15 de dezembro de 2011

Blog de quinta: Quadrinhofilia, José Aguiar

Esse menino é uma simpatia de criatura. Quando morei em Curitiba colecionei os Almanaques Entropya, coletânea de quadrinhos organizados pelo RHS, que sumiu da internet, acho, porque não achei mais nenhum site dele. E as histórias do Aguiar eram as melhores de toda a revistinha. Empatando com o Luciano Lagares, que é fodíssimo, ducarai, maravilhoso na ilustração, mais poético, mais onírico. O Aguiar é mais realista, mais "vida da gente", sei lá. São diferentes e ambos são bons. Aí encontrei o piá na rua. E chamei. Ele foi super querido. Comentei que gostava muito das tirinhas "Coisas de Adornar Parede". É sobre coisas que ficam nas paredes... como lagartixas. E ele disse que também gostava, tiriri, tororó, me deu o cartão e fim. Nunca mais procurei saber dele, mas seguia as tirinhas na Gazeta do Povo. Até que o Noah mandou o link do lançamento da Vigor Mortis Comics. Aí descobri que ele tem blog. E muito mais publicações do que eu imaginava.


Entrou pra coluna nos últimos segundos, que só hoje fui ler que ele ilustrou a versão em quadrinhos de Dom Casmurro. Que trabalhão, hein? Mais uma ajudinha pra tentar entender o que são os tais olhos de ressaca da Capitu. Que não saíram facinho não:
"Um dos grandes desafios de Dom Casmurro não foi nos mantermos fiéis ao texto original, coisa que Srbeck fez com esmero ao escolher o que manter  do texto de Machado de Assis. Para mim o desafio foi achar a face de Capitu, seus famosos “olhos de ressaca”. Espero ter conseguido vencer esse desafio de maneira a fazer você leitor, acreditar em tudo o que o personagem Bentinho nos narra ao longo das 78 páginas da HQ."
E aí, sentiu a ressaca?
Eu pessoalmente gosto muito de versões em quadrinhos pra livros... Dom Casmurro é delicioso, não precisa de "facilitador", mas O Hobbit, por exemplo, eu só consegui ler em quadrinhos... mesmo sendo menos narrativo que SdA, eu não consegui passar das primeiras páginas do romance. Ah, não é pela "facilitação" que eu acho legal, é pela diferença de mídia mesmo, como adaptar pro cinema. É uma obra de arte nova em folha. Diversão!

Outro quadrinho legal dele no Entropya era um com desenhos de objetos que fizeram parte da vida dele e do irmão... agora não tá aqui pra eu dar uma olhada no título, mas ele fez outro parecido sobre ser pai, para o evento Partejar. Roubei um pedacinho. Vejam tudo no blog, claro:


No blog tem os quadrinhos que ele publica na Gazeta do Povo, "Nada com coisa alguma" e "Folheteen" resenhas de seus trabalhos, como essa do Lielson, meu coleguinha de RPG e inimigo de nascimento, que calhou de nascer nesse buraco chamado Beltrão, mas é gente boa. E também as tirinhas da Pensão João:


Também tem essa entrevista pro site da livraria Itiban. Ele conta que pode sair um álbum do "Coisas de adornar parede", talvez, quem sabe, um dia, né? Eu espero... desde 2003! Sem pressão, tá?
"Outros roteiros encaminhados são a adaptação de outra tira minha, “Pensão João”, para o formato de álbum e também “Coisas de Adornar Paredes”, reunindo contos de realismo fantástico, em que os personagens são coisas que, como direi… estão em nossas paredes."
Outro trabalho do José é a ilustração pro "Caligari: do cinema aos quadrinhos" gratuito, basta solicitar. O meu já chegou e estou lendo bem agora. Agorinha. 

E é isso. Blog de quadrinhista é complicado de resenhar, porque a gente quer mais é copiar todos os desenhos e enfiar aqui... os textos não são o foco. Mas acho que ficou legal. Eu quero ter sempre um ilustrador/quadrinhista/cartunista/desenhista no blog de quinta, que eu amo muito tudo isso de arte em papel. Já sonhei, dormindo e em tons de azul, que eu tinha uma editora independente de quadrinhos em Curitiba, na época mais ou menos em que topei com o senhorito na rua. Não embarquei no sonho que eu sou preguiçosa. Mas to ajudando agora, que ele nem precisa... um pinguinho num oceano de elogios. Sucesso, Zé!

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