30 de janeiro de 2012

"A melhor parte da escola é comprar material escolar"

Todo mundo concorda, né? Ouvi esses dias no restaurante, hora do almoço. A menina, uns 12 anos, toda empolgada com a listinha. Eu adorava esses dias, comprar o material, encapar caderno, todos aqueles lápis de cor novinhos chegando e os velhos indo pra caixa comunitária se juntar aos dos outros anos...

E agora o Tomás também tem listinha! É só pro segundo semestre. O primeiro semestre do maternal é pra acostumar os bebês devagarinho, pra brincar, dormir e tirar as fraldas. É uma continuação do berçário, sem muita regra, sem atividades programadas. No segundo semestre, sim, começa a função. Mas comprei logo as coisinhas pra voltar a fase boa dos antigamentes. Que eu adoro uma papelaria, que nem a mocinha do almoço.

A listinha do Tomás é básica e tem a observação: "Todos os materiais deverão ser adquiridos de acordo com a possibilidade de cada família." É creche pública, afinal. Tem giz de cera, massa de modelar, tinta guache, lápis de cor, caderno de desenho e cola. Tudo deve ser identificado com o nome da criança... ah. Meus lápis de cores com meu nome, quanto tempo! Eu lembro até do primeiro ano em que fui eu quem escreveu o nome nas etiquetas. Eu escrevia como tá aí do lado, o "o" pequeno  no meio das letras grandes. Deixei o Tomás pintar as etiquetas dele. O bichinho não tocou em nada, eu disse "é pra usar só na creche" e ele aceitou de boa. Uma graça essa criança.
Ó filho, procê não esquecer!

E não ficou cara a listinha:

- 4,99 - caderno de desenho grande
- 1,35 - cola branca
- 2,39 - tinta guache
- 3,29 - giz de cera
- 2,75 - massa de modelar
- 4,30 - lápis de cor
- 6,80 - caixa de pinguins
- 1,80 - etiquetas
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27,67

O caderno é do homem aranha porque tem a capa mais durinha. O resto eu comprei tudo do mais barato, no mercado. Na livraria mesmo foi só a caixa de pinguins. Linda! Tive que tirar foto, que a primeira lista de material ninguém esquece!

Caixa fofa com pinguim festivo
Lembram do primeiro dia de aula, todos os pichuriquinhos da pré-escola com aquelas caixas de camisa encapadas cheias de coisas... que vão desaparecer durante o ano. Eu sempre fui emprestadeira, chegava a metade do ano e minhas tintas estavam por todo lado, menos na minha caixa... se o presente do dia dos pais fosse pintado a guache, meu pai recebia com lápis ou giz. Que em agosto não sobrava nem a tampinha das tintas pra contar história... e agora, tudo de novo, com o Tomás.

E eu contando essas histórias pra ele vou parecer como a minha mãe, falando que ia pra aula de chinelo e levava livros e cadernos em sacos de açúcar...

Tomás recomeça hoje na creche. Ai. Vamos ver como vai ser, depois de mais de um mês de grude materno. Vou usar os materiais como distração, aí ele se importa mais com eles do que com o fato de ficar sozinho e tal...

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Mais pãeternagem:


Pãeternagem
Prêmio Jude Law
Feijão no vapor embalado à vácuo
Mãe que trabalha, mãe que viaja
Pro seu filho comer de tudo, siga minha intuição
- Tomás vai pro castigo agora e já volta, tá?
Blog de quinta: Super Duper - Anne, Joaquim e Tomás
Blog de quinta: Mãe Geek - Gisela e Luisinho

28 de janeiro de 2012

4a. das 52 semanas de bibliofilia!

Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

Essa semana não aconteceu nada de lindo entre Tomás e os livros, então tirei uma foto mais simples. Um dos meus armários. Não são os principais, que estão na estante, bem a mostra. Nem são todos, que tenho outros, bem legais, em outro armário. Não tenho nenhum método de organização, por enquanto só separo os livros não lidos (a pilha grande) e os lidos que quero resenhar ("O livro dos mandarins" e "Política para meu filho"). Coloquei em pé, no meio, os livros do Desafio Literário 2012. No fundo, livros lidos de todos os tipos, tamanhos e qualidade.

Não lidos, desafio e resenhandos

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Mais 52 semanas:


1a. semana: eu amo a leitura, nem tanto os livros...
2a. semana: ler pra relaxar... e nanar!
- 3a. semana: uma carga muito divertida!

Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha

Blogs de quinta sobre livros:

Livrada! do Yuri

Top 10 sharístico:

Romances
Literatura infantil

Mais literatura:

A melhor HQ de 1980
Desafio Literário 2012
Livros para ler em 2012

26 de janeiro de 2012

Blog de quinta: Entre topetes e vinis, Juliana Romano

Anel Vader, pra encantar os nerds
A Pri, do Devaneios e Metamorfoses, além de me inspirar para as 52 semanas de bibliofilia e para o 52x5, me deu a ideia para este blog de quinta sobre moda. Nesse post, ela fala sobre os blogs que ela lê, ainda que incomodem um tanto. E os primeiros são os de beleza e os de moda. Eu não dou a mínima pra maquiagem, esmalte e essa patifaria toda. Que fiquem com seu público.

E também não gosto de ler sobre moda... roupa é um pano que cobre o corpo e protege do frio e dos olhares alheios. Mas eu acho legal por uma arte no negócio e andar um pouco diferente dos outros. Então eu dou uma olhada nas novidades nas lojas e vejo as fotos dos desfiles nas revistas do ortodontista. Mas eu não me interesso muito pela roupa que os outros estão vestindo... Por isso esses blogs de "looks do dia" são blé pra mim. A não ser quando tem um ativismo, uma revolta, uma coisa que te puxa. E um rock'n'roll. E a Ju puxa a gente no blog dela, "Entre topetes e vinis".


A Ju é jornalista e trabalha na revista Gloss. O blog dela foge um pouco da minha proposta quando comecei o "blog de quinta". Eu ia pegar blogs mais desconhecidos e menos visitados. Mas aí tudo dançou, porque eu gosto de tanta coisa "pop"! Então que o blog da Ju está aqui mesmo tendo um pezinho no mainstream.
É um blog de dicas de moda e beleza para mulheres que são a maioria no "mundo real" mas não aparecem nas fantasias e doideiras dos editoriais de moda. Afinal, não somos adolescentes magricelas, nem podemos gastar 800 reais numa saia. E também tem as roupas que ela veste no dia-a-dia. E todo o dia ela está linda e de sapato baixo, ufa! 

Tem muita coisa legal. O post que eu mais gostei é esse, sobre o dia do rock. Porque eu sou uma das duas meninas que eu conheço (a outra é ela) que acha que a melhor música do Metallica é Thunderstruck! A banda dos meninos bonitos e pouco imaginativos (se chamava SNA - Sem Nome Algum) do segundo grau tocavam no meio dos Greendays e o que mais mesmo, Melody? Nem lembro, só lembro dessa, o auditório do Cefet Pato Branco inteiro gritando "Thunder" e balançando as cadeiras, que nunca mais foram as mesmas. Pobres parafusos, pobres porcas. E, pensando bem, talvez nem fosse o auditório inteiro, só nós mesmo, as groupies maluquinhas e um ou dois metaleiros mais fanáticos do curso de Eletrônica. Enfim, as melhores músicas puxam as melhores memórias.

Outro post querido é o do look inspirado pela Dita Von Teese. Esse vestido é a roupa da Juliana que eu mais gosto, seguida de perto por essa calça jeans cintura alta linda aí de cima. E pela saia cinza ali de baixo. Também tem as fotos do ensaio plus size da Vogue Itália, mulherada linda demais... E outra lembrança boa dos meus tempos de festerê, essa saia mais curta, com casacão pesado e duas meias-calças, uma estampada e outra preta. Eu usava assim minhas sainhas nos invernões de Curitiba, que essa história de que mulher não sente frio é balela. A não ser que você goste de conhaque, claro. Enfim. E ficou linda essa blusa por cima do vestido, com cintinho arrematando. Por falar em meia-calça, essa do terceiro look do post é linda demais, e a roupa ficou tudibão. 

O blog da Ju é um pouco diferente dos que apareceram aqui até agora. Tem menos texto, o foco são as fotos. Mas é bem óbvia a mensagem: seja como você for, você é linda! Não precisa gastar muito nem viver de alface pra se vestir de um jeito legal, com charme e inspiração. Colocar um pouco de arte na roupitcha do cotidiano não é nenhum bicho de sete cabeças. Ãnfã.

É feminismo moderno!



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Mais blogs de quinta:

Super Duper - Anne Rammi (nasceu o filhotinho dela dia 15 e se chama Tomás!)
- Mãe Geek - Gisela e Luisinho

23 de janeiro de 2012

Citações do punk rock. 52 x 5 - 4a. semana

1. The ice age is coming, the sun is zooming in
Meltdown expected and the wheat is growing thin
Engines stop running but I have no fear
London is drowning and I live by the river

2. Hey, ho, let's go!

Fera.
3. Now I'm ready to close my eyes
And now I'm ready to close my mind
And now I'm ready to feel your hand
And lose my heart on the burning sands

4. Then it looks so real I can feel it
And it feels so real I can taste it
And it tastes so real I can hear it
And it sounds so real I can see it
So why can't I touch it?

5. It's a holiday in Cambodia
It's tough kid, but it's life
It's a holiday in Camodia
Don't forget to pack a wife

Por quê? Os links são do youtube, escuta, berra junto e liberta seus demônios. Se eles te tirarem do planeta também, aí você está começando a entender.

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:


5 coisas que me fazem ficar feliz
Eu nunca...
- Coisas para fazer no calor

22 de janeiro de 2012

O rapto das cebolinhas - Maria Clara Machado

Segundo livro de janeiro do Desafio Literário 2012. Minha edição é de 2002, da Companhia das Letras.

Maria Clara Machado é um das maiores escritoras de literatura infantil do Brasil. Somos bem ricos nessa área... Fanny Abramovich, Tatiana Belinky, Lygia Bojunga, Eva Furnari, Maria José Dupré, Ana Maria Machado (do Bisa Bia, Bisa Bel, lindeza!), Ruth Rocha. Não é só Monteiro Lobato, não!

Maria Clara Machado
Mas estávamos tratando da Maria Clara e não de toda a mulherada. Foi uma das maiores apoiadoras do teatro brasileiro. Fundou o Tablado, no Rio. E escreveu muitas peças infantis, entre elas "Pluft, o Fantasminha", "A bruxinha que era boa" e "O rapto das cebolinhas". No site do Tablado, linkado aí em cima, muita história boa. Uma honra falar dela na Quitanda.

A primeira apresentação d'O Rapto... foi no Tablado mesmo, em 1953. Desde então, olhem só, catando no google, quanta foto de encenação, tanto por atores adultos quanto por crianças (fofurice absoluta!).

A cebolinha roubada é uma espécie famosa, das Índias, cujo chá é capaz de rejuvenescer, desde que preparado da forma correta:
Encenação d'O Rapto em
Londrina, 1959.
Foto do blog Epigrafias
"misturam-se (“faz o gesto”) três cebolinhas num litro d'água. A cebolinha deve ser colhida à meia-noite e quinze em ponto."
O dono das cebolinhas é o Coronel, que vive num sítio com o burro Simeão, a gata Florípedes e o cachorro Gaspar. Seu netos, Maneco e Lúcia, devem estar de visita por lá e também aparecem na história. Então que o coronel acorda e um dos seus três pés da famigerada cebolinha, um dos últimos três pés existentes no Brasil, foi roubado! É feita uma conferência familiar, mas não é descoberto o ladrão. O coronel decide ir à cidade contratar um detetive, mas aparece o senhor Camaleão Alface, detetive com diploma americano, estrela de xerife e dois revólveres, que se encarrega do caso. E monta guarda à noite, para pegar o ladrão.

Encenação do Teatro Infantilde Lisboa, em 1976
Maneco desconfia muitíssimo do detetive e monta guarda também. Na hora exata do roubo o público vê o ladrão, mas muita confusão acontece e os personagens não conseguem saber exatamente quem arrancou o segundo pé de cebolinha. O detetive incrimina Gaspar. Mas Maneco confia na inocência do cachorro e decide se disfarçar de espantalho para aguardar o ladrão na próxima noite, quando o mistério é finalmente revelado.

A peça é cheia de movimento e, lendo, a gente só pode imaginar a confusão. Mas tem tudo o que criança gosta. Protagonistas da idade delas, bichos de falam, um avô, um detetive e um médico, no final. Tomás não piscaria o olho, com certeza!

Parece estar esgotado, não achei em livrarias, mas tá baratinho em sebos, a partir de R$ 2,00 - mais barato que cebolinhas! E aproveitando para sugerir outros livros infantis com tema culinário pra quem tá participando do Desafio, tem os livros da coleção Maneco Caneco do Luis Camargo: Folia de Feijão, Panela de Arroz e Bule de Café.

Três estrelinhas e meia, que eu li com alma adulta... uma criança talvez dê mais. Em cinco.

Elenco d'O Rapto no Teatro Opinião em 1978.
Foto do blog "Avenida Copacabana".
O Miguel Falabella é o Coronel, de branco, agachado,
e a gatinha, de meiona vermelha e branca é
a Maria Padilha!
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Mais Desafio Literário 2012:


- Cozinheiros Demais, Rex Stout


Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
Minha estante e sir Bernard Cornwell;

20 de janeiro de 2012

Cozinheiros demais - Rex Stout

Primeiro livro de janeiro do Desafio Literário 2012. Minha edição é de 1991, da Companhia das Letras.

É estranho começar a ler uma série de livros pelo meio... a gente fica despreparada para esse tipo de frase, logo nas primeiras páginas: "eu não estava em condições de me preocupar com o cotejamento de provas, tendo a mente ocupada com a questão de como tirar a roupa de Nero Wolfe."

Aí você sai achando que o cara é gay,  mas depois ele já vai explicando que o detetive (famosíssimo, eu é que tava comendo bola - olhem só a charge de 1949) do Stout é gordo, tem pânico de trens e pouco equilíbrio. Então não vai conseguir se despir sozinho durante uma viagem sobre trilhos, sobrando a tarefa para Archie Godwin, "secretário, guarda-costas, gerente, assistente de detetive e bode expiatório". E narrador das histórias, mais ou menos um Watson. Ahhh, bom... mas o Watson despia o Holmes? Provavelmente, era o médico dele e tal, né?

E então eu estava em dúvida se o livro servia para esse mês do desafio, mas logo nas primeiras páginas me despreocupei:
"— Diga — Wolfe apontou um dedo para ele —, você já comeu cágado refogado na manteiga, com caldo de galinha e xerez?
— Não.
— E já experimentou um filé grelhado servido na tábua, com cinco centímetros de altura, soltando seu rubro suco na faca, guarnecido com salsa-americana e fatias de lima cortadas na hora, acompanhado de purê de batata que derrete na boca e rodeado de fatias grossas de cogumelos frescos malpassados?
— Não.
— Ou a dobradinha créole de Nova Orléans? Ou o presunto Boone County do Missouri, assado com vinagre, melado,Worcestershire, sidra doce e ervas? Ou galinha Marengo? Ou frango em molho de ovo talhado, com passas, cebolas, amêndoas, xerez e lingüiça mexicana? Ou o possum do Tennessee? Ou lagosta Newburgh? Ou sopa de peixe da Filadélfia? Pelo que posso perceber, ainda não. — Wolfe apontou o dedo para ele. — O paraíso da gastronomia é a França, eu sei. Mas seria bom, antes de ir até lá, dar uma volta por aqui. Eu comi dobradinha à moda de Caen no Pharamond, em Paris. É sensacional, mas não supera a dobradinha créole, que, por evitar o excesso de vinho, jamais agride o estômago. Na minha juventude, quando eu me movia com mais facilidade, provei a bouillabaisse em Marselha, seu berço e seu templo, e só servia para encher a pança, lastro para estivadores, comparada com a que se prepara em Nova Orléans!"
Adoro descobrir todas as
capas que um livro legal já teve.
A da primeira edição inglesa,
de 1938, é a melhor, de longe.
Ufa! Muita comida. Vou poder dispensar o Baunilha e Chocolate, que estava previsto como reserva, mas comecei a ler e não me empolgou. Nenhuma piada, só uma fuga, um provável divórcio e uma mulher triste. E no mesmo número de páginas as referências a comida são bem menores que neste diálogo. Fica o Rex e o detetive americano atrevido que cospe nos europeus. Curti.

E não muito pra frente, ri dessa tentativa tosca do Archie em conquistar a moça bonita da história, a Constanza - não, definitivamente esse Watson não é gay, mas também não é muito sexy:
"— Meu nome é Archie Goodwin. Archibald significa sagrado e bom, mas apesar disso meu nome não é Archibald. Nunca ouvi uma garota francesa dizer Archie. Não quer tentar? 
— Não sou francesa. — Ela franziu a testa. Sua pele era tão lisa que a ruga parecia um risco em uma bola de tênis nova. — Sou catalã. Certamente posso dizer Archie. Archiearchiearchie. Chega?"
E o pai da caça arisca em questã é um dos 15 auto-intitulados melhores chefs do mundo. E tem rixa com outro chef dos 15, que por sua vez tem rixas com todos os outros 13. 14 contra um. Bonito de ver. Top Chef Masters com sangue nozóio! E olha a Constanza de novo, legal essa guria:
"— Eu não tenho nada de freira. Nem sou muito religiosa, gosto dos prazeres da vida. Madre Cecília costumava dizer para as meninas que uma vida dedicada aos outros era a mais pura e doce de todas, mas eu pensei bem no assunto e me pareceu que a melhor maneira era aproveitar a vida até ficar gorda ou doente, ou ter uma família enorme, e aí começar a dedicação aos outros. Você não concorda?"
Adoro ver essas
capas velhas!
Concordo!!! E, mais pra frente, um dos meus tipos de piadinhas preferidas, auto-citação:
"Logo o barulho dos cascos era claro, e, depois de um minuto, um par de cavalos mansos, bem tratados, apontou na curva da trilha e passou trotando, perto o suficiente para ser pescado com uma vara. Um deles era montado por um tipo vistoso, de paletó xadrez espalhafatoso, e no outro ia uma senhora velha e gorda o bastante para se dedicar aos outros no momento em que sentisse esse impulso."
Gamei! Perdi horas preciosas de sono e fui dormir depois da uma da manhã na segunda e na terça e hoje já tá passando da meia-noite e não terminei a resenha. Limpei o prato e passei o pão pra não sobrar nem um restinho de molho. Gostei muito, mas não dá pra comparar com um Raymond Chandler... é mais comédia, menos existencial, menos romântico. Pá-pum. Mas também gosto de livros rápidos, ação sem muito lero-lero. Dá pra desvendar quase todo o crime pelas pistas que o Stout deixa no enredo, mas é claro que tem muito mais coisa na revelação do que a gente imaginava. E pesquei uma frase ótima, citação pra vida:

"Um buraco no gelo só é perigoso para quem vai patinar"
Nero "Cauteloso" Wolfe

Ah sim, a história! Nero, um aforista fodão e detetive comilão, é convidado de honra em um evento Caras exclusivíssimo: o encontro dos 15 já citados. Num hotel de luxo eles vão cozinhar, comer e votar em substitutos para três dos chefs que faleceram de morte morrida. Wolfe é convidado por ser um grande gourmet e amigo pessoal de vários dos 15. Além disso, vai palestrar sobre a contribuição dos Estados Unidos para a alta gastronomia. Como vocês viram ali em cima, ele tem muito a dizer... por exemplo, que porcos que comem muito amendoim dão a melhor carne da face da terra. Sinceramente, pra mim, a parte da comida foi a menos relevante para a diversão... não entendo pra que existem os connoisseurs... ãnfãm.

O evento vai indo muito bem. Os convidados fazem uma brincadeira com um tal molho, cuja receita leva nove temperos diferentes. Um deles, o um contra os 14, vai preparar o molho, colocar em nove tigelas, cada uma com um tempero faltando. Todos vão provar de cada molho e tentar adivinhar qual tempero falta em qual tigela. Parece bem divertido e todo mundo está adorando, até que... Assassinos! Vamos matar todos eles! Com uma facada nas costas, morre um chef de morte matada.

O gordinho não é o Wolfe, o magro não é o Archie e
na cena não é do livro, mas assim como o pessoal desse site,
eu também achei tudo muito parecido!
Recomendadíssimo, diversão garantida. É meio simplão pra quem gosta de Chandler e James Ellroy, não tem muita psicologia ou política (tem uma reflexãozinha sobre racismo - o hotel é no sul dos EUA, os patrões e a polícia são brancos e os subalternos negros). Está mais para Agatha Christie e Doyle (eu achei melhor que os dois). A história é sobre a inteligência de Wolfe e não sobre as dores do mundo.

Em sebo, tá saindo barato, a partir de R$ 8,00. Uma edição mais recente está mais carinha. No skoob a média é 4.3, em 30 avaliações. Outras resenhas legais são da Isabel do leituras e da Mulher Atômica no Devoradora de Livros. Foram elas que me fizeram decidir pelo livro e agradeço imensamente. Eu não consigo gostar muito desses livros" mulher com problemas procura aconselhamento e conforto entre as panelas"...

Quatro estrelinhas e meia, quase chegando lá, se eu tivesse escrito terça, chegava. Em cinco.


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Mais Desafio Literário 2012:


- O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado


Mais resenhas:

- Noite e Dia, Virginia Woolf;
- A melhor HQ de 1980;
- Água para elefantes, Sara Gruen;
- Buracos, Louis Sachar;
- Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
- Minha estante e sir Bernard Cornwell;

19 de janeiro de 2012

Blog de quinta: esses livreiros, esses clientes!

Então, descobri a pouco tempo que os livreiros estão fazendo blogs reunindo as "pérolas" dos seus clientes. Tem coisas muito engraçadas, como no manual prático de bons modos em livraria, que conta a história de uma pessoa procurando pela biografia do Sherlock Holmes, como se ele tivesse vivido de verdade. E essa listinha,  de títulos misturados? Ou então, essa história aqui, de outro blog, o "This is not the six word novel" (eu traduzi mazomeno):

"Cliente: Qual é o primeiro livro do Harry Potter?
Eu: A Pedra Filosofal.
Cliente: E o segundo?
Eu: A Câmara Secreta.
Cliente: Vou levar A Câmara Secreta. Eu não quero A Pedra Filosofal.
Eu: Você já leu esse?
Cliente: Não, mas eu sempre achei que nas séries de livros eles levam um tempo para realmente começar. Eu não quero perder meu tempo com coisas introdutórias inúteis do começo.
Eu: A história em Harry Potter realmente começa direto. Pessoalmente, eu comendo que você comece com o primeiro livro - e ele é muito bom.
Cliente: Você trabalha com comissão?
Eu: Não.
Cliente: Certo. Quantos livros são no total?
Eu: Sete.
Cliente: Exato. Eu não vou gastar meu dinheiro e meu tempo no primeiro livro quanto tem tantos outros pra comprar. Vou levar o segundo.Uma semana depois, o cliente retorna.
Eu: Oi, você quer comprar uma cópia do Prisioneiro de Azkaban?
Cliente: O quê é isso?
Eu: É o livro depois de A Câmara Secreta.
Cliente: Oh, não, definitivamente não. Eu achei aquele livro muito confuso. Eu pergunto a você, como as crianças conseguem entendê-lo se eu não? Eu digo, quem diabos é esse tal de Voldemort? Não. Eu não quero mais nem saber do resto.
Eu: .... certo."


Como vocês podem ver, tem gente que realmente se supera! Mas no geral, são histórias de pessoas que entram na livrarias perdidas, procurando um livro que não sabem bem ao certo qual é. Neste caso, como uma quase-bibliotecária que tinha a vocação mas não a disposição, eu acredito que é de se juntar as mãos ao céus, agradecer e procurar transformar o pouquinho de interesse que a pessoa tem por esse livro numa paixão sólida e constante. Afinal, quando se vive de vender livros, ou emprestá-los, todo cliente, ou usuário, que for bem tratado, volta.

É a busca pelo cliente ideal. Aquele ser culto, que conhece todos os Prêmios Nobel de Literatura, que sabe soletrar e pronunciar os nomes dos autores estrangeiros e sabem exatamente em que seção está classificado cada livro. Algumas histórias me deixam mais triste do que feliz.

Por exemplo, no tumblr português "A livreira Anarquista", tem essa história:
"— Eu queria um dicionário tipo símbolos para mandar mensagem em código daqueles para quem apanhar o que escrevo não perceber nada do que está lá…
— Se esse é o objectivo, acho que não precisa de mais nada, caro freguês. Já não se percebe muito do que diz de qualquer maneira. Faço ideia por escrito."
Vem cá, o gajo quer um livro de códigos! É difícil ajudar o rapaz sem fazer chacota, o pá!?

Ou no manual mesmo, essa história, do cara que queria só xerocar as últimas páginas do livro que vieram em branco. Realmente, não custava nada xerocar pro cara. E vejam só, tem até um livro sobre isso, se chama "Serviço de Pós Venda".

Ou então essa outra, do manual também. A pessoa pegou o "1001 livros para ler antes de morrer" e ficou feliz que era um livro de resumos. Poxa, não é um dos livros mais legais pra quem tem preguiça de ler? Vai ler um monte de resenha e quem sabe se interessa por um ou outro? E vem comprar? Mas não, né, "o livreiro opta pela audição seletiva, ignora a sua pergunta e sai andando como se não houvesse amanhã".

Hein?!

Vendedores estão carecas de saber que não se faz piada com o desconhecimento dos clientes... Se fulano chega perguntando coisas sem pé nem cabeça sobre um produto, a função do vendedor é informá-lo sobre tudo o que ele quer saber. Com tão pouca gente que lê no Brasil, se a pessoa tem um mínimo interesse em algum livro ou autor, o melhor a fazer é iniciá-lo nas artes, não é? Pro livreiro isso seria primordial, já que seria um freguês a mais.

Eu não sei vocês, mas ler um blog tirando sarro de pequenos equívocos que qualquer um pode cometer dá muita vontade de nunca mais pisar numa livraria. Já se pode comprar todo tipo de livro pela internet, um livreiro só é útil se tiver paciência e boa vontade com nossas dúvidas e certezas equivocadas.

E eu digo até, se for o caso, procurar um livro esgotado em livrarias concorrentes e sebos. Se o cara tiver essa atitude comigo: "olha, o livro está esgotado, eu não tenho, mas vou te ajudar a achar em outra livraria ou sebo..." Eu me apaixono e nunca mais vou em outro lugar! O livreiro ideal não quer só vender livros. Ele é a aquela pessoa que encontra sua vocação em fazer os outros lerem...

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Mais blogs de literatura:

18 de janeiro de 2012

3a. das 52 semanas de bibliofilia!

Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Ela tem outro plano para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar, que vou seguir também, como exercício de escrita. A proposta é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

Como eu falei pra Pri, nesse começo de ano quase todas as fotos vão ser da rotina dos livros do Tomás. Eu estou lendo dois. Em ebook, no compíuter, enquanto Tomás dorme, "Cozinheiros demais", do Rex Stout, pro Desafio Literário do mês, e em papel, nos pequenos horários de folga, "Memórias de Adriano", da Marguerite Yourcenar. Mas achei bem menos graça em tirar fotos dos dois depois do que aconteceu ontem de manhã. Sem nenhum incentivo da minha parte, o tirulinho começou a pegar os livrinhos da estante e colocar no caminhão. O livro bem em cima é "A velha e o porquinho", da editora FTD. Adoro essa história e vou fazer resenha logo, logo. Digam, minha gente, como eu vou tirar uma foto de livro adulto se acontecem essas coisas lindas na minha frente?

uma carga muito divertida!
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Mais 52 semanas:


1a. semana: eu amo a leitura, nem tanto os livros...
- 2a. semana: ler pra relaxar... e nanar!

Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha

Mais literatura infantil:

Top 10 da Sharon de literatura infantil
Por que "Os três porquinhos" é tão bom?
Ler é viajar... na idade!
Em frente à nossa casa tem... a caixa de correio

16 de janeiro de 2012

Coisas para fazer no calor. 52 x 5 - 3a. semana



1. Mexer na água doce de piscininha, piscinão ou rio;
2. Fazer uma sesta prolongada;
3. Tomar tererê no final da tarde;
4. Sorvete, sorvete, sorvete!
5. Ensinar os bebês a usar copo para tomar água - como é quente, eles podem se molhar sem problemas!

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:


5 coisas que me fazem ficar feliz
- Eu nunca...

15 de janeiro de 2012

Noite e dia, Virgina Woolf.

2011, 640 páginas,
Novo Século
Primeiro livro finalizado de 2012 e o primeiro Woolf da minha vida. Talvez seja melhor assim, já que, segundo dizem, é o único livro dela com estrutura normal de romance, história linear, apresentação dos personagens, desenvolvimento, clímax e fim. Então é um bom livro pra uma mãe de um "terrível dois" ler nas férias. Não demanda tanta atenção quanto um modernista "tr00" exigiria.

A história lembra bastante os romances da Jane Austen, solteiros ingleses em busca do amor, passeando em propriedades rurais e tomando chá na casa uns dos outros. Os homens são até bem parecidos, a não ser pelo fato de não serem tão perfeitos quanto Mr. Darcy. A gente até enxerga o Donald Sutherland no patriarca que parece alheio a tudo, mas que aparece no fim da história pra pôr a filha e a sobrinha no caminho certo. Ou não, que, no final das contas, ele é só, como dizem os infames, um mero fornecedor: "Tinha, então, amado a filha para vê-la, assim, levada por essa torrente, para tê-la tomada dele por essa força incontrolável, e ser obrigado a ficar à margem, inerme, ignorado? Oh, quanto a amava! Quanto a amava!"  Não é exatamente o que a gente imagina que Mr. Bennet pensou depois que a Elizabeth finalmente se decidiu?

Os dilemas de um pai de menina...
Só que a protagonista não é a Elizabeth, mas a irmã chata do Bingley, a Caroline. Não se diverte muito com literatura, música, discussões - ou com qualquer coisa, parece. De boa família, sempre impecável, razoável e educada, não pode sair de casa sem se casar, mas tem grandes dúvidas se essa é mesmo a melhor solução para sua vida e divaga, divaga... a divagação é tanta - não só dela, de todos os personagens - que pulei várias páginas. Pelos pensamentos da primeira parte do livro, Katharine Hilbery é muito inteligente e racional, mas insossa e cansativa: um resenhista do goodreads define como "self-absorbd jerk".  Mas ela tem alguns momentos de brilho: quando ri das infinitas besteiras do pretendente Rodney, quando dá belas patadas na tia fofoqueira e principalmente quando senta na mesa dos Weasleys, ops, Denhams e tira de letra. Pintei todo mundo de ruivo naquela família! E eles tem uma gralha velha e manca de estimação. É a passagem mais alegre do livro, quando a gente começa a ver o que esses caras todos viram nela.

E os caras todos também pensam muito nesse livro... "será que seria melhor eu avisar a ela que o cabelo despenteou e a saia está amassada? Afinal, isso não é aparência correta para uma mulher..." Tu tá falando sério, cara pálida? São desse naipe as infinitas besteiras do Rodney. Mas logo Ralph "Weasley" Denham (não sei exatamente qual... ele é apegado ao trabalho como o Percy, mas tem bom humor também e gosta de vários assuntos desconexos - flores, pássaros, política) salva os ingleses: "ah, esse cacho de cabelo voando solto e a saia desordenada me dão um tesão que eu não consigo pensar em nada mais". Opa. Agora sim. Mas é aquele negócio, pensa muito e pouco faz. Eu sou atrasadinha, era assim no segundo ano do ensino médio e perdi uns caras bacanas. Mas agora quem está divagando sou eu.

Uma personagem mais interessante é Mary Datchet. Idealista e batalhadora, enfrenta o mundo e os problemas. Resolve as próprias coisas, independente e decidida. E tem que lidar com os caras todos falando que mulher não deveria se dedicar à coisas como... melhorar a vida das mulheres! E gosta de andar no campo. Aí fica óbvio, ela é a Liz, não a outra. Mas o sumiço dela da metade pra frente do livro é uma tristeza compartilhada por muitos resenhistas... que fim levou Mary Datchet? Encontrou Mr. Darcy? Ou preferiu ser primeira-ministra? Diretora de Hogwarts? Ou tudo isso? Ela parece dessas pessoas que conseguem tudo o que querem. Catzo! Quedê Mary? Todo mundo gostou muito mais dela do que da protagonista, inclusive a própria Katharine.

O melhor do livro está quase no fim... é spoiler, não, relaxem:
"parece, repetiu - que alguma coisa chegou ao fim, de súbito, soltou-se, perdeu a cor, uma ilusão, assim como as que a gente inventa quando crê que ama; a gente imagina, então, o que de fato não existe. É por isso que é impossível que casemos um dia! Sempre a achar o outro uma ilusão, e indo embora, e esquecendo-o, nunca estando seguros de jamais ter gostado mesmo, ou de não ter ele gostado todo o tempo de outra pessoa que não era a gente, o horror de mudar de um estado para outro, de ser feliz num momento e miserável no seguinte"
Ao final, não sei se gostei tanto. Como todos os fluxos de pensamentos, tem coisas muito boas, como as que a Francine separou. E é uma delícia estar em Londres, o clima todo, Shakespeare, escadas, névoa... mas tem partes bem cansativas. Pra recreação. Quando a vontade de ler é muita e o tempo é pouco, ler aos pedacinhos não vai aborrecer tanto... Pra quem tem um "terrível dois" em casa, ou muita coisa pra fazer.

Três estrelinhas. Em cinco.


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Mais resenhas:

A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
Minha estante e sir Bernard Cornwell;

14 de janeiro de 2012

Boi, boi, boi... boi da cara preta...

Pega o Tomás e ensina uma careta!

A gente canta essa música sempre que ele pega o livro na mão. E ele prefere que o papai cante, acho que fica mais melodiosa em voz masculina, mesmo na versão eufemística cantada em casa.

Esse é o primeiro livro de poesia do Tomás. Ele ainda é mais das figuras que das palavras... e são figuras do Caulos! Comprei o livro por causa dele e não tinha ideia de quem era o autor. E acabei descobrindo que o Sérgio Caparelli faz poesia gostosa pra ler cantando, rimando, declamando. Queria ter descoberto esse livro na época dos concursos de poesia da escola.

Deixa eu ver...
Já na capa dá pra ver a magia Caulos: um dos chifres do boi é a lua. A personagem principal do livro: é também o bico do galo em outra imagem... O tatu cava, "perde o fôlego, geme, sua,/ quando quer voltar atrás,/ leva um susto, está na lua." E o "jacaré escova os dentes,/ escova com muito zelo" Mas, de noite: "- Jacaré, e os dentes de trás?"
"Foi a pergunta que ouviu
num sonho que então sonhou,
caiu da cama assustado
e escovou, escovou, escovou."
Acho que é a imagem preferida do Tomás nesse livro. a do jacaré e a escova de dente. Ele dizia que a tripinha de pasta era uma "minhoca" e mostrava os próprios dentinhos... Agora ele está aprendendo a escovar os dentes, então leva mais a sério:: "pata". E tem mais noite e lua no livro:
"o sono é um macaquinho.
Ele cata grãos de areia
pra jogar nos teu olhinhos"
E essa termina com a estrofe sábia:
"Se o menino dorme bem
mamãe vai dormir também."
Lua, lua, lua!

Nas outras imagens, lua. "Os sapos inventores", página 34? Lua. "O tigre banguela, página 20? Lua. "O galo aluado?" Adivinha!!! "Serafim seresteiro"? "O rato Roque?"
"roque roque
rói a rua
roque roque
rói o beijo
roque roque
rói a lua"
upa, upa, cavalinho!
Mas não esqueceram do sol e do dia, não... A Marina quer de aniversário "- Três raios de sol/ e uma caturrita/ que fale espanhol" e outra preferida do Tomás, o poema "A estrada e o cavalinho", que é uma tirinha com movimento e um sol careca.

Uma delícia de livro. Com folhas de papel, pra ensinar os pequeninhos a cuidar dos amigos frágeis. Com cara de livro de gente grande, pros maiorzinhos. E todo livro tinha que ser ilustrado. Pelo Caulos, inclusive. Que cresci vendo os desenhos dele e tenho muito, muito carinho pelas imagens dele.

Tá barato nos sebos, a partir de R$ 5,00. E também não tá caro o novinho em folha, entre 10 e 13 reais! Eu tava falando esses dias como é difícil encontrar livro infantil de qualidade, com boas ilustrações e baratos. Ainda bem que mãe também se engana!

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13 de janeiro de 2012

2a. das 52 semanas de bibliofilia!

Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Ela tem outro plano para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar, que vou seguir também, como exercício de escrita. A proposta é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

A foto é de terça, depois do Tomás finalmente começar a soneca da tarde. Está cada vez mais difícil fazê-lo dormir nesse horário. Mas ainda é necessário. Se ele não dormir depois do almoço, vai querer dormir lá pelas 18 horas e aí, adeus paz depois das 22. Então eu faço de tudo pra ele dormir, leio milhares de livros. Mas livro é só pra relaxar, porque, como a mãe, o livro acende o bichinho e não apaga. Então canto milhares de músicas e finalmente ficamos quietinhos pra dormir. Eu acabo dormindo um tantinho junto também...

Ler pra relaxar... e nanar!
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Mais 52 semanas:


- 1a. semana: eu amo a leitura, nem tanto os livros...

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Meme literário de um mês do Happy Batatinha

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12 de janeiro de 2012

Eu nunca... 52 x 5 - Semana 2


1. Eu nunca guardo embalagens abertas se elas tiverem conteúdo;
2. Eu nunca mais vou passar roupa do dia-a-dia;
3. Eu nunca comi o frango com quiabo mineiro;
4. Eu nunca li um Augusto Cury inteiro;
5. Eu nunca ouvi um sertanejo universitário que tenha achado bom.

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:


- 5 coisas que me fazem ficar feliz








11 de janeiro de 2012

Tomás vai pro castigo agora e já volta, tá? - post com trilha sonora!

Minha mãe e minha irmã Shana, a dinda, vieram em casa pro Tomás mostrar o pinheirinho e plantação de feijão. E daí que o bichinho não parava de mexer na lampada [supar trúpa bins are gona bláin mi - supá-pá, trupá-pá] do jardim. [todos os dias, Tomás fuçava, no holo-fo-te do jar-dim] Nesse dia, sentou em cima. Girou. 


- Tomás, pára de mexer na luz. Senão você vai ficar de castigo. [what a drag is getting o-old...]


E, claro ele vai lá e mexe no troço de novo. [ei! mãe! get off of my cloud!]


- Vovó, dinda, licença, que o Tomás vai pro castigo agora e já volta, tá? Que feio Tomás, desobedecer a mãe e ficar de castigo na frente da vovó e da dinda...


O bichinho já sabe que escalar, se pendurar ou mexer em lugares perigosos rendem castigo [bate no pivete, bate no pivete, bate no pivete com o taco de bet]. Bater, morder, machucar, também. Não obedecer uma ordem explícita, idem. O castigo tem funcionado . Ele demora pra ficar quietinho no lugar, mas depois de várias idas e voltas e algum choro, ele fica quietinho seus dois minutos. Aí vem a conversa:
Eu faço como a supernanny manda,
me abaixo na altura do Tomás...


- Por que o Tomás tá de castigo?
- uz! (aponta pra fora)
- O Tomás desobedeceu a mamãe e mexeu na luz. O Tomás pode mexer na luz?
- Nããããão
- O Tomás vai mexer na luz de novo?
- Nãããão
- Então pede desculpa pra mamãe
- Pupa! (abraço)


Nem sempre funciona bem a conversa quando é alguma coisa que ele gosta muito de fazer, como subir na estante e escalar o sofá. Às vezes ele sai do castigo e vai correndo fazer de novo a arte. [dããã people will survive...Aí grita "Tido!" E corre sozinho pra sentar no cantinho. Mas esse "tido" auto-imposto tem que durar o tempo que ele quer, e é mais difícil fazer ele ficar nesses do que nos que eu coloco. 


Trabalho, muito trabalho. Mas o mais complicado é me tornar a "autoridade não aceita" depois de toda a rock'n'roll highschool. É, mãe, agora eu entendo

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Mais pãeternagem:


Pãeternagem
- Prêmio Jude Law
- Feijão no vapor embalado à vácuo
Mãe que trabalha, mãe que viaja
Pro seu filho comer de tudo, siga minha intuição
- Blog de quinta: Super Duper - Anne, Joaquim e Tomás
- Blog de quinta: Mãe Geek - Gisela e Luisinho

9 de janeiro de 2012

Dica pros pães ocupados: feijão no vapor à vácuo!

Que delícia esse feijão!
- Nossa mãe, como o Tomás gosta de feijão, né?

Foi o que a profe da creche falou, quando ele tinha uns 8 meses. Então eu comecei a fazer feijão pra ele. Mas é aquela demora pra cozinhar... 40 minutos na panela de pressão, depois tempera, depois mais uns 30 minutos pra ficar bem macio. Trabalhão, tempo perdido... que eu não perco mais.

Só compramos feijão embalado à vácuo. Os nutrientes mais importantes do feijão, as proteínas e o ferro, não são eliminados nos processos de cozimento e embalagem.

Aqui no Paraná tem uma marca interessante, a Vapza, que não coloca glutamato nem conservantes nas receitas.  A quantidade que eu costumo servir pro Tomás, em torno de  40g, duas colheres, têm  mais ou menos 250mg de sódio... Mas é confuso saber quanto uma criança pode ingerir. Algumas nutricionistas falam em 400mg e outras organizações recomendam 1000 mg diários! De qualquer forma, as refeições salgadas são duas por dia, dá pra baleancear direitinho o sal. Fazer um arroz com pouco sal e na "mistura", legumes refogados. Não precisa servir carne. Pra dar uma garantida na absorção de ferro, laranja de sobremesa. Dá pra fazer de um tudo, sopa, tropeiro, viradinho... ou só dar uma esquentada com água mesmo e servir. E o preço é bem em conta.

Prato colorido!
O feijão vem com tempero bem básico, sal, louro, cebola e alho. Então você pode dar uma incrementada, do jeito que  preferir. Na quinta eu fiz o básico, arroz, feijão, bife e salada. Mas esquentei o feijão na frigideira, depois do bife, pra aproveitar aquele molhinho que gruda no fundo. Fica ma-ra-vi-lho-so! Eu gosto de preparar as receitas e congelar, uma embalagem rende vários potinhos de 200 ml, dependendo dos acompanhamentos... Mas dessa vez não sobrou nadinha!!!

Eles também tem outros produtos, mas usei pouca coisa. O feijão carioca é gostoso também, mas o tempero da lentilha ficou meio estranho. Prefiro cozinhar eu mesma a lentilha, fica mais gostosa. E também não é tão demorada quanto o feijão...

Uma boa ideia pra um dia de correria, se o seu filho gosta de feijão como o meu... O bichinho é tão fanático que esses dias descobriu a embalagem no armário e veio correndo me pedir "jão!" Eram 8 horas da manhã...

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Pãeternagem
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Blogs de quinta de pães:


- Super Duper - Anne, Joaquim e Tomás
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7 de janeiro de 2012

5 coisas que me fazem ficar feliz - 52 x 5 semana 1

Argh! Diarinho na quitanda. Adeus, leitores críticos, nerds e comprometidos com assuntos mais profundos. Se ainda existirem alguns desses, claro.

Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que vou seguir também e com mais afinco que este. A proposta é bem simples, tem um tema por semana para fazer um Top Five Diarinho. Então vamos aos primeiros cinco momentos bem óbvios pra começar:
  1. Tomás imitando todas as pessoas do mundo, até as da TV
  2. Namorar
  3. Ter a Sheylli e a Shana ao meu lado ao mesmo tempo
  4. Inventar desculpas para juntar os amigos
  5. Sorvete
A felicidade completa é estar abraçada com o Rodrigo, vendo o Tomás imitar a Sheylli e a Shana numa festa com sorvete e muitos amigos! Tipo festa de final de ano!

Sheylli, Sharon e Shana na virada. Sem piadas!
Tá bom,  tá bom, eu sei que é engraçado o sha sha sha

Hummm... eu tava pensando que faltaram os livros, a leitura ou a literatura nessa lista. Mas não entram não. Eu sou é viciada. Livros me dão muita ansiedade. Ainda não li esse, aquele. Preciso comprar, não posso comprar, preciso escrever, preciso doar... Acho que não entendi direito isso, não compreendi aquilo. Será que "O Senhor dos Anéis" nunca vai me pregar catarse? Nunca? Não é essa alegria simples de se deliciar com uma casquinha de chocolate.

Outra grande falta são os shows de rock, que na época avulsa vinham em primeiro lugar fácil. Eu não tinha o Tomás e o resto ficaria nos mesmos lugares. Mas a questã é que agora não tenho mais shows a disposição... então eles não me tem feito feliz pelo simples fato de que eu não tenho ido a eles. Quem sabe esse ano, o Tomás maiorzinho e tudo mais? Mas tirar o sorvete da lista?

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Mais eu:

6 de janeiro de 2012

1a. das 52 semanas de bibliofilia!

Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Ela tem outro plano para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar, que vou seguir também, como exercício de escrita. A proposta é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

Bom, né? Pra quem tem sempre um livro por perto é baba. E bonito.

Tenho que explicar que eu não sou assim exatamente uma bibliófila. Não tenho amor pelos livros em si, exatamente, apesar de reconhecer que um livro antigo é uma obra de arte... gostaria de ter alguns, mas prefiro uma bota de cowboy pelo mesmo preço. Eu sou louca e viciada é pela leitura. A ponto de sacrificar a integridade dos livros para poder lê-los. Como ilustram as primeiras imagens da série:

Eu amo a leitura, nem tanto os livros...
Sim, eu levei um Virginia Woolf pra areia do Tomás. É que a coisa é assim. Tomás também gosta de "ibo". Então ele tem que mexer nos meus livros antes de eu ler, senão não tenho sossego... ele fica gritando "ás! ás!" [Tomás! Tomás!, ou seja: deixa eu ver, mãe!] e não posso ler até que ele confira antes. Como não tem figura nem mapas - com um Cornwell ou GRR Martin é mais complicado - ele larga rapidinho, assim:

Reparem na caminhonetinha, veio
de brinde numa roupinha da puc e eu
uso como marcador, fofíssima!
E a areia é o único lugar onde ele se diverte sozinho por tempo suficiente para que eu possa ler um tantinho. Foram 15 deliciosas e contadas páginas. E taí uma das grandes vantagens do livro de papel sobre os e-readers. Já imaginaram um kindle aí enterrado na areia? Só precisei balançar e assoprar um tantinho o Woolf e tava novinho!!! Sem falar que o kindle não seria devolvido em tão pouco tempo...

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Mais meme literário:

- Meme literário de um mês do Happy Batatinha

Blogs de quinta sobre livros:

- Livrada! do Yuri

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Mais literatura:

- A melhor HQ de 1980
Desafio Literário 2012
- Livros para ler em 2012