31 de outubro de 2012

Maus, Art Spiegelman

Hoje vou juntar dois memes num post só. A pergunta de hoje do MLd1M, do Happy Batatinha, é:


Qual o livro que você leu esse ano que mais gostou? Fale sobre ele.

Eu já sabia que seria o Maus, do Art Spiegelman, antes de começar a ler. Quando comprei, em dezembro do ano passado, eu já sabia. Guardei pra ler esse mês, pra casar com o tema do Desafio Literário, e não me decepcionei, gostei muito. Mas, ao mesmo tempo, nunca me senti assim em relação a um livro: não sei dizer o que eu sinto!

  

Mais gente, pelo jeito, ficou no impasse, como eu. "Maus" ganhou o Pulitzer em uma categoria especialmente criada para ele, pois o comitê de premiação não sabia se o incluía em ficção ou em biografia... e eu me senti assim também. "Maus" é inclassificável tanto quanto é bom. Bom pra carvalho.


É o quinto livro do tema "graphic novel" e vigésimo primeiro do ano do Desafio Literário 2012. A edição é da Quadrinhos na Cia, 2009. Comprei junto com o "Gen: Pés descalços", ano passado. Aproveitei o desafio pra comprar dois livros que queria ler há muito tempo.

É a história impressionante dos pais do Art, Vladek e Anja, sobreviventes do holocausto. Traz detalhes que eu não vi, ainda, em outra história sobre esse período. Assustador, triste, forte, importante, necessário, incrível. O fato da história ter sido contada em quadrinhos não ameniza ou agiliza a leitura... foi a primeira HQ que eu li devagar na minha vida.

"Meu pai sangra história"
título de uma parte

A suástica.
Art escreveu e desenhou a história a partir de entrevistas que gravou com seu pai. Vladek contou tudo, sem minimizar nenhum detalhe. Em "Maus" a gente acompanha também os dias das entrevistas a vida de Vladek, já bastante idoso e um pouco doente, e de Art nos Estados Unidos. É uma relação de pai e filho bem comum, com problemas e divergências. Às vezes a gente fica com raiva do Art por ser tão rude com um senhor que já sofreu tanto. Mas quem nunca foi rude com os pais? A gente tem que lembrar que, antes de ser judeu, sobrevivente, lutador, para Art, Vladek é seu pai.





Tudo é triste, inclusive o "final feliz", que não é tão feliz. O holocausto deixou marcas fundas em todos os sobreviventes. Vladek e Anja tiveram um filho antes do Holocausto, Richieu.


A preocupação com as crianças era constante... como cuidar dos mais frágeis na guerra?



Acho que a parte mais difícil, importante e inacreditável do livro é a quantidade imensa de pessoas que vão morrendo... alguns tem nome, história, outros são anônimos. Alguns tentam sobreviver e outros se entregam, não faz diferença... como nessa parte da história, em que Art conversa com seu psicólogo sobre seu pai. Então:


"Você admira seu pai por ter sobrevivido?"
"Claro. Sei que ele teve sorte, mas tinha uma cabeça incrivelmente alerta e inventiva..."
"Então considera admirável sobreviver. Então, não sobreviver não é admirável?"
"A-acho que estou entendendo. Se vida significa vitória, morte significa derrota."
"É. A vida toma o partido da vida, e as vítimas levam a culpa. Mas não foram os melhores que sobreviveram ou morreram. Foi aleatório! - suspiro - Não estou falado do Maus, mas pense em todos os livros escritos sobre o Holocausto. E daí? As pessoas não mudaram. Talvez precisem de um novo Holocausto, maior ainda "
Qualquer um poderia morrer a qualquer momento. Vladek esteve duas ou três vezes na mira da arma de guardas que matavam por puro prazer e se safou com subornos ou distrações. Foi espancado, passou fome, teve febre tifoide, trabalhou duro, chorou, sofreu, se escondeu quando conseguia. E sobreviveu, mas muitas pessoas que fizeram o mesmo morreram. Muitas.

É uma lição para a humanidade, que ainda não aprendemos... muitas pessoas estão morrendo hoje, em conflitos na África. A gente sabe, lê as notícias, mas estamos impotentes...

Aliás, esse sentimento de impotência frente ao sofrimento dos outros tem andado comigo... e volta e meia ele cala fundo e me deixa triste... eu tento esquecer dele um pouco e tentar fazer alguma coisa boa para alguém, mesmo que seja aqui, em Pato Branco, onde (acredito) ninguém sofra no nível que o Vladek sofreu. Mas também, não podemos medir sofrimentos. Nenhuma tragédia é pior do que a outra.

Acho. Não sei. Dúvida é tudo o que fica quando a gente termina o livro.

Por quê? Como foi possível? E ninguém fez nada? Como deixaram? Como "nós" deixamos? Como tem gente que diz que tudo isso foi mentira? E como tem gente que acredita? Como evitar que aconteça de novo?

Não sei!!!

Cinco estrelinhas e menção honrosa. Em cinco.

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Mais HQs aqui.

O Meme Literário de Um Mês 2012 é proposto pelo blog Happy Batatinha. Veja lá as regras e as perguntas para o mês inteiro.

Vocês que estão vindo de lá, se quiserem conhecer melhor a quitanda, tenho resenhas de livros para público adulto e infantil.

Aqui, as outras respostas do MLd1M 2012.

E aqui, as minhas respostas do MLd1M 2011.


30 de outubro de 2012

MLd1M - Qual o livro que você leu esse ano que menos gostou?

Dia 30! E a pergunta é...



Qual o livro que você leu esse ano que menos gostou? Fale sobre ele.

Que eu tenha lido até o fim? Pra ver como eu não tenho "zona de conforto" me aventurei a ler uma adaptação para literatura de um roteiro de cinema. "Nell", porque gostei do filme. Foi péssimo, mas cheguei ao fim. Outros livros não consegui ir tão longe...

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Meus vilões preferidos são: 52x5 44a. semana

1. O trio tempestade de "Aventureiros do Bairro Proibido"


2. Pink e Cérebro


3. Marvin, o Marciano



4. Os ets de "Marte Ataca!"


5. Mickey & Mallory Knox


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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:

29 de outubro de 2012

MLd1M - Qual foi o último livro que você comprou?


Dia 29! E a pergunta é...



Qual foi o último livro que você comprou? Fale sobre ele.


As 14 pérolas da sabedoria Judaica,
Ilan Brenmam

Mês passado li "Contos e lendas orientais", do Malba Tahan, para o mês da mitologia universal do Desafio Literário. As histórias que eu mais gostei tinham origem judaica ou israelita. Então quando vi esse livro, baratinho, na semana da criança da Livraria Travessa, comprei correndo. Vieram alguns para o Tomás também, claro!

Ah, já li, bem legais os contos. Alguns já são conhecidos e eu não sabia que eram judaicos! Vale a pena!

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28 de outubro de 2012

MLD1M - 5 livros que estão na tua pilha de “vou ler”.

Dia 28! E a pergunta é...



5 livros que estão na tua pilha de “vou ler”.


- A feiticeira de Florença, Salman Rushdie
- De bar em bar, Judith Rossner
- Os pequenos homens livres, Terry Pratchett
- Dia de matar homem, Sergio Faraco
- Chamado Selvagem, Jack London (tradução da Clarice Linspector!)

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27 de outubro de 2012

MLd1M - Cite um livro que você gostaria de ler mas que por algum motivo nunca leu.

Dia 27! E a pergunta é...



Cite um livro que você gostaria de ler mas que por algum motivo nunca leu. Por quê?

Adorei os primeiros livros da série-antes-das-séries-virarem-moda "O tempo e o vento", do Érico Veríssimo, mas parei no último volume de "O retrato", que é só o começo. São livros bem fáceis de encontrar, mas não fui mais atrás. Por quê? Não sei... porque fiquei com preguiça, porque quero ler outras coisas, porque comprei outras coisas... quero ler ainda e talvez eu comece desde o começo, porque os primeiros livros são maravilhosos, adoro das mulheres fortes do Érico.



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Gen Pés Descalços, volume 1, Keiji Nakazawa


Li "Gen: pés descalços" ainda em 2012, para o Desafio Literário 2012. A resenha só está saindo agora, porque ficou um ano congelada esperando as fotos do livro!!! Se procrastinação matasse... larguei de tirar fotos e vai a resenha com poucas imagens.

Enfim. A edição é da Conrad, 2011. Comprei no Submarino em 2011 ainda, logo que saíram os temas do DL 2012 e vi que tinha HQ em um mês e escritor oriental em outro... é um livro que pode servir pra dois meses e eu já queria comprar a muito tempo.

HQs são meios incríveis de se contar biografias e memórias. As imagens tornam tudo muito próximo de  nós, somos mais empáticos a personagens que tem um rosto, uma família, uma casa, uma rua, vizinhos... Na introdução de Gen, Art Spiegelman tenta uma teoria sobre isso:
"Os quadrinhos são um meio de expressão de conteúdo muito concentrado, que transmite informações em poucas palavras e imagens-código simplificadas. Parece-me que esse é o modo pelo qual o cérebro humano formula pensamentos e lembranças. Pensamos em desenhos. Os quadrinhos têm demonstrado sua habilidade em contar histórias de aventuras e ação ou humor. Mas a pequena escala das imagens e a franqueza desse meio, que tem algo em comum com a escrita, permitem aos quadrinhos um tipo de intimidade que também os torna surpreendentemente adequados à autobiografia".
Não é à toa, então, que os graphic novels mais aplaudidos sejam biografias ou memórias. Persépólis da Marjane Satrapi, Maus do Art Spiegelman, Gen, Ao Coração da Tempestade do Eisner e quase tudo do  Joe Sacco, do Robert Crumb... Outros quadrinhos muito legais não são biografias, mas são geralmente centradas em um personagem e contam sua vida. Porque os quadrinhos facilitam a empatia e nos colocamos mais facilmente no lugar do protagonista. Do herói. Quadrinhos são a mídia perfeita para o mito do herói.

Eu acho.

Keiji Nakazawa
Gen é um mangá. Eu tinha um pouco de preconceito com mangá, até ler "Na prisão" do Kazuichi Hanawa (memórias!) e entender que mangá é só quadrinho de trás pra frente. Acostumando com o modo de ler e com as expressões estranhas e exageradas dos personagens a leitura flui tranquilamente.

Gen Pés Descalços traz a história de um menino, Gen, sobrevivente de Hiroshima. A história é baseada na vida do próprio Keiji. No primeiro volume, "O nascimento de Gen, o trigo verde", conhecemos sua família, grande, cinco filhos, pai e a mãe, esperando o sexto filho. Quem já leu histórias de guerra (a minha primeira foi "Éramos seis", Maria José Dupré, da Coleção Vagalume) está familiarizado com algumas situações, como a escassez de comida, o militarismo obrigatório, a paranoia que toma conta de todo mundo e torna a relação com os vizinhos complicada. No caso da família de Gen é pior ainda, pois o pai dele, o sr. Nakaoka, é contra a guerra e faz questão de expressar sua opinião. A família começa a ser tratada por "antipatriota" e a sofrer também por conta disso. Muito poucos vizinhos os ajudam... e a família que tem que viver com o que consegue.

[A partir daqui, ATENÇÃO! Eu conto algumas coisas mas sobre a Segunda Guerra Mundial que quem ainda não conhece ou estudou pode considerar spoiler do livro.]

Uma das partes mais tocantes é quando o irmão mais velho de Gen, Kouji, resolve se alistar aos 17 anos, antes da idade obrigatória. Pai e filho tem uma discussão séria. As partes que narram o treinamento de Kouji no exército fazem a gente pensar que não importa o país ou a ideologia... muita coisa é igual. Quem assistiu "Nascido para matar" (Full Metal Jacket) ou a série "Banda of Brothers" vai perceber que em todo mundo é a mesma coisa: um desprezo nojento pelo recruta, pelo soldado raso, a hierarquia idiota, que não é baseada em talento ou experiência, mas em posição social. Uma das partes mais interessantes é quando Kouji, ao se alistar, conhece pilotos kamikazes.

As partes mais tristes da guerra são contadas sem rodeios, como o suicídio de mulheres e estudantes quando as tropas de suas cidades são vencidas, com medo dos americanos ou em honra ao imperador. O bombardeio atômico também é retratado, como todo o horror que a gente imagina que seja... mas eu não tenho coragem de ver aquelas imagens de novo, assim como não gosto de ver fotos e imagens de qualquer guerra. Como a família de Gen é atingida, é como se nós estivéssemos lá, sofrendo com ele. Muito difícil reler esse trecho...

Os primeiros quatro volumes
da série

É uma grande e triste história, contada de forma simples pelos olhos de um menino. Eu me sinto um pouco culpada por gostar do livro, por tratar dele como um produto pop. A gente se sente estranho lendo tanta tragédia. É como se a gente não devesse estar ali. É um pouco constrangedor, como se estivéssemos cutucando feridas ou como essas aglomerações que se juntam pra ver os acidentes de trânsito... é estranho. Mas é necessário, pela importância histórica do que o Keiji Nakazawa e muitas outras pessoas presenciaram, e ainda presenciam, nos momentos de guerra.

Guerra não, gente, guerra não... Nenhuma guerra vale a vida de alguém...

Cinco estrelinhas. Em cinco.
(já li também o volume 2 e é tão bom quanto o primeiro... valem cada centavo e minuto que você tiver disponível!)

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Mais HQs aqui.

26 de outubro de 2012

MLd1M - Fale de alguns hábitos literários seus.


Dia 26! E a pergunta é...



Fale de alguns hábitos literários seus.

- Quando leio o resto do mundo se apaga, some, não existe. Sou só eu e o livro. E isso até tem nome, é bibliobulia!

- Ainda dentro da "bibliobulia", minha gula por livros me faz comprar mais do que leio. Não resisto a um livro barato! Compro 6 ou 7 livros todo mês, somando os meus e os do Tomás (que eu também adoro, sou fascinada por literatura infantil)

- Não me importo com o estado do livro, desde que esteja inteiro. Acostumei com livro usadinhos emprestando de bibliotecas públicas, e acabei achando um livro "vivido" até mais bonito que um livro novinho.

- Tenho que fazer alguma coisa com as mãos enquanto leio. Quando eu era mais nova, dobrava os próprios livros, mas isso os estragava, claro. Então comecei a mexer no meu cabelo, na minha roupa, fico mordendo ou dobrando o marcador... "só ler" é impossível pra mim.

- Tenho coleção de marcadores, mas nem sempre tenho vontade de levantar pra pegar um. Aí qualquer coisas serve, cupom fiscal, bilhete, cartão de dentista, qualquer coisa plana.

- Fico estressada se termina um fim de semana e não consegui ler nada.

- Tenho livros por todo lado, livros que eu vou ler, que eu já li, que quero resenhar, livros do Leitura sem Fronteiras... devo ter um livro dentro do meu campo de visão em todo lugar da minha casa.

- Faço amigos através da leitura e preservo amigos através da leitura.

- Leio praticamente toda noite com meu filho, a não ser que eu esteja doente ou muito cansada.

- Adoro fazer ex-libris, pra mim e para os outros! Se você quiser ajuda, é só falar!

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43a. das 52 semanas de bibliofilia!

Mês dos quadrinhos do ano e eu estou lendo a série Y: o último homem. Muito legal. Todos os machos da Terra morrem devido a uma praga desconhecida, menos Yorick e seu macaquinho. E a mulherada começa a se virar em um mundo pós-apocalíptico, afinal, foi o fim do mundo para todos os homens...

E uma parte fofa da história e que me aproximou muito do quadrinho foi essa:


Néam? Poxa, o Blur!!! Tudo morto! Snif snif...


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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".
Outras fotos do meme 52 semanas aqui.

Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha
Fila de livros não lidos
Os 7 pecados da leitura

25 de outubro de 2012

MLd1M - Cite um livro que você achou que iria gostar e acabou não gostando


Dia 25! E a pergunta é...



Cite um livro que você achou que iria gostar e acabou não gostando. Fale sobre ele.

Eu não gostei de alguns livros, esse ano foi meio fraco em "amores absolutos", mas a maior decepção, mesmo, já falei no meme. Foi "Deuses Americanos" do Neil Gaiman. Triste. Achei fraquíssimo.

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Duna e Talia, final: O viajante e o embaixador

"Duna e Talia" é uma historia inventada a muitas "mãos". Ela aconteceu em umas três ou quatro sessões de RPG em 2002 ou 2003. Eu era a Talia, uma atriz e dançarina famosa, bonita e esperta. Duna e Sagan foram "nascidos e vividos" por dois amigos meus, o Tiago e o Jorge. O mundo, "Fasantia", e a estrutura do enredo foram criados pelo nosso narrador, o Eduardo.

DUNA E TALIA

Parte 6: O viajante e o embaixador

(criada por Eduardo, Sharon, Tiago e Jorge)

Na primeira parte da história, Talia ajuda dois rapazes a encontrarem um trabalho de resgate de mercadorias roubadas e resolve tentar a empreitada também. Leia aqui.

Na segunda parte, ela consegue se unir ao grupo, que talvez tenha 
encontrado os bandidos, em uma aldeia de pescadores. Leia aqui.

Na terceira parte Duna, Talia e Sagan recuperam os ricos panos
e começam a viagem de regresso. Leia aqui.

Na quarta parte, slurps, monstros sugadores de entranhas,
atacam o grupo. Leia aqui.

Na quinta parte, os amigos se conhecem melhor, e desconfiam
das roupas do líder do bandido. Leia aqui.

Quando Talia acordou, já era hora do almoço. Não encontrou nenhum dos seus novos amigos na taverna. Almoçou com Eli, a segunda bailarina e coreógrafa do grupo, que a chamou para criarem uma peça especial, em homenagem a alguns burgueses galandrianos que estavam de passagem pela cidade. Talia também conversou com a costureira, mostrando o pano de rosas e ouro e encomendando um vestido novo. E nada dos dois quando abriram as portas para os trabalhos da noite.

O embaixador Belardo chegou com a comitiva de galandrianos ela os recebeu, como de costume. Como de costume, o embaixador foi muito gentil com ela, sempre interessado no que ela fazia:

- Senhorita Talia, está magnífica essa noite... alguma novidade?
- Não senhor, nada que interessaria... - Talia achava que a aventura do dia anterior era novidade mais do que suficiente, mas claro que ela não iria falar de slurps para o embaixador.
- Ah, sim, um novo vestido talvez? Um perfume?
- É... estou fazendo um novo vestido com um lindo tecido do senhor Tremelassé... com desenho de rosas e folhas de ouro.
- Parece bonito... e a dança de hoje? 
- Planejamos um número especial para o senhor e seus convidados! Espero que gostem! Aliás, está na hora, com licença...

O espetáculo começou. Na metade da dança, Talia desistiu de buscar os olhares do embaixador, que não reparava nela mais do que nas outras dançarinas. Foi quando percebeu um jovem diferente na platéia. Lembrava um pouco Duna, mas estava com o cabelo cortado, barbeado e usava um rico casaco de peles. Aquela personagem a interessou muito, e depois da pirueta, do salto, da ponta e da volta, chamou outra dançarina: 

- Você conheceu o Duna, Lina??? - pirueta, salto, ponta, volta.
- Aquele seu amigo aventureiro? - pirueta, ponta, ponta, volta e meia.
- É! Não é ele ali, de casaco de peles??? - ponta, volta, pirueta, volta.
- Nãããão... imagina... aquele alí deve ser algum nobre estrangeiro...

A peça termina meia hora depois, e Talia troca-se rapidamente para conhecer o estranho antes dele ir embora. A novidade a tinha feito esquecer o embaixador por um tempo. Duna disse-lhe ter muitos irmãos, e este homem pode ser um deles...Talia chama o garçom:

- Ei, Jonir! É você que está atendendo aquele senhor com as peles???
- Sim... estranho ele...  Pediu somente uma cerveja, e agora vou levar um filé para ele. Você o conhece?
- Não sei... mas ele é muito parecido com um amigo meu...
- Quer que eu mande algum recado?
- Pergunte a ele se ele conhece o Vagante das Dunas...
- Mas esse é o nome dele, Talia... Ele é esse tal de Vagante...
- Sério? - Talia dá risada - O Duna, todo empolado, organizado, galante!
- Então você conhece ele?
- É conheço! É meu amigo, conheci ontem. - "mas parece que faz mais tempo", ela pensou.

"Nossa, nem acredito." Talia dirige-se à mesa de Duna, pelas costas dele. "Onde ele arrumou esse casaco? Parece tão caro! Será que gastou todas as fortunas que achamos?" Mas no caminho é interrompida por um funcionário da embaixada:

- O embaixador Beraldo a convida para jantar com ele, senhorita Talia.
- Claro! Eu... - era tudo o que ela queria, jantar com o embaixador! Tão bonito... mas a curiosidade sobre o que Duna e Sagan haviam descoberto na embaixada, somada a essa nova figura que o amigo estava apresentando, a puxava para outro lado. - Diga que eu já vou, sim? É rápido! O tempo dele tomar uma taça de vinho!
- Imediatamente, senhorita.

Talia chegou por trás de Duna e o surpreendeu:

- Esperando a namorada, senhor Vagante das Dunas?
- Er... - ele se vira e a reconhece - Talia! Olá! É, de certa forma, estou esperando a namorada, sim...
- É mesmo? Posso me sentar enquanto ela não chega?
- Claro! - Talia mediu a mesa do embaixador e sentou de forma que ficasse fora do campo de visão dele, escondida pelas outras pessoas.
- Então... gostou da dança? 
- Foi muito estimulante! A senhorita dança tão lindamente quanto atira facas, devo dizer! Estou encantado!
- Obrigada! E você hein? Todo elegante! Essa pele!
- É de um leopardo do deserto que eu cacei na minha terra! Minha mãe ficou muito orgulhosa e bordou com esse fios de ouro! É um objeto de estimação que trago com muito orgulho!
- Nossa, que história bonita! - Talia pensou: "como eu não pensei nisso? claro que deveria ser alguma coisa assim... bruta... mas emocionante, também!". - E está intacta! Mas como foi lá na embaixada hoje? - ela tinha que tirar todas as dúvidas logo, antes de jantar com o embaixador. Olhou na direção dele. Ele não parecia ter visto que ela conversava com Duna. 
- Bom, o cara desconversou muito... disse que o rapaz que pegamos havia se rebelado e estava sendo procurado. Olhe - mostrou para ela um anúncio de "procurado" com o desenho do líder, oferecendo uma boa recompensa. - Acho que o Tremelassé reconheceu o cara, por isso queria ele inteiro. Maldito costureiro! Nos passou a perna!
- Então, não falei? Tinha uma boa explicação pra isso tudo... - "que alívio", ela pensou.
- Ah, não estou satisfeito, não, ainda me parece muito estranho.
- Relaxa, Duna... deve ser isso mesmo. O cara desertou, foi roubar os panos e pronto.
- Sem tirar a farda? Talia... você parece mais inteligente do que isso.
- Ah, homem não pensa em roupas, Duna! Então está bem! Vou deixar você esperar sua namorada! - Talia ia levantando, pois o embaixador já havia tomado uma taça de vinho - Conversamos amanhã!
- Talia! - Duna levantou com ela - Eu gostaria mesmo de te falar o que me incomoda nesse embaixador!
Talia ficou dividida. Não sentou, mas parou para ouvir.
- Sente-se, por favor... 
- Está bem. Mas fale rápido, que eu tenho um convite para jantar...
- Com ele não é? Ah, Talia, esse cara fede! Não gostei nada da forma como ele conversou conosco hoje! Está tudo perfeito demais nessa história, não estou gostando... eu ainda não sei o que é, mas não pode ser só isso! Veja bem, o rapaz estava todo paramentado... se ele tivesse desertado, tiraria o uniforme! Porque ele manteria o brasão de um país que renegou? 
- É, é estranho mesmo... - Talia começou a ficar interessada na conversa de Duna.
- Eu acho que foi tudo armado, sabe? Esse roubo, o lugar onde eles se esconderam, esses comparsas praticamente inúteis, nenhuma guarda na vila... foi fácil demais nosso ataque. É como se eles quisessem que a gente os pegasse! - Talia estava enredada nos argumentos do amigo... intrigas sempre eram muito sedutoras...
- Mas por quê? 
- Pra causar estremecimentos entre Galandria e Turlan! 
- Sim, mas Berlando... mas o embaixador estava procurando o cara! Ele não pode estar envolvido... o rapaz pode ter desertado a mando de alguém, e essa mesma pessoa que pagou as fortunas para eles... 
- É, pode ser, mas não confio nesse embaixador. Ele não olha nos olhos da gente, ele não fala com convicção. - e Duna imitou a entonação entediada do embaixador:  - "Senhores, vejo que estão com o uniforme do desertor... muito bem! Onde está o homem? Ah, virou um bandido de estradas, atacante de cargas? Que original, não é? Bem, pelas roupas não temos recompensa, mas se os senhores conseguirem o patife, bla bla bla". Não confio em um homem sem sangue nas veias e na voz.

Talia estava rindo, a imitação era perfeita. Não tinha reparado como a conversa do embaixador era educada, mas sem emoção. O convite dele parecia menos romântico, agora. Pareceu um pouco falso  e comercial demais também. 

- É, você tem razão, Duna, ele é meio apático mesmo, polido demais...
- Duvido que já tenha matado um slurp, como você faz.
- Será que ele não sabe lutar? Bom, eu nunca o vi metido em brigas... sempre olhando tudo à distância...
- Porque não tem sangue, não tem energia... como você tem. - agora Talia enrubesceu, Duna estava olhando diretamente nos olhos dela, e continuou, sem desviar o olhar:
- Esses tipos burgueses, nobres, como esse embaixador aí, só possuem qualidades estéticas... 
- Com assim, estéticas?
- É como um manto de seda. É bonito, fino, brilhante. Mas se você quiser usar para te proteger do frio ou da chuva, não serve, e até estraga. Não é como um bom casaco de lã ou couro. Podem ser rústicos, mas estão sempre lá pra te proteger você quando precisa... - Talia ficou por um tempo sem fala, mas acabou retrucando:
- Mas e quem disse que eu preciso de proteção? Imagina só!
- Ah é? Então vai lá, janta com ele. E se prepara para protegê-lo, porque ele parece precisar... - Talia pensou e olhou para a outra mesa. O jantar já estava servido e o embaixador conversava com a comitiva, sem parecer se importar pela falta dela. 
- Ah, na verdade, já perdi a vontade de jantar com ele... só me escuta a respeito de tecidos e flores e danças...
- Deve achar que as mulheres não tem outros interesses...
- E você pensa diferente?
- Meu pai tem uma família grande, várias esposas. Tenho também muitas irmãs, além de irmãos... no deserto a vida é difícil, precisamos de todos os braços, sejam de homens ou mulheres. Minha mãe também tratava de feridos, e eu a ajudava quando menino, até que meu pai me achou grande o suficiente para treinar para a guerras... - e Talia se deixou ficar, ouvindo as histórias de Duna sobre o deserto, sua família, a caçada ao leopardo, quando ele era pouco mais do que um menino... e na terceira ou quarta cerveja percebeu que não havia namorada nenhuma, Duna estava ali por sua causa mesmo. E ela também resolveu ficar ali... por causa dele.

Fim.

24 de outubro de 2012

MLd1M - Cite um livro que você achou que não iria gostar e acabou adorando

Dia 24! E a pergunta é...



Cite um livro que você achou que não iria gostar e acabou adorando. Fale sobre ele.

Ano passado eu respondi sem pensar, porque "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios" veio despretensioso às minhas mãos e foi uma surpresa imensa. Esse ano, não tive nenhuma surpresa assim. Eu já imaginava mais ou menos como os livros eram, então, não me surpreendi, mas talvez um tenha superado as expectativas, porque eu esperava um pouquinho menos... foi a coletânea "Os melhores contos de faroeste", que resenhei em julho.



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E aqui, as minhas respostas do MLd1M 2011.

A viúva do inverno, Brian Wood e Leandro Fernandez

Terceiro livro do tema "graphic novel" e décimo nono do ano do Desafio Literário 2012. A edição é da Panini/Vertigo, 2012. 191 p. Comprei na banca, como deve de ser... rerere.

A história foi lançada em fascículos de banca e depois reunida num volume único. Como é um conto completo, acho que podemos entender como "graphic novel". Faz parte da série "Vikings" e fala da vida nas terras geladas do extremo norte do planeta.



Cliquem nas imagens para vê-las em tamanho maior.


Uma pequena vila é atingida pela peste, em 1020 d.C. O conselho decide fechar os portões à quaisquer viajantes enquanto a peste ainda existir, o que pode durar todo o inverno que está começando. Os doentes são expulsos e somente as pessoas saudáveis permanecem do lado de dentro. A mesma solução foi usada em "Mundo sem fim", do Ken Follet, e faz sentido isolar os doentes. Mas no Follet, pelo menos, eles vão para um hospital, não são largados na neve de qualquer jeito... o que é horrível de se ver:



Uma das pessoas que morre em decorrência da peste é o marido de Hilda. Ela e a filha, Karin, cuidam dele até sua morte. Hilda então fica desesperada e, crendo nas teorias de contágio do médico da cidade, tenta se contaminar e a sua filha. É um momento de desespero comovente.



Mas elas não são atingidas pela doença. Ficam, então, sozinhas, tendo que lidar com os problemas da escassez de alimento que o inverno trás, sem proteção masculina. Não que essa proteção seja essencial sempre, mas na época, quem não tinha marido ou pai, praticamente não tinha direitos. E elas sentem isso na pele. Para piorar um pouco as coisas, Gumborg, o chefe do exército local começa a extorquir os habitantes em troca de proteção, transporte... na verdade, em troca de deixar os habitantes da cidade em paz.





Gumborg e seu grupo se posicionam contra todas as medidas paliativas e conciliadoras propostas por Bóris, uma mistura de médico, cientista, filósofo, estudioso e político sensato do lugar. E as coisas ficam bem feias quando o ancião da cidade morre.

É uma história de luta, coragem e também de injustiça e corrupção. Lembra o tempo todo o filme "Dogville", do Lars von Trier, pela neve, claro, e também pelo desalento de Hilda.

Gostei muito! E vou ficar atenta para ler a continuação da série.

Cinco estrelinhas. Em cinco.

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Mais HQs aqui.

23 de outubro de 2012

MLd1M - Com que frequência você lê fora de sua zona de conforto?


Dia 23! E a pergunta é...


Com que frequência você lê fora de sua zona de conforto? Você costuma abrir os horizontes para novos escritores, gêneros, países quando o assunto é leitura ou você lê sempre o mesmo dos mesmos?

Acho que eu não tenho uma "zona de conforto". Leio de tudo. Dou muita chance para os best sellers, sempre confiro como estão escritos antes de descartar a leitura. Leio infanto juvenil, YA, romance cabeça, estrangeiros, brasileiros, de tudo. Procuro inclusive ler o que ainda não li, às vezes deixando uma autor conhecido de lado para ler um desconhecido.

Me inscrevi no book tour do Luciano para experimentar, por exemplo, poesia russa!

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O Meme Literário de Um Mês 2012 é proposto pelo blog Happy Batatinha. Veja lá as regras e as perguntas para o mês inteiro.

Vocês que estão vindo de lá, se quiserem conhecer melhor a quitanda, tenho resenhas de livros para público adulto e infantil.

Aqui, as outras respostas do MLd1M 2012.

E aqui, as minhas respostas do MLd1M 2011.

Músicas que eu não canso de ouvir: 52x5 43a. semana

1. "End of century", Blur


2. "Everybody's happy nowadays", Buzzcocks


3. "Thunderstruck", AC/DC


4. "Mother's little helper", Rolling Stones


5. "Private Idaho", B-52's



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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:

Outros posts do 52 x 5
Cinco fatos sobre a Sharon
Resoluções sharísticas
O que a gente aprende quando nosso pai está longe da gente
Eu política

22 de outubro de 2012

MLd1M - Cite 3 escritores que você gosta.

Dia 22! E a pergunta é...


Cite 3 escritores que você gosta. Fale sobre eles.


1. Henfil

Eu sou apaixonada pela forma como o Henfil escreveu, desenhou e fez humor. Resenhei uma tirinha amando cada frase que escrevi. Acho que ninguém faz tanta piada divertida e fofinha e que não magoa ninguém. Esses comediantes politicamente incorretos de hoje precisam ler Henfil, precisam estudar Henfil, precisam receber Henfil e psicografar Henfil. Tá dose piada de estupro, piada racista, piada machista. Eu quero piada de bem viver, de rir de si mesmo, de absurdo, non sense, Eu quero piada contra o poder, a favor de quem sofre injustiça todo dia. Eu quero mais Henfil. Volta, Henfil! Enfia humor de verdade na cabeça da galera, Henfil!



Além de tudo, era gato. Nem precisava.

2. Domingos Pellegrini

Londrinense de Londrina, situa praticamente todas as histórias que conta aqui, pelo Paraná. Escreve sobre a minha vida às vezes e eu fico nostálgica, sorrio feliz. Acho que é como um londrino de Londres lendo Alan Moore. E além de ter escrito ótimos livros ele concorda comigo sobre o que os torna bons! Eu não tinha lido a entrevista dele pro Cândido antes de escrever, dia 11, isso:
"A primeira é levar o leitor pela história como se ele não estivesse lendo - como se estivesse lá, ouvindo a história ser contada pelos personagens, ou assistindo a tudo, quietinho, como se fizesse parte da paisagem. O melhor estilo é aquele que não aparece. Não é artístico demais nem ruim demais para atrapalhar tudo."
Que é quase o mesmo que isso:
"Eu sempre quis fazer uma literatura que não parecesse literatura, mas que parecesse com a vida" - Entrevista para o Cândido de setembro
Me conta o que você faz quando um cara escreve bem sobre o lugar onde você vive e ainda por cima pensa parecido contigo, tira as palavras da sua cabeça? Eu coloco no coração e na lista de gente preferida. Nas melhores posições.

3. Zélia Gattai

Acho que li todos os livros da Zélia antes de fazer 18 anos. "Anarquistas graças a Deus" é fofo. A menina Zélia era a Mafalda na vida real. "Crônicas de uma namorada", seu livro de ficção, um romance de formação feminino, é lindo. Os livros de memórias da época em que viveu no exílio com Jorge Amado são importantíssimos. Eu não vou esquecer nunca da batalha que foi ela conseguir, para seu filho, uma porção de maçãs murchas no inverno da antiga Tchecoslováquia. Quando eu assisti "Adeus, Lênin" e falei pro pessoal "nossa, é isso mesmo que a Zélia Gattai conta", povo me olhou com cara de quem lembra que Paulo Coelho é brasileiro. Mas gente, é isso mesmo que a Zélia Gattai conta. E o Henfil. Foi pra China! Não precisamos de estrangeiros nem pra conhecer o mundo!!!

Vamos ler os brasileiros!!!

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O Meme Literário de Um Mês 2012 é proposto pelo blog Happy Batatinha. Veja lá as regras e as perguntas para o mês inteiro.

Vocês que estão vindo de lá, se quiserem conhecer melhor a quitanda, tenho resenhas de livros para público adulto e infantil.

Aqui, as outras respostas do MLd1M 2012.

E aqui, as minhas respostas do MLd1M 2011.

O preço do livro infantil no Brasil, parte 4: o melhor custo-benefício!

Finalmente!!!

Encontrei livros baratos e muito bons!

É a coleção "Fábulas brasileiras para todo mundo", do Cláudio Martins, editada pela Villa Rica. Comprei pela internet, na Fast Books, mês passado, chegaram rapidinho e bem embalados. Na época custaram R$ 6,00 cada um, mas agora estão por R$ 5,22!!!


São livros curtinhos, de 8 páginas e as histórias são divertidas, simples, bem escritas e o desenho é bem legal. Mas o melhor mesmo é que as crianças podem participar da leitura, pois tem imagens entre as frases. As histórias são bem brasileiras, incluindo a moral: "se não ajudar seu amigo, a onça pode te almoçar", ou "o gato pode te jantar" ou "a velha pode tentar te picar". Então, talvez, nem toda mãe goste dos finais... eu gostei. Prefiro assim, do que aquelas mensagens moralistas que aparecem na maioria dos livros baratos.

Pra vocês terem uma ideia, olhem como é "O rato e o queijo":

o gato ficou meio feioso, o Tomás não reconhece...




não solidarizou, gato te pegou!

O Tomás "vareia" na vontade de ler junto. Tem dias em que ele está interessado, tem dias que não. Mas geralmente ele me ajuda a ler pelo menos uma página, e todo orgulhoso por poder fazer a parte dele... olhem só:


Gostamos muito dos livrinhos, mas tem um probleminha: estão esgotando... não consegui encontrar a coleção inteira... não consegui encontrar nem o site da editora. Acho que são os últimos disponíveis! Então, se você gostou, vai ter que correr!

Concluindo

Ótimo! O preço, o conteúdo, as ilustrações, tudo agradou a essa mãe aqui. Finalmente! Muito bom seria se todo livro de R$ 6,00 tivesse essa qualidade! Mas...

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Série "O preço do livro infantil no Brasil":

- Parte 1: Livro é caro!
- Parte 2: Bons e baratos - editora FTD
- Parte 3: Os livros comprados na esquina.

Mais livros infantis aqui.