20 de agosto de 2012

As mães de "Cheias de Charme"

Todo mundo está falando que "Cheias de Charme" é a melhor novela das 7 dos últimos anos. Indiscutível! E acho que é a melhor novela das 7 que eu já assisti na vida adulta. Quando criança teve a primeira Tititi, a Mico Preto, que eu adorava, Brega & Chique (pelado, pelado, nu com a mão no bolso!)... foi a época de ouro das novelas e (talvez) não dê pra comparar.

Mas nos últimos 15 anos, é a melhor de todas as do horário. De longissíssimo. Elevado ao infinito.

Por quê? Ah, pelos pais e pelas mães, claro, pelos retratos mais realistas de família, de periferia, de relacionamentos, porque é tudo como é, ou como eu vejo que as coisas são. E a "fauna" materna é variada, assim como os filhos são. Bora lá. Eu assumi que "mãe é quem cria", então:

1. A mãe que mata um boi por dia


Penha sustenta a casa sozinha e tem que ser o coração e a autoridade na vida do filho... o marido, Sandro, não trabalha e vive na flauta, eterno adolescente, não assume o papel de pai. Ela é pai e mãe do Patrick e também da Alana e do Elano, seus irmãos.


2. A mãe de aborrecente


Lygia é advogada bem sucedida e já teve sua época de mãe batalha. Era solteira quando Samuel nasceu. Lutou muito para construir sua carreira e o filho cobra muito o tempo que não teve com ela. Samuel é o playboy sem noção da vizinhança, sempre aprontando e dando dor de cabeça pra todo mundo. E pisa no ponto fraco da mãe: a culpa. Muita gente achando que o Samuel merecia era umas boas palmadas, e ele tomou um grande susto, melhorou um tiquinho, mas continua aprontando. E a Lygia sempre correndo atrás do guri. Houve seu marido, Lygia! Deixa ele, já é maior de idade!

3. O pai que é mãe e fã


Sidney adotou Rosário quando a menina tinha 10 anos, depois da morte de seu companheiro, Edivan. Uma das maiores qualidades da novela é retratar um personagem gay sem estereótipos, bom pai, bom chefe, amigo e que vibra com o sucesso da filha sem deixar de ser seu conselheiro. Adoro!

4. A mãe amiga



Cida perdeu a mãe muito cedo e desde então foi criada por sua madrinha, Valda. Acabaram se tornando grandes amigas e sempre cuidam uma da outra.

5. A mãe atarefada


É fogo ser mãe de recém-nascido e Ariela descobriu isso! Não tem muita ajuda da própria mãe ou da irmã Isadora, o marido trabalha fora e o Bubi não pára de chorar. Ela fica perdida e ufa! Consegue uma ótima babá. É a "sarmenta" com o melhor coração e desejo muita sorte pra ela.

6. A mãe acidental


A Lygia pode ser uma das vilãs da novela, mas não é uma péssima mãe... ela está sempre presente na vida das filhas, às defende como pode e tenta aconselhar, tenta separar as brigas, tenta ajudar... mas não consegue muito. A encantadora de bebês chama de "paternidade acidental" o "método" de resolver as coisas na medida em que acontecem, sem procurar pensar e conhecer as melhores atitudes a tomar em cada caso, com cada filho. Ela ama as filhas e é próxima a elas, mas talvez só isso não baste...

7. A vó


Vó não é mãe. Vó é para mimar, paparicar, brincar, fazer bagunça. "Vó estraga, bisavó corrompe". Máslova segue bem o estereótipo da avó que enche o neto de mimos, que não mostra como é importante assumir a responsabilidade pelo que faz. Infelizmente era de uma avó bem diferente que o Conrado precisava após a morte da mãe... e de um pai mais presente e menos rígido, talvez? Não sei... às vezes os pais fazem o impossível para mostrar a vida aos filhos mas eles não aprendem nada. A criação e a família não formam 100% do caráter de ninguém...

E então? As mães da novela são ou não realistas? Umas mais, outras menos... mas todas, como personagens, foram bem construídas, com história, coerência, "rumo na vida". Fazia tempo que eu não gostava tanto de uma novela. E que venham mais! Parabéns aos autores, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, pelo ótimo trabalho!

---
Mais filhos:

- Nossa rotina de adormecer
Feijão no ouvido, giz no nariz
Meu terrível dois e o inverno
O desfralde para pães que trabalham
Aproveitando oportunidades para falar sobre o trabalho da mamãe
Livros para pães: Cultivando um leitor desde o berço, Diane Mcguinness
Pãeternagem


Um comentário:

  1. Ah, infelizmente só consigo assistir a das 8, mas todo mundo fala das "empreguetes". Eu gosto de novela, e não tenho lá vergonha de assumir isso, como muitos. Com os exageros necessários, elas mostram muito bem a realidade do nosso país, e isso é muito importante.

    Bom, apesar de não assistir, às vezes me pego cantarolando a musiquinha ;)

    ResponderExcluir