gosta da mãe feliz, gosta da creche, gosta dos amigos que tem lá. Ele está feliz, passaram as fases difíceis, as crechites, as adaptações... e agora só falta o pequeninho dormir a noite toda. Mas nem ligo (teoricamente) porque, já que a noite é o meu tempo com ele, a noite tem mesmo é que ser nossa. Pra mamãe estar ali e cuidar dele. Brincar, ler, ajudar, ensinar. Amar.

Que venham os próximos 80 anos de maternidade e carreira!

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Às vezes eu cometo alguns posts sobre filhos. E também escrevo bastante sobre livros infantis.

7 de março de 2013

10 autores de quem eu leria qualquer coisa

Vi a postagem no pontoLivro do Luciano, que viu no Distopicamente da Isabel. E copiei. Até a imagem, roubei do Lu:


Na verdade, dos que já encerraram a produção, eu já li quase tudo o que foi publicado... Então eu tenho quase absoluta certeza. Como o Luciano, vou colocar em ordem alfabética para não hierarquizar ninguém.

Carlos Drummond de Andrade

Um dos poucos poetas que eu. Cronista excelente... escreve limpinho, fala bonito, incomparável.

Domingos Pellegrini

Fazer o quê.

Fernando Sabino

Às vezes, triste, noutras, engraçado e na maioria das vezes, nostálgico. Como a vida.

Graciliano Ramos

Ai, a verdade do que ele escreve dói na alma da gente, não dá pra ficar incólume.

Henfil

Fofo! (Sim, só por isso)

Lygia Bojunga

Porque entende as meninas.

Nick Hornby

Fofinho, pop, "fácil". Não é só pelo rock não... é porque é bom!

Edgar Allan Poe

Pô!

Stephen King

Fã é fã. Apesar de fazer um certo tempo, se me cair na mão alguma coisa, eu devoro.

Zélia Gattai

Ela quase que só escreveu memórias... mas tem um jeito tão divertido de falar delas...

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Adoro listas. Mais algumas:

- Top 10 da Sharon dos melhores romances de todos os tempos de todo o mundo
- Top 10 da Sharon dos melhores livros de literatura infantil
- Top 10 da Sharon dos melhores livros para ler a noite em claro

4 de março de 2013

Primeiro Livro Que Viaja da Quitanda: "A caneta e o anzol", Domingos Pellegini

Eu adoro a ideia de um livro viajante, circulando por diversas partes do país, sendo lido por pessoas diferentes e comentado por todo mundo... Conversas se originando. Acho que para iniciar uma viagem, a primeira que eu organizo, o livro tem que ter a ver comigo. Pelo menos um pouquinho. Além disso, tem que ser de leitura rápida e leve (envio barato todo mundo gosta, não é?)

E hoje topei na banca com um que tem. Tem eu, que cresci com meu pai pescador... companhando as histórias, os causos, as feridas, as limpezas, as fritadas de jundiá e as traíras na grelha. Tem o marido, que desde que o meu pai se mudou para Roraima está sem companheiro de pesca e sofre, todo domingo, assistindo aos programas de pesca na TV. Tem meu filho, que já pegou o primeiro peixe, com três anos! Tem meus avós, ambos, o materno e o paterno, chegando em casa com o peixinhos pra fritar na janta. Tem minha mãe, que pesca, minha tia-avó, meu tio-avô. Um e outro primo. Tem gente pra caramba.

Leia mais sobre o livro
na página da editora 
Tem eu também no Domingos Pellegrini, escritor de Londrina, aqui do Paraná, um dos meus preferidos, que faz contos perfeitos. Infelizmente o segundo melhor conto que já li dele, "Homem ao mar", é de pescaria e não está no livro. Mas o melhor conto que ele já escreveu foi publicado por outra fã na internet e vocês podem ler pra sentir o estilo... "A maior ponte do mundo".

Tem eu que é ilustrado, tem eu nos pequenos detalhes surrealistas, japoneses, escherianos das ilustrações. Até no amarelo com laranja meio over do verso da capa. Então é um livro perfeito pra pegar a estrada e me representar em visita aos amigos. São textos que ficam no limite entre a crônica e o conto... alguns são mais crônica, outros são mais contos e, no final, fechamos o livro sorrindo. Gostei muito!

Como participar?

É simples: escreve aí nos comentários seu nome e seu e-mail. Eu entro em contato para pegar o endereço. Quem for terminando manda pro próximo e assim vai. Eu gostaria que todo mundo me dissesse o que achou, mas não é obrigatório. Vamos?

"O Morro dos Ventos Uivantes", Emily Brontë

Arte de C.E. Montford -
 'Entra! Entra! - soluçava"
Antes de ler vai no youtube e liga a música. (obrigada, Cyntia!)

Li (mas não comprei) a famigerada edição com a referência à série Crepúsculo na capa, já que foi a que me caiu nas mãos. Estava numa das estantes do Leitura sem Fronteiras e eu decidi ler o clássico que a uns 25 anos me recomendam. Desde que eu tinha idade para ler romances. É da editora Leya, selo Lua de Papel, 2009, 292 páginas. E é... incrível, arrepiante. Justifica todas as referências, inspirações, homenagens, adaptações, inclusive as duvidosas.

O mundo de Heatcliff e Catherine é tão diferente da atualidade que é até difícil julgar o enredo com nossos olhos. Só pela quantidade de gente que morre jovem, de doenças que, hoje em dia, são plenamente tratáveis, já se imagina que nunca existiria história como essa em nossos dias. Outra coisa é que dificilmente cinco crianças viveriam, hoje, em um grupo humano tão fechado... onde só tem como referência a si mesmas. Não me admira que elas tenham amado e odiado tanto umas às outras... elas não conheciam mais ninguém! Não tinha escola, não tinha rua, não tinha parque, não tinha nada!


Capa para Penguin Classics Deluxe Editions, criada por Ruben Toledo
Aconteciam tragédias como essa, como Romeu e Julieta? Era assim que o "mundo operava" no quesito "amor de adolescentes"? Como era complicado, difícil, desumano viver... se as pessoas não tivessem a sorte de crescer sem amor algum, sem tesão nenhum, sem expectativa alguma... bum! Tudo acabava em morte, tragédia, vingança, ódio, traição.

Gravura de uma edição de 1940,
Fritz Eichenberg
Um tempo horrível pra se amar, se quiserem que a gente acredite que era mesmo assim que acontecia... e não como nos romances de Jane Austen, onde o idealizado é a beleza e a alegria... ou no Noite e Dia, da Virginia Woolf, que se espera um tantinho mais realista. Ainda bem que eu li esses antes, hein... o peso da história diminui um pouco se comparado com as relativamente contemporâneas, já que se torna surreal. (lembrando que Austen é bem anterior e Woolf bastante posterior, na verdade).


Pra terminar a lista de idiossincrasias, em três anos era impossível juntar uma riqueza que bastasse para comprar uma propriedade rural inglesa. Mas vejam bem, se as coisas corressem em tempos normais, ele não voltaria a tempo, porque... é.

Gravura da edição de 1940,
Fritz Eichenberg
Tudo foi bem amarrado, de certa forma. O livro é muito bem escrito, eu não consegui largar até chegar ao fim, mesmo com essa visão tão triste sobre as pessoas. Será que Emily acreditava nesses monstros que criou? Será que foi tudo um exercício de imaginação? Quão longe alguém pode ir levado pelo ódio e pela vingança? Ou pela letargia?

O livro só vai passar desapercebido para os fortes, os insensíveis e gente que não mergulha no que lê. Eu não sou nenhum dos três e fiquei marcada, meu fim de semana foi ruim, meu humor azedou, o leite coalhou, o bolo murchou, a salada azedou. Mas é essencial. Eu não lembro de ter lido nada tão extremo. Alguns livros falam sobre amor obsessivo (como "A mulher do viajante no tempo"), tentativas de recomeçar amores do passado ("O Grande Gatsby") mas nada que se tenha chamado de "história de amor", que eu tenha lido, chega perto de aterrorizar como "O Morro..."

Com toda certeza, não é uma história amor. É uma distopia, concordam?

Cinco estrelhinhas. Em cinco.

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Mais resenhas, aqui.