31 de agosto de 2012

34a. das 52 semanas de bibliofilia!

Tomás agora fica uns minutinhos "lendo" sozinho na cama antes de dormir. Quando o sono pega, ele grita "Cabô mãe!" e é hora de desligar a luz (se tudo correr bem, nem sempre é simples assim, mas vamos ajeitando tudo devagarinho). Ele adora esse livro ruim que tenta contar a história do filme "Carros 2", mas não consegue...

Ele já caiu da cama, por esse espaço aí nos pés... =(
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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".
Outras fotos do meme 52 semanas aqui.

Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha
Fila de livros não lidos
Os 7 pecados da leitura

30 de agosto de 2012

Meu aniversário!!! E retrospectiva! (longuíssimo!)

Com três anos, no meu triciclo bandeirante!
Feliz aniversário pra mim!!!

Umas fotos bonitas da minha bebezice, infância, adolescência, "young-adult"... um pouquinho da minha vida pra vocês conhecerem. Nasci em Pato Branco e morei aqui até os 9 anos:

Com minha mãe no jardim de um tio-avô

Com minha irmã do meio, Sheylli, a bebéia
e meu avô paterno, seu Paride

Pras crianças da cidade, passar as férias "arrancando"
mandioca no sítio era divertido pra caramba!
Se sujar já fazia bem naquela época!

Em janeiro de 1990, nos mudamos para Boa Vista, Roraima. Nesse ano, descobri como é a época das cheias lá, nas férias de julho:

Voltando do sítio da minha avó, com um funcionário dela,
minha irmã e um amigo do meu pai,
Então, em dezembro, já estávamos de volta ao sul. Minha turma da sétima série venceu a gincana anual da escola, nós éramos a "Equiperigo":

Em 1992, no meio do ano, voltamos para Pato Branco. Conheci a Melody no colégio e ela se tornaria a minha melhor amiga de todos os tempos!

Com a Melody numa viagem do segundo grau para São Paulo
Em 1997 me formei Técnica em Eletrônica e passei no vestibular da UFPR, Biblioteconomia. Fui para Curitiba no começo do ano seguinte. Então eu já tinha blog, e respondia umas perguntinhas bestas lá e copiei aqui, ó:

Aos 18,  falava mais do que fazia:
Eu seria... a Bela Adormecida
A vida é... comer, dormir e transar
Alegria: encontrar a pessoa certa e ser encontrada por ela
Tristeza: solidão
Característica: não falar a coisa certa na hora certa
Defeito: distração
Desprezo: narcisismo e radicalismo
Heróis: Gengis Khan
Heroína: Dona Quita, persongem do Érico Veríssimo em Incidente em Antares
Escritor: Carlos Drummond de Andrade
Disco: trilha sonora do filme "The Crow - City of Angels"
Hobby: recortar figurinhas, escrever cartas e fazer agenda
Viagem: Canadá
Filme: Natural Born Killers
Pessoas para conhecer: Raimundos, Jô Soares
Aos 20, não tinha vergonha de falar não:

Jogando RPG e fazendo o papel da
mulher indefesa gritona que atrapalha
(não, eu não era só isso... bem, nem sempre)
Eu seria... a Daria (do desenho da MTV)
A vida é... comer, dormir, transar e rock!
Alegria: ter amigos
Tristeza: solidão
Característica: ser criança
Defeito: preguiça
Desprezo: burrice
Heróis: Yakko, Wako
Heroína: Dot
Escritor: Stephen King
Disco: Cake - Prolonging the Magik e Blur - Parklife
Hobby: dormir
Viagem: futuro
Filme: Pulp Fiction
Pessoas para conhecer: Raimundos, D2, Cazé
E com 25, já começou o receio:

Com a Leila, num dos melhores shows de todos os tempos,
tributo às bandas independentes de Curitiba,
com covers e participações especiais, organizado pelos
muito amados membros da banda Zigurate 
Eu seria... a Poison Ivy (do Cramps)
A vida é... boa comida, cama quentinha, homem gostoso e rock'n'roll!
Alegria: todo dia!
Tristeza: solidão
Característica: não esquentar (muito) a cabeça
Defeito: preguiça
Desprezo: "Sou fanático contra o fanatismo" - Bertrand Russel
Heróis: Batman
Heroína: Dra. Susan Calvin, personagem do Asimov
Escritor: Isaac Asimov, Machado de Assis
Disco: The best of Stray Cats
Hobby: Internet e a "ronda": Torto Bar, show de rock e Empório São Francisco
Viagem: Londres! Afinal, eu sou poser e vivo em Curitiba
Filme: adaptações de HQ. Para o bem ou para o mal.
Pessoas para conhecer: Alaninha, Joelma, Sabin, 77, Elena, Alê Hanks, Backbone, Erika, Tiago Sem Nome, Fabiano Lauar, Bia, Cyberamigo, Lia, Jubyleu Vandal, André Dahmer, Arnaldo Branco...
No final de 2004 voltei pra Pato Branco, tava desempregada. Aí comecei a trabalhar no Diário do Sudoeste, a namorar o Rodrigo e a estudar Sistemas de Informação, de novo no CEFET. Trabalhei um ano na prefeitura, como fiscal de tributos, e passei no concurso do IBGE em 2006.

Compenetrada na diagramação!

Nosso noivado

e o serzinho mais importante da minha vida!
E com 33:
Eu seria... depois de ver todas essas fotos felizes, como ser alguém que não eu mesma? que inveja de mim! =P
A vida é... Tomás, Rodrigo, amigos, internet!
Alegria: o dia termina e Tomás não fez birra!
Tristeza: doencinhas do Tomás...
Característica: esquecer TUDO, desde horário de médico à passar no mercado
Defeito: preguiça
Desprezo: pessoal classe média que não reconhece seus privilégios... cês podem ver aqui como eu fui privilegiada, desde a infância. Não nego nada disso.
Heróis: Tyrion!
Heroína: Arya...
Escritor: Lourenço Mutarelli, Neil Gaiman, Ricardo Lísias
Escritora: Lygias: Bojunga e Fagundes Telles.
Disco: qualquer um do Buzzcocks
Hobby: hein?
Viagem: Londres! Quase dez anos e ainda não fui...
Filme: Little Miss Sunshine, a família que eu quero ser.
Pessoas para conhecer: Já tinha uma lista enorme de amigos internéticos em 2004, imagine agora... boleiras, boleiras, boleiras... vamos escolher um impossível então, pra não colocar uma lista imensa aqui e deixar alguém de fora: Henfil.
Fim! Viva eu!

29 de agosto de 2012

Dia da Visibilidade Lésbica

"Moralistas são pessoas que renunciam às alegrias corriqueiras para poder, sem culpa e recriminação, estragar a alegria dos outros"
- Bertrand Russel

A vida afetiva de alguém só diz respeito a ela a seus parceiros. Tudo o que adultos fazem com consentimento mútuo é saudável em termos de sexualidade, amor e família! Não muda nada na vida dos outros. Deixa o pessoal ser feliz!

E hoje, o Dia da Visibilidade Lésbica elas querem mostrar que existem, que fazem a diferença e que participam da sociedade e da história. Que são pessoas comuns, com defeitos e qualidades como todas as outras. E ser lésbica não é um desses defeitos ou qualidades.

Vou colocar aqui três histórias de meninas corajosas, que assumiram publicamente o seu amor.

1. Jéssica e Carina


Elas contaram a história delas na semana do dia das mães desse ano no Mamatraca. Se conheceram e se apaixonaram quando já tinham filhas... veja lá!

2. Karen e Bárbara


A Karen mandou a dedicatória desfolegante que a namorada dela, Bárbara, escreveu, para o "Eu te dedico". Veja a história toda lá.

3. Laís Fernanda e Maiara

As namoradas Laís Fernanda dos Santos, 25 anos, e Maiara Dias de Jesus, 22 anos, moravam juntas há quatro meses e eram um casal feliz. A família aceitava e apoiava o namoro, o que deve ter dado muita tranquilidade para elas assumirem a união. Mas a história delas, que poderia ter sido bonita como essas outras duas, acabou tragicamente. No dia 24 desse mês elas foram assassinadas na rua.

Fernanda e Maiara
Não dá pra aceitar que pessoas sejam discriminadas, maltratadas, excluídas por valores distorcidos como homofobia e machismo. Aceitar que alguém xingue um casal gay é aceitar uma agressão. É dar sustentação para agressões cada vez piores.

Não importa o que você pensa, importa o que você faz. Não fale. Não aponte o dedo. Não tente impedir a felicidade alheia. Não use sua religião para atacar comportamentos inofensivos dos outros. Se você faz isso, você não é só um moralista, é também um cuzão.

Esse post se soma à militância pelo Dia da Visibilidade Lésbica (28 de agosto) – para que todas nós sejamos tratadas com respeito e dignidade.

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Mais: 

Famílias formadas por lésbicas: elas existem! por Amanda Vieira no Blogueiras Feministas
Guest post da Eliza Vianna no ...ou barbárie
Lésbicas invisíveis, no Groselha News
Fragmentos de uma reflexão sobre a visibilidade lésbica, no Roupas no Varal, da Tica Moreno.

28 de agosto de 2012

O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Veio através de troca, edição da Abril Cultural, 1980, 221 páginas.

Então. A história é simples. Nick observa o vizinho apaixonado (Gatsby) tentando retomar um romance da juventude interrompido pela guerra.  Só que a namoradinha da adolescência é hoje casada e tem uma filha.

É um bom livro, mas fui ler a contra-capa pra ter ideias pra resenha e eles são bem exagerados. Vou comentar a partir dela, em itálico:
"O mundo febril da "geração perdida" da época posterior à Primeira Guerra Mundial."
Febril? Menos, bem menos... povo só quer aproveitar e tal, mas febril é coisa de entrar de corpo e alma... a hipocrisia da época não deixava ninguém ser "febril". Tem alguns momentos "febris" no livro, o sr. e a sra. Wilson, o narrador Nick e próprio Gatsby se entregam mais às emoções. Mas como um todo, não achei nem a "geração perdida" nem o "mundo febril" aí. Culpa dos beatniks e dos anos 60, provavelmente. Aquilo sim é que foi febre e perdição.
"Uma trama densa, cheia de paixões, conflitos, intrigas, na "era do jazz".
Também não vi toda essa densidade. O enredo é caprichado, a história é fluida e bem narrada, não exige do leitor (a não ser pelo mistério do elevador, claro). E as paixões ficam com os mesmos personagens febris... nem todo mundo se deixa levar. Conflitos e intrigas, sim, muitos. Tanta fofoca que é uma novela das 8 perfeita.
"A história de Jay Gatsby e sua dramática ânsia de ascensão social."
Pobre Gatsby. Pobre mesmo.
"A falta de sentimentos, a violência e o materialismo das metrópoles do leste norte-americano."
Sim, agora sim, o livro é sobre isso aí, exatamente. Então vejam... como uma "falta de sentimentos" pode ser febril? Como são mal escritas essas contracapas...
"O desespero de personagens oprimidos pela existência rotineira, buscando a fuga pelo rompimento de velhas convenções sociais e correndo de encontro a um grande vazio."
De novo, o desespero é só dos quatro apaixonados febris. Mas o único que quer romper as convenções é o Gatsby. E o "grande vazio" é onde a maioria dos personagens estão, muito bem acomodados. Quem está correndo, está tentando sair do vazio, quer ir para longe dele.

Mesmo o Nick segue uma certa convenção até o fim. Ele é o grande amigo, aquele que abandona a vergonha para ficar do lado das pessoas queridas que se metem em enrascadas por não controlar a paixão e os sentimentos. Nick está lá. Firme. Ele gosta de Gatsby mais do que ele mesmo percebe, talvez. Ou só não quis contar pra gente, mas aí é da intimidade dele. A amizade, o calor e a visão do Nick fazem a gente continuar a ler o livro, no meio de tanta gente insensível e chata. Ou quase-tolos, como o Gatsby parece ser às vezes.

O clima geral de "O grande Gatsby" me lembrou um pouco o que eu sentia pelo povo frio, indie e blasé em contraste com o calor dos  punk roquers meio loucos e apaixonados nos meus momentos de "geração perdida". Todo mundo já foi o Gatsby de algum Nick ou o Nick de algum Gastby.

Lá embaixo, após os links, tem um infográfico bem legal, com spoiler do fim do livro, que une os personagens importantes. Aliás, ô livrinho pra ter capa feia, hein? Procurei até em francês e espanhol, nada me agradou.

Três estrelinhas. Em cinco.

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Outras resenhas:

- O céu dos suicidas, Ricardo Lísias
- O caderno vermelho, Paul Auster
- Marcas na parede, organização de Hanna Liis-Baxter
Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
O livro do contador de histórias chinês, Michael David Kwan
Oriente. Ocidente, Salman Rushdie
A jogadora de go, Shan Sa
Unhas, Paulo Wainberg
- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet
Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout


Minhas piores compras foram - 52 x 5 35a. semana


1. Centrífuga Ultimate Fighter Ginsu 2000 Vivarina Juicer Walita - um dinheirão pra 5 jarras de suco. Pfff.

2. Coleção Cinema Meninos Disney: tem "Carros 2", "Ratatuouille" e "Toy Story 3", mas como resumos do enredo do filme são horríveis, as imagens escuras, são edições sem pé nem cabeça. Fujam correndo, mães de meninas também, é fria!


3. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil - já me livrei dele, amém, nunca mais volte, por favor.

4. Mama Tutti - a ideia é dar complemento ao bebê, durante a amamentação, sem que ele perceba. Funcionou! A primeira vez... depois o Tomás aprendeu a fechar o caninho (com a língua, será? não sei) e não funcionou mais... ele não gostava dos complementos. OBS: com o Tomás e comigo, o Mama Tutti não funcionou bem. Entretanto, como várias mulheres comentaram aqui na postagem, é um ótimo equipamento para mães que precisam fazer relactação, quando o bebê está usando apenas complemento e é preciso estimular a produção de leite da mãe.

5. Marmitinhas do almoço pra levar de janta pra casa: eu fazia isso. Se o cardápio do almoço no restaurante estivesse apetitoso, eu levava marmitinha pro IBGE e deixava na geladeira, pra jantar em casa com o petiz e o maridão. Adivinha quantas vezes eu esqueci a bendita marmita na geladeira? QUATRO. Aí desisti da "genial ideia". 

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:

Outros posts do 52 x 5
Cinco fatos sobre a Sharon
Resoluções sharísticas
O que a gente aprende quando nosso pai está longe da gente
Eu política

27 de agosto de 2012

Problemas da Literatura Infantil, Cecília Meireles

Veio através de troca no skoob. Editora Nova Fronteira, 1984, 155 páginas. É um livro de uma amante de livros infantis para os outros entusiastas. Trata o livro, a literatura e as crianças com carinho e reverência à sua importância. Achei perfeito para conhecer o assunto, tanto como mãe e apaixonada pelos livros quanto para a academia.

A ideia que permeia todo o livro é que literatura infantil não deixa de ser Literatura por ser escrita para crianças ou ter sido apropriada por elas. Um livro, para a criança, vai suprir a mesma necessidade que supre em um adulto: fascinar, entreter, apreender, refletir. Mas olha só, vocês que já eram ratinhos de biblioteca quando crianças, como eu, se a dona Cecília não era sabida:

" Se considerarmos que muitas crianças, ainda hoje, têm na infância o melhor tempo disponível da sua vida, que talvez nunca mais possam ter a liberdade de uma leitura desinteressada, compreenderemos a importância de bem aproveitar essa oportunidade." pg. 123

Esse é o Logan, que adora livros e não perde a oportunidade!
Conheça um pouquinho da  história dele no delicioso "A vida com Logan"

A primeira edição é de 1951 e, naquela época, as histórias em quadrinhos e ilustradas eram consideradas uma "distração" para a "real leitura". É minha única discordância, e não culpo a Cecília, já que os quadrinhos e os livros ilustrados de hoje são bem diferentes daqueles que ela podia analisar. Ainda bem!

Os trechos mais interessantes:

1. Oralidade e literatura

"Sempre que uma atividade intelectual se manifesta por intermédio da palavra, cai, desde logo, no domínio da Literatura. A Literatura, porém, não abrange, apenas, o que se encontra escrito (...) A palavra pode ser apenas pronunciada. É o fato de usá-la, como forma de expressão, independente da escrita, o que designa o fenômeno literário." pg. 19

"Conta-se  e ouve-se para satisfazer essa íntima sede de conhecimento e instrução que é própria da natureza humana. Enquanto se vai contando, passam os tempos do inverno, passam as doenças e as catástrofes - como nos contos do Decameron - chegam as imagens do sonho - como quando as crianças docemente descaem adormecidas.

The Storyteller, obra de Howard Terpning, site oficial.

O gosto de contar é idêntico ao de escrever - e os primeiros narradores são os antepassados anônimos de todos os escritores. O gosto de ouvir é como o gosto de ler. Assim, as bibliotecas, antes de serem estas infinitas estantes, com vocês presas dentro dos livros, foram vivas e humanas, rumorosas, com gestos, canções, danças entremeada às narrativas." pg 49.

"Por isso, quando ainda não havia bibliotecas infantis, não era tão grande e sensível a sua falta; o convívio humano as substituía. Tempos em que a família, aconchegada, criava um ambiente favorável à formação da criança." pg 50.
Xhosa Transkei storytellers, fotografia de Harold Scheub,
disponível na Digicol Library

"é a Literatura Tradicional a primeira a instalar-se na memória da criança. Ela representa o seu primeiro livro, antes mesmo da alfabetização, e o único, nos grupos sociais carecidos de letras.
"Por esse caminho, recebe a infância a visão do mundo sentido, antes de explicado; do mundo ainda em estado mágico. Ainda mal acordada para a realidade da vida, é por essa ponte de sonho que a criança caminha, tonta do nascimento, na paisagem do seu próprio mistério. Essa pedagogia secular explica-lhe, de forma poética, fluida, com as incertezas tão sugestivas do empirismo, o ambiente que a rodeia - seus habitantes, seu comportamento, sua auréola." pg. 83

2. A importância da literatura 

"A Literatura não é, como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição." pg 32

"Book eater" por Beppe Giacobbe,
no Creative Quarterly

"...para a criança, como para o adulto, a eternidade é um sonho inconfessado mas vigilante, se não em termos divinos, pelo menos em humanos: reconhecer a continuidade do nosso destino na terra; sentir perpetuada este interminável família humana, aconchego semelhante ao da enumeração bíblica, em que nos encontramos idênticos, desde sempre, para sempre, em nossas fraquezas e virtudes." pg. 35

"O certo, porém, é que os livros que têm resistido ao tempo, seja na Literatura Infantil, seja na Literatura Geral são os que possuem uma essência de verdade capaz de satisfazer à inquietação humana, por mais que os séculos passem. São também os que possuem qualidades de estilo irresistíveis cativando o leitor da primeira à última página, ainda quando nada lhe transmitam de urgente ou essencial."
"De qualquer forma, o milagre fundamental está nas mãos do autor" pg. 117

Retrato da escritora inglesa Fay Sampson, por Diana Colledge

"porque precisamos pensar e exprimir o pensamento. Porque precisamos ser lúcidos e exatos. O mundo sofre por uma imperfeita comunicabilidade dos homens. Não dizemos o que pensamos? Ou não pensamos o que dizemos?" pg. 154

3. O conceito de literatura infantil

"...tudo é uma Literatura só. A dificuldade está em delimitar o que se considera como especialmente do âmbito infantil.
São as crianças, na verdade, que o delimitam, com a sua preferência. Costuma-se classificar como Literatura Infantil o que para elas se escreve. Seria mais acertado, talvez, assim classificar o que elas leem com utilidade e prazer. Não haveria, pois, uma Literatura Infantil a priori, mas a posteriori." pg. 20

"Ah! tu, livro despretensioso, que, na sombra de uma prateleira, uma criança livremente descobriu, pelo qual se encantou, e, sem figuras, sem extravagâncias, esqueceu as horas, os companheiros, a merenda... tu, sim, és um livro infantil, e o teu prestígio será, na verdade, imortal."

Imortal bruxinha!

"Pois não basta um pouco de atenção dada a uma leitura para revelar uma preferência ou uma aprovação. É preciso que a criança viva a sua influência, fique carregando para sempre, através da vida, essa paisagem, essa música, esse descobrimento, essa comunicação..." pg 31

"Só nesses termos interessa falar de Literatura Infantil. O que a constitui é o acervo de livros que, de século em século e de terra em terra, as crianças têm descoberto, têm preferido, têm incorporado ao seu mundo, familiarizadas com seus heróis, suas aventuras, até seus hábitos e sua linguagem, sua maneira de sonhar e suas glórias e derrotas." pg 32

A Lisa demorou, mas acabou se rendendo
ao bruxinho que já entrou pro cânone infantil!

"Que as crianças gostam de histórias ricas de conteúdo humano, prova-o a escolha que têm feito, através dos tempos, entre livros tão variados. Que são sensíveis à arte literária, a certos requintes de técnica, basta ouvir-se o testemunho de alguns que recordam a infância." pg. 122

4. O livro infantil - autores adultos, leitores crianças

"... em suma, o "livro infantil", se bem que dirigido à criança, é de invenção e intenção do adulto. Transmite os pontos de vista que este considera mais úteis à formação de seus leitores. E transmite-os na linguagem e no estilo que o adulto igualmente crê adequados à compreensão e ao gosto do seu público." pg 29

"Uma das complicações iniciais é saber-se o que há, de criança, no adulto, para poder comunicar-se com a infância, e o que há de adulto, na criança, para poder aceitar o que os adultos lhe oferecem. Saber-se, também, se os adultos sempre têm razão, se, às vezes, não estão servindo a preconceitos, mais que à moral; se não há uma rotina, até na Pedagogia; se a criança não é mais arguta, e sobretudo mais poética do que geralmente se imagina..."



"Por isso, em lugar de se classificar e julgar o livro infantil como habitualmente se faz, pelo critério comum da opinião dos adultos, mais acertado parece submetê-lo ao uso - não estou dizendo à crítica - da criança, que, afinal, sendo a pessoa diretamente interessada por essa leitura, manifestará pela sua preferência, se ela a satisfaz ou não."
"Pode até acontecer que a criança, entre um livro escrito especialmente para ela e outro que o não foi, venha a preferir o segundo. Tudo é misterioso, nesse reino que o homem começa a desconhecer desde que o começa a abandonar." pg 30

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24 de agosto de 2012

33a. das 52 semanas de bibliofilia!


Aproveitando a semana Mamatraca sobre decoração, uma dica para as mães leitoras: não deixe nada perigoso ou precioso ao alcance do seu terremotinho, coloque um desenho na TV e esqueça!

Já que ele não vai quebrar nada mesmo, deixa eu relaxar...

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".
Outras fotos do meme 52 semanas aqui.

Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha
Fila de livros não lidos
Os 7 pecados da leitura

23 de agosto de 2012

Marcas na parede, organização de Hanna Liis-Baxter

Primeiro livro do tema "terror" e décimo segundo do ano do Desafio Literário 2012. A edição é da Andross, 2009 e tem 255 páginas. Troquei pelo Skoob, especialmente para ler este mês.

É uma coletânea de autores estreantes, ou com poucos livros e contos publicados, então não comecei a ler com expectativas elevadas. Mas me surpreendi, tem muita coisa boa. Infelizmente, a maioria das histórias tem  três páginas ou menos, então não chegam a "dar medo" ou assustar, porque o clímax é muito próximo da resolução e tudo acaba rápido, dando fôlego pra próxima história.

Acredito que o número de páginas tenha sido norma editorial e alguns autores não se saíram muito bem no resumo, mas isso é plenamente compreensível. Só teve um ou dois contos dos quais eu realmente não gostei, mas nem vou falar deles, já que, no geral, a coletânea é boa. Vou escolher alguns dos melhores contos (na minha opinião) pra comentar, dividindo um pouco por "estilo"

1. Contos da Cripta

Aquelas histórias meio humor, meio teatro de revista, meio non sense, meio pornochanchada e meio terror. Adoramos! Eu e a maioria dos fãs de terror, não é?

"Curso final para escritores de Terror" do Francis Piera, é uma delas. A história tem quatro páginas, acho que por isso é uma das melhores... deu "espaço" pra finalizar de forma bem decente. Duas amigas chegam numa "casa de madeira no alto de uma colina" para um curso de escritores. São recebidas por uma assessor que vai iluminando a sala, a princípio escura, com velas, sugerindo um clima muito propício. O ministrante do curso logo aparece e ele mesmo poderia ser confundido com um personagem dos quadrinhos da cripta. Após uma rápida palestra, os dois responsáveis pelo "curso" somem e as amigas ficam sozinhas na sala, e as velas se apagam num instante.
"Elas correram até a porta, mas esta fora trancada. Ao redor, cada item da decoração exótica parecia resmungar.
- Leca, o que está acontecendo aqui?
Escutaram passos do lado de fora. Passos pesados.
E arranhões. Dezenas deles."
"Mesmo que a morte nos separe", do João Affonso, também é assim. Um casal com um relacionamento meio conturbado, "mesmo que..."

2. Suspense, por Hitchcock

Lembram dessa série que passava na Globo, quando a gente era criança? Se seus pais te deixavam assistir, você vai entender o porquê dessa "categoria". São histórias sobrenaturais com finais surpreendentes (tcham tcham tcham tcham!!!)

E uma história que seria aprovada sem ressalvas pelo Hitchcock é "Monstro" da Luciana Apolloni Santana. Um grupo de colonizadores chega a um local na selva, uma aldeia abandonada e vazia, a não ser um pequeno menino que a narradora da história acolhe como filho. Todos começam a trabalhar, tentando melhorar as condições onde vivem para construir uma nova vida, esperançosos. Mas alguma coisa da floresta começa a atacá-los e fazer vítimas, em intervalos de tempo cada vez mais próximos.
"Os corpos apareciam dilacerados, como que atacados por ferozes mandíbulas. Quem, ou o quê, poderia ser responsável pelas mortes? E se não fosse uma fera ou um nativo, mas um de nós?
"Pequena ordinária" da Larissa Caruso tem um final perfeito, pra um conto tão curto. Encaixaria direitinho entre as histórias da série.

"Pra sempre a morte do cisne", de Nath Feerique e "Quem tem medo da loucura?" da Thaissa Ribeiro, também são no estilo e bem legais.

Em "Sentença final", do Célio Figueiredo, um executivo preso no engarrafamento aprende uma dura lição!

4. Amazing Stories

Esses contos fazem mais o estilo Steven Spielbierg, suspense, mas mesmo que alguém morra, o final é... feliz, ou quase. Pelo menos para um dos personagens...

"O poema de Anúbis", do Fernando Heinrich, sobre arqueólogos brasileiros que encontram blocos de arenito com inscrições antigas no Egito, é assim. Amazing.

Em "Encontros" do Rodrigo Zafra, o narrador encontra uma moça estranha numa boate, que não se deixa levar pelo ambiente e pela música. Perde ela de vista mas, quando resolve sair, a encontra chorando do lado de fora. E...

Seguindo um pouco a linha de "Encontros", em "A casa do fim da rua", da Cecília Torres Nogueira, um incauto transeunte se depara com uma história bem antiga...

"O piano" de André Catarinacho, é a história de um pai que queria encontrar a composição perfeita. A música mais bela de todas, a mais importante... mesmo que isso custasse sua própria saúde a de sua família...

5. A tradição

Enredos bem tradicionais, com um toque original, bem feitos.

"A folha em branco", de Georgette Silen. Durante um período de baixa inspiração, uma escritora se tranca em seu apartamento e passa a trabalhar apenas na máquina de escrever antiga, que parecia fazer fluir de seu teclado uma inspiração quase mágica. E então...

"Perdido na escuridão" do Luiz Ehlers: um casal sofre uma acidente numa noite chuvosa e o marido vai buscar ajuda em... uma casa "muito grande e velha". Compreenderam, não é?

"Espelho no corredor", da Ieda Silva Castaldi e "O quadro" de Amauri F. entram na lista por usar como protagonistas objetos terroríficos em si mesmos.

"A corrente do lobo", de Nathália Santa Rosa, traz o pai salvando as filhas de um lobisomem enfurecido pela lua cheia.

6. "Stephen Kingos"

Minha história preferida, "O presente de Camila" é a mais comprida, seis páginas e pouco e é um stephen kingo. Herói, problema, solução narrada em detalhes, final foda. Tem zumbis, pessoal que não aparece (muito) nas histórias do King, eu sei, mas o estilo, principalmente a forma de narrar, lembra bastante.


Outra história stephen kinga é "Miscigenação", de Jaqueline Leal. Tem um enredo bem interessante, mas... tem uma protagonista de nome "Runia" irmã de uma "Riana" (é senhor dos anéis ou história de terror?) A Runia conhece o "sobrinho" e o descreve como um bebê ainda cheio de "vérnix caseoso", seja lá o que for isso. Duas escolhas de palavras que distraem a atenção e tiram a empolgação da leitura...

Vérnix caseoso? Sério que você vai me fazer googlar pra descobrir o que é isso, editora?

Dois amores na mesma
foto!!!
7. Gaimanianos

"Assombração" do Victor Meloni, "Aprisionada", da Hanna Liis-Baxter, "O palhaço da rua treze", de Sóira Celestino e "A lenda da besta", de Polli Gomes, lembram o estilo de "sincretismo lendário" e um horror sem bem ou mal do mestre Gaiman.

Minha segunda história favorita também entra aqui. "Segredos de família" da Patricia Soares. Mei, filha de chineses, descobre, através de fotos, visões e sonhos, a história de seu nascimento. A história é ótima, mas faltou só uma ou duas frases para deixar mais claro o acontecido. Aí seria perfeita.

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Tem ainda algumas histórias que eu não citei, não exatamente por não ter gostado. Mas no geral, o livro é legal. Algumas histórias mereciam mais alguns parágrafos, uma página, talvez, para ficarem redondinhas. Pena terem resumido tanto.

Três estrelinhas e meia. Em cinco.


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Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
O livro do contador de histórias chinês, Michael David Kwan
Oriente. Ocidente, Salman Rushdie
A jogadora de go, Shan Sa
Unhas, Paulo Wainberg
- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet
Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout

22 de agosto de 2012

O caderno vermelho - Paul Auster


Troquei pelo skoob. Companhia de bolso, 2009, 87 páginas.

Minha mudança na resolução livrística está dando frutos. Parei de seguir a listinha, que eu tinha feito em março e comecei a ler os livros finos. Rendeu  bastante. Desde 25 de julho já li:

- "Filhas do segundo sexo", Paulo Francis;
- "Hotel Atlântico", João Gilberto Noll;
- "Nell", Mary Ann Evans
- "O céu dos suicidas", Ricardo Lísias
- "Marcas da parede", organização Hanna Liis-Baxter
- "O grande Gatsby", F. Scott Fiztgerald e

esse.

Bom né?

Enquanto isso os grandões vão ficando na estante.

Bão, vamos à resenha. Paul Auster é autor aplaudido e os livros dele são uma delícia. Li dois da trilogia de Nova York em 98, 99, emprestados da biblioteca da faculdade. Não lembro nem dos títulos nem do enredo, lembro que gostei. Também li "Mr. Vertigo" e, esse sim, lembro bem de tudo, é um realismo fantástico doce, no estilo do filme "Peixe Grande". Foi a "doçura" simples do estilo e das histórias que me fez gostar do autor, e d"O caderno vermelho" também.

Perfeito pra ler depois do livro tenso do Lísias, a propósito! Esse a gente fecha leve e sorrindo...

São histórias reais da vida do Paul e de seus amigos, conhecidos, leitores. Histórias simples, algumas singelas, algumas doces, algumas tristes, mas todas sobre coincidências. Como quando você descobre que a mãe da colega da sua afilhada é irmã do baterista da banda que você tietava há dez anos atrás, sabem?

É gostoso sentar e fugir desse mundo complexo e complicado, cheio de detalhes aborrecidos e fios soltos e imaginar que algumas coisas da vida são boas e bonitas por serem bem o contrário. Tem pedacinho pra degustação no google books!

Quatro estrelinhas. Em cinco.


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Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
O livro do contador de histórias chinês, Michael David Kwan
Oriente. Ocidente, Salman Rushdie
A jogadora de go, Shan Sa
Unhas, Paulo Wainberg
- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet
Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout

No elevador

- Tia, doeu muito pra fazer essa tatuagem? - me pergunta, na cara dura, um rapazote de uns treze, catorze anos

- Não muito, quer dizer... no lado direito não, mas no esquerdo doeu um pouquinho sim

- Ah... é que eu tô com muita vontade de fazer mas...

- Mas você ainda não pode

- É, sou de menor.

- Mas é melhor, assim você tem bastante tempo pra decidir o desenho e não se arrepende...

- Tá! Valeu, tia!

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Poxa. Eu sou "tia". Magoei.

21 de agosto de 2012

O céu dos suicidas, Ricardo Lísias

Seguindo o Lísias no facebook e lendo as resenhas que ele compartilha... não consegui segurar. Quebrei a promessa que fiz aqui no blog de não comprar mais livros pra mim esse ano... e aproveitei a promoção contínua de desconto na 30porcento. Olha que eu acho que é uma das últimas livrarias virtuais com exemplar disponível! E está R$ 23,80. Eles mandam no Registro Módico, dá uns 4 reais de frete!

Compra lá! (não é publieditorial não, é só que eu valorizo barateza.

A edição é da Alfaguara, 2012, 186 páginas. Chegou na quarta no IBGE, mas só peguei na mão quinta, por conta de uma viajem a serviço. Comecei a ler assim que o Tomás dormiu, 21:30 e terminei às 22:30. Nunca tinha lido tão rápido na vida, acho. E fazia tempo que eu não terminava um livro tremendo de nervoso.

A história, por si só, já é difícil. O narrador conta como tem vivido após o suicídio de seu grande amigo André. Como é compreensível, ele tem vivido mal. Insônia, culpa, raiva, dúvida, horror... tudo junto. E no ritmo do Lísias, os pensamentos e ações vão acontecendo tão rápido que parece que estou ouvindo o narrador na minha frente. É a história do Ricardo (o nome do narrador é Ricardo Lísias, como o escritor) da forma que o Ricardo está contando, como ele quer contar, e não como um narrador onisciente chatonildo faria, com viagens interiores e narrativa psicológica, que eu detesto.

Que mais? Eu não sei falar muito sobre livros que eu gostei! Então, se vocês também gostarem, procurem os outros livros do Lísias. Eu li, no começo do ano, "O livro dos mandarins". Tem o mesmo ritmo, e, apesar de o assunto ser mais leve - o mundo corporativo -, também tem muita tensão.

É isso.

Cinco estrelinhas. Em cinco.

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Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
O livro do contador de histórias chinês, Michael David Kwan
Oriente. Ocidente, Salman Rushdie
A jogadora de go, Shan Sa
Unhas, Paulo Wainberg
- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet
Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout

Livros que eu acho que todo mundo deveria ler - 52 x 5 34a. semana

1. 1984
2. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
3. Viagens de Gulliver
4. Capitães da Areia
5. Incidente em Antares

Distopia, romance, fantasia, formação, político. Não necessariamente nessa ordem. Ou sim. Será?

Sim, eu acho que todo mundo deve conhecer a Bíblia, pelo menos as histórias principais. Gênesis, Evangelhos, Apocalipse. E procurar entender porque a religião é tão importante para as pessoas e porque o cristianismo em si acabou se tornando tão importante. Porque eu acho que no Brasil de hoje, é preciso.

Em outro tempo qualquer, em outro país, talvez não faça diferença.

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:

Outros posts do 52 x 5
Cinco fatos sobre a Sharon
Resoluções sharísticas
O que a gente aprende quando nosso pai está longe da gente
Eu política

20 de agosto de 2012

As mães de "Cheias de Charme"

Todo mundo está falando que "Cheias de Charme" é a melhor novela das 7 dos últimos anos. Indiscutível! E acho que é a melhor novela das 7 que eu já assisti na vida adulta. Quando criança teve a primeira Tititi, a Mico Preto, que eu adorava, Brega & Chique (pelado, pelado, nu com a mão no bolso!)... foi a época de ouro das novelas e (talvez) não dê pra comparar.

Mas nos últimos 15 anos, é a melhor de todas as do horário. De longissíssimo. Elevado ao infinito.

Por quê? Ah, pelos pais e pelas mães, claro, pelos retratos mais realistas de família, de periferia, de relacionamentos, porque é tudo como é, ou como eu vejo que as coisas são. E a "fauna" materna é variada, assim como os filhos são. Bora lá. Eu assumi que "mãe é quem cria", então:

1. A mãe que mata um boi por dia


Penha sustenta a casa sozinha e tem que ser o coração e a autoridade na vida do filho... o marido, Sandro, não trabalha e vive na flauta, eterno adolescente, não assume o papel de pai. Ela é pai e mãe do Patrick e também da Alana e do Elano, seus irmãos.


2. A mãe de aborrecente


Lygia é advogada bem sucedida e já teve sua época de mãe batalha. Era solteira quando Samuel nasceu. Lutou muito para construir sua carreira e o filho cobra muito o tempo que não teve com ela. Samuel é o playboy sem noção da vizinhança, sempre aprontando e dando dor de cabeça pra todo mundo. E pisa no ponto fraco da mãe: a culpa. Muita gente achando que o Samuel merecia era umas boas palmadas, e ele tomou um grande susto, melhorou um tiquinho, mas continua aprontando. E a Lygia sempre correndo atrás do guri. Houve seu marido, Lygia! Deixa ele, já é maior de idade!

3. O pai que é mãe e fã


Sidney adotou Rosário quando a menina tinha 10 anos, depois da morte de seu companheiro, Edivan. Uma das maiores qualidades da novela é retratar um personagem gay sem estereótipos, bom pai, bom chefe, amigo e que vibra com o sucesso da filha sem deixar de ser seu conselheiro. Adoro!

4. A mãe amiga



Cida perdeu a mãe muito cedo e desde então foi criada por sua madrinha, Valda. Acabaram se tornando grandes amigas e sempre cuidam uma da outra.

5. A mãe atarefada


É fogo ser mãe de recém-nascido e Ariela descobriu isso! Não tem muita ajuda da própria mãe ou da irmã Isadora, o marido trabalha fora e o Bubi não pára de chorar. Ela fica perdida e ufa! Consegue uma ótima babá. É a "sarmenta" com o melhor coração e desejo muita sorte pra ela.

6. A mãe acidental


A Lygia pode ser uma das vilãs da novela, mas não é uma péssima mãe... ela está sempre presente na vida das filhas, às defende como pode e tenta aconselhar, tenta separar as brigas, tenta ajudar... mas não consegue muito. A encantadora de bebês chama de "paternidade acidental" o "método" de resolver as coisas na medida em que acontecem, sem procurar pensar e conhecer as melhores atitudes a tomar em cada caso, com cada filho. Ela ama as filhas e é próxima a elas, mas talvez só isso não baste...

7. A vó


Vó não é mãe. Vó é para mimar, paparicar, brincar, fazer bagunça. "Vó estraga, bisavó corrompe". Máslova segue bem o estereótipo da avó que enche o neto de mimos, que não mostra como é importante assumir a responsabilidade pelo que faz. Infelizmente era de uma avó bem diferente que o Conrado precisava após a morte da mãe... e de um pai mais presente e menos rígido, talvez? Não sei... às vezes os pais fazem o impossível para mostrar a vida aos filhos mas eles não aprendem nada. A criação e a família não formam 100% do caráter de ninguém...

E então? As mães da novela são ou não realistas? Umas mais, outras menos... mas todas, como personagens, foram bem construídas, com história, coerência, "rumo na vida". Fazia tempo que eu não gostava tanto de uma novela. E que venham mais! Parabéns aos autores, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, pelo ótimo trabalho!

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Mais filhos:

- Nossa rotina de adormecer
Feijão no ouvido, giz no nariz
Meu terrível dois e o inverno
O desfralde para pães que trabalham
Aproveitando oportunidades para falar sobre o trabalho da mamãe
Livros para pães: Cultivando um leitor desde o berço, Diane Mcguinness
Pãeternagem