12 de dezembro de 2011

Mãe que trabalha, mãe que viaja...

Minha mãe viajava a trabalho quando eu era pequena. Ela vendia jóias na região. Era raríssimo ela não voltar no mesmo dia, mas às vezes acontecia... Eu tinha uns 6 anos e disse pra ela que não queria que ela viajasse mais.

- Mas se eu não viajar, não vamos ter dinheiro pra nada...
- O importante não é o dinheiro, mãe, é o amor!!!

Eu queria mais da minha mãe e menos de empregadas... minha mãe era muito mais legal que todas elas. Meu pai viajava desde que eu me entendia por gente, era rotina. Não que eu não sentisse falta, mas cresci com a mãe sempre ali. Pra tudo. Quando ela começou a viajar eu já estava acostumada com o cafuné dela. Não queria de mais ninguém.

E agora sou eu a mãe que está viajando toda hora a trabalho. Fico muito mais tempo fora do que minha mãe ficava. Mais noites longe. E meu filho é menor que as dela! O que pode ser bom ou ruim... Tomás já cresce acostumado com minhas faltas prolongadas, mas também sofre um pouco mais com elas, porque não entende direitinho o que acontece. Ou a gente é que é boba e acha que é mais importante do que efetivamente é.

Na mala da mamãe, sempre uma
lembrancinha de quem
ficou em casa!
Entre treinamentos e trabalho de coleta foram cinco semanas fora nos últimos três meses. O Tomás ficou desgastado nas duas viagens de novembro. Duas noites fora em cada viagem. Durante os dias ele passava bem, tranquilo, mas na minha chegada foi muita manha, reclamação e chororô. Parece que tava tirando o acumulado...

A última viagem foi semana passada, de segunda a quinta. Ele me chamava à noite. Rodrigo fez malabarismo pra distrair o biscoitim. Quando voltei foi mais tranquilo, choro mesmo só na hora de dormir. Queria mais mãe! Dormiu agarrado no meu braço. Culpa, culpa, culpa!

Mas quem fica mais quebrado, mesmo, é o marido. Toma conta de tudo, dorme mal e acorda cedo pra pegar no pesado.

Muita mãe passa pelo mesmo, claro! A Lu Musa conta da parte boa, relaxar um pouco, dormir aquele sono  de 7 horas seguidas, assistir seriado policial cheio de sangue às 7 da noite. E a Carol aconselha a não deixar o vínculo afrouxar. Arranjar um jeito de se comunicar à distância, de dizer que está perto, mesmo longe, e volta já já... O Tomás ainda não entende telefone muito bem, mas dou boa noite, beijinho, digo que estou com saudades. E ouço a voz dele!

Não tem outro jeito então vamos nos virando. Eu aproveito muito meu tempo livre, assim esqueço um pouco a culpa. E o Tomás vai aprendendo que a mãe vai, mas sempre volta, sempre cheia de carinhos e brincadeiras novas. E um ou outro presentinho, só de vez em quando, pra não estragar o guri.

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Mais pãeternagem:

Pãeternagem
Mãe que trabalha, mãe que viaja
Pro seu filho comer de tudo, siga minha intuição

- Em frente à nossa casa tem... a caixa de correio!

2 comentários:

  1. Eu sou a que fica ado o outré pãe viaja. Acho que vou comprar um motohome pra acabar com esse problema. Viaja assim logo a família toda e o bebê e ninguém sofre. Ah, é, e uma babá tb, que é pra gente dormir 7hs seguidas.

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  2. Eu morro de vontade de catar o marido e o filho e levar junto nas viagens...

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