8 de agosto de 2012

Porque era honesta, foi assassinada: um crime revoltante em Jacarepaguá

Mais um artigo não assinado da "Revista Criminal", 1927. Como o outro, eu copiei com a ortografia da época. Esse é até melhor, tem drama, tem ápice, tem desespero, tem emoção... A revista toda foi um achado, eu passava horas na biblioteca lendo.

Uma das melhores, ou piores, coisas dessa revista é uma seção com fotos de mulheres intitulada "Creadas Ladras". Está a venda no Mercado Livre, por R$ 250,00.

E a história, pessoal, é essa:

"É uma dessas creaturas que o alcool costuma transformar em trapo humano, o marinheiro, reformado, Pedro Ferreira dos Santos. Ha mezes, casara-se elle com a joven Guiomar de Oliveira e Silva, de 17 anos, brasileira, indo residir na casa dos paes della, no caminho dos Macacos numero 191, em Jacarepaguá.

"Logo depois de realizado o casamento, Pedro Oliveira da Silva e Francisca Bravessa da Silva, paes de Guiomar, comprehenderam quanto infeliz havia sido aquelle acto.

"Pedro Ferreira dos Santos era um pessimo marido. Vivia, noite e dia, pelas tabernas, a beber, em companhia de outros ebrios e, além disso, levava os seus companheiros de vicio para junto da esposa, martyrisando-a.

"Entre os companheiros de Pedro, um appareceu, certo dia, em casa do mesmo, e ali entendeu de conquistar Guiomar.

"Era elle Oscar Sant'Anna, morador á rua Odorico, também em Jacarepaguá.

"Este, ultimamente, apparecia na casa de Pedro, quando não o encontrava pelas tavernas, e, lá, deante do companheiro, fazia propostas indignas á senhora do mesmo sendo que, ha dias, a tal ponto levara o seu atravimento, que beijára Guiomar, á força, sem que o marinheiro tomasse uma atitude qualquer.

"No dia 8, á noite, Oscar, que sabia estar só em casa a esposa de Pedro, foi procural-la.

"- O Pedro não está. Póde retirar-se.

"Oscar, que estava desesperado deante da repulsa de Guiomar, mais encolerisado ainda ficou, quando esta o rellira daquelle modo rudemente franco.

"- Eu quero entrar! Abra a porta!

"E, dizendo isso, encaminhou-se para Guiomar, que se achava á janella.

"- Bebedo! Atrevido!

"Era demais! Além da indifferença, os insultos...

"E o ébrio se julgou no direito de matar a infeliz que não concordára em ser deshonesta.

"Desfechou-lhe dois tiros, do lado de fóra, e, a seguir, vendo-a tombar dentro de casa, ahi penetrou, baleando-a pela terceira vez.

"Depois, o perverso fugiu levando consigo a arma assassina.

"Guiomar, instantes depois, no proprio local em que tombára ferida expirava. E a infeliz estava gravida, ha seis mezes.

"A policia do 24o. districto, apezar das diligencias a que vem procedendo, não logrou ainda descobrir o paradeiro do assassino."


Um comentário:

  1. Trágico hein, ainda estava grávida. O interessante é ver quanto mudou a ortografia, a diferença é enorme.

    E me ficou a curiosidade: se a pobre morreu e o assassino fugiu, o diálogo foi fruto da cabeça do autor da matéria?

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