9 de agosto de 2012

Morte dos Reis - Bernard Cornwell


Segundo livro do tema "fatos históricos" e décimo primeiro do ano do Desafio Literário 2012. A edição é da Record, 2012, tem 375 páginas. Bernard Cornwell é o autor que mais aparece na minha estante, por enquanto. Não consegui libertar os livros dele, mas empresto sem problemas e já fiz um novo fã, meu amigo Dinho. Ele estava esperando um tantinho ansioso que eu terminasse esse, que é o sexto volume da série "Crônicas Saxônicas", pra poder ler também.

A série conta como os diversos reinos anglos e saxões se tornaram um só país, a Inglaterra. Foi o rei Alfredo, o Grande, que reinou em Wessex entre os anos 871 e 899, o mentor da ideia. Ele tentou realizá-la durante todo o seu reinado, mas não era fácil, pois seus súditos, os saxões (que tomaram a Inglaterra dos galeses do Rei Artur) enfrentavam quase todo ano invasões dos dinamarqueses (vikings!). E como é preciso paz para formar um país... é preciso parar os dinamarqueses (vikings!). São os filhos de Alfredo, Eduardo e Ethelfled, e seu neto, Athelstan, que finalmente criam a Inglaterra.

A capa de um junta na capa do outro!!!

É muito difícil falar sem spoilers sobre o sexto livro de uma série... O personagem principal e narrador da história é Uhtred, um saxão do norte. Quando menino, o castelo de seu pai é invadido por dinamarqueses (vikings!) e ele é sequestrado. Refém dos inimigos durante grande parte da adolescência, aprende sobre sua cultura, sua religião (Thor!), faz amigos, faz irmãos. Quando é finalmente resgatado pelos saxões e tem que decidir qual é sua lealdade.

Uhtred é um cara que você PRECISA ter como amigo. Forte, decidido, sabe lutar e é muito sarcástico. Boca grande mesmo. Não tem pra ninguém em duelo de insultos. Eu adoro o tipo e tenho muitos amigos assim. Me divirto muito com o Uhtred da série e meus Uhtreds de carne e osso! No sexto livro ele continua ótimo em tudo isso, não decepciona. Cornwell, ao que parece, é grande defensor da laicidade nos governos, e em todos os seus livros, quando a igreja tenta se intrometer na política e na guerra, muita merda acontece. Uhtred odeia isso, vejam só:
"- Tenho uma sugestão a fazer, senhor rei - eu disse, respeitosamente.
- Todas as suas sugestões são bem-vindas, senhor Uhtred.
- Acho que em vez de pão e vinho a igreja deveria servir cerveja e queijo velho, e proponho que o sermão seja no início do serviço religioso, em vez de no fim, e acho que os padres deveriam ficar nus durante a cerimônia, e...
- Silêncio! - gritou [o arcebispo] Plegmund.
- Se os seus padres vão conduzir suas guerras, senhor rei - eu disse -, então por que os seus guerreiros não podem comandar a igreja?"
Além dessas risadas, a narrativa de Cornwell é rápida e empolgante. Ele sempre escolhe um soldado para contar suas histórias, e, claro, as partes principais delas são as batalhas. Não li, até agora, nenhuma outra descrição de batalha que me empolgasse tanto quanto as do Cornwell. São perfeitas. Tem muita política e religião também, sempre sob a ótica do guerreiro (que já sabemos qual é). E em cada livro da série saxã, vamos chegando mais perto da união dos reinos e do nascimento da Inglaterra. Os livros sempre terminam com um passo a frente na história.

Estátua de Ethelfled no castelo Tamworth - espada e carinho!
Por isso, a princípio, eu fiquei um pouco chateada com o quarto livro da série, "A canção da espada", porque não é assim, não caminha. A história vai, vai, vai, acontece, batalha, vai e... parece que Uhtred, Alfredo e a Inglaterra não saíram do lugar. É que o livro todo é para apresentar a filha de Alfredo, Ethelfled, que, na época narrada, é uma mocinha romântica que foge para se casar com um inimigo de seu pai... e só isso se resolve. Hoje eu entendo a importância do livro e da Ethelfled (que é heroína de um livro histórico infanto-juvenil também), mas na época fiquei bem revoltada. Porque o quinto livro ainda não tinha saído e eu estava doida para saber o que Uhtred estava fazendo. Acho que hoje, com os lançamentos da série mais adiantados, o livro desce bem. Mas na época...

Então vejam só a Ethelfled. Casou-se com o rei da Mércia, país que mais tarde foi anexado à Inglaterra. Reinou no lugar do marido, que teve uma doença prolongada e, após a sua morte, por mais 8 anos. Foi uma grande administradora e comandante de exércitos. A rainha histórica parece forte, inteligente, decidida e carismática. A Ethelfled de Cornwell é livre, dona de si, companheira e divertida.
No quinto livro ela começa a aprontar bastante, mas aqui no sexto ela começa a brilhar. Uma heroína cornwelliana, finalmente! Estava demorando!

Batalhas, inimigos, armadilhas, política, religião, vikings, Uthred, Ethelfled e muitos passos a frente no caminhar da história! Ufa! Acho que é um dos melhores livros da série. Terminei feliz. Li em dois dias, aproveitando que o marido está de férias e acorda cedo pra ficar com o Tomás.

Um comentário:

  1. Gosto de romances históricos e, se os livro de Cornwell fossem um tantinho mais baratos com certeza já teria ele por aqui. Adorei a resenha, gosto de personagens "travessos", geralmente são os mais inteligentes e perspicazes (apesar de isso me parecer redundante).

    Em breve começo a Saga dos Plantagenetas, da (ou do) Jean Plaidy. Depois conto como foi.

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