19 de janeiro de 2012

Blog de quinta: esses livreiros, esses clientes!

Então, descobri a pouco tempo que os livreiros estão fazendo blogs reunindo as "pérolas" dos seus clientes. Tem coisas muito engraçadas, como no manual prático de bons modos em livraria, que conta a história de uma pessoa procurando pela biografia do Sherlock Holmes, como se ele tivesse vivido de verdade. E essa listinha,  de títulos misturados? Ou então, essa história aqui, de outro blog, o "This is not the six word novel" (eu traduzi mazomeno):

"Cliente: Qual é o primeiro livro do Harry Potter?
Eu: A Pedra Filosofal.
Cliente: E o segundo?
Eu: A Câmara Secreta.
Cliente: Vou levar A Câmara Secreta. Eu não quero A Pedra Filosofal.
Eu: Você já leu esse?
Cliente: Não, mas eu sempre achei que nas séries de livros eles levam um tempo para realmente começar. Eu não quero perder meu tempo com coisas introdutórias inúteis do começo.
Eu: A história em Harry Potter realmente começa direto. Pessoalmente, eu comendo que você comece com o primeiro livro - e ele é muito bom.
Cliente: Você trabalha com comissão?
Eu: Não.
Cliente: Certo. Quantos livros são no total?
Eu: Sete.
Cliente: Exato. Eu não vou gastar meu dinheiro e meu tempo no primeiro livro quanto tem tantos outros pra comprar. Vou levar o segundo.Uma semana depois, o cliente retorna.
Eu: Oi, você quer comprar uma cópia do Prisioneiro de Azkaban?
Cliente: O quê é isso?
Eu: É o livro depois de A Câmara Secreta.
Cliente: Oh, não, definitivamente não. Eu achei aquele livro muito confuso. Eu pergunto a você, como as crianças conseguem entendê-lo se eu não? Eu digo, quem diabos é esse tal de Voldemort? Não. Eu não quero mais nem saber do resto.
Eu: .... certo."


Como vocês podem ver, tem gente que realmente se supera! Mas no geral, são histórias de pessoas que entram na livrarias perdidas, procurando um livro que não sabem bem ao certo qual é. Neste caso, como uma quase-bibliotecária que tinha a vocação mas não a disposição, eu acredito que é de se juntar as mãos ao céus, agradecer e procurar transformar o pouquinho de interesse que a pessoa tem por esse livro numa paixão sólida e constante. Afinal, quando se vive de vender livros, ou emprestá-los, todo cliente, ou usuário, que for bem tratado, volta.

É a busca pelo cliente ideal. Aquele ser culto, que conhece todos os Prêmios Nobel de Literatura, que sabe soletrar e pronunciar os nomes dos autores estrangeiros e sabem exatamente em que seção está classificado cada livro. Algumas histórias me deixam mais triste do que feliz.

Por exemplo, no tumblr português "A livreira Anarquista", tem essa história:
"— Eu queria um dicionário tipo símbolos para mandar mensagem em código daqueles para quem apanhar o que escrevo não perceber nada do que está lá…
— Se esse é o objectivo, acho que não precisa de mais nada, caro freguês. Já não se percebe muito do que diz de qualquer maneira. Faço ideia por escrito."
Vem cá, o gajo quer um livro de códigos! É difícil ajudar o rapaz sem fazer chacota, o pá!?

Ou no manual mesmo, essa história, do cara que queria só xerocar as últimas páginas do livro que vieram em branco. Realmente, não custava nada xerocar pro cara. E vejam só, tem até um livro sobre isso, se chama "Serviço de Pós Venda".

Ou então essa outra, do manual também. A pessoa pegou o "1001 livros para ler antes de morrer" e ficou feliz que era um livro de resumos. Poxa, não é um dos livros mais legais pra quem tem preguiça de ler? Vai ler um monte de resenha e quem sabe se interessa por um ou outro? E vem comprar? Mas não, né, "o livreiro opta pela audição seletiva, ignora a sua pergunta e sai andando como se não houvesse amanhã".

Hein?!

Vendedores estão carecas de saber que não se faz piada com o desconhecimento dos clientes... Se fulano chega perguntando coisas sem pé nem cabeça sobre um produto, a função do vendedor é informá-lo sobre tudo o que ele quer saber. Com tão pouca gente que lê no Brasil, se a pessoa tem um mínimo interesse em algum livro ou autor, o melhor a fazer é iniciá-lo nas artes, não é? Pro livreiro isso seria primordial, já que seria um freguês a mais.

Eu não sei vocês, mas ler um blog tirando sarro de pequenos equívocos que qualquer um pode cometer dá muita vontade de nunca mais pisar numa livraria. Já se pode comprar todo tipo de livro pela internet, um livreiro só é útil se tiver paciência e boa vontade com nossas dúvidas e certezas equivocadas.

E eu digo até, se for o caso, procurar um livro esgotado em livrarias concorrentes e sebos. Se o cara tiver essa atitude comigo: "olha, o livro está esgotado, eu não tenho, mas vou te ajudar a achar em outra livraria ou sebo..." Eu me apaixono e nunca mais vou em outro lugar! O livreiro ideal não quer só vender livros. Ele é a aquela pessoa que encontra sua vocação em fazer os outros lerem...

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4 comentários:

  1. Eu gostava muito do "manual prático...", mas de uns tempos pra cá tô achando que ela anda meio arrogante, com essas histórias de deboche com os clientes, e nem tenho mais achado tanta graça. Pena, porque as histórias de lá eram muito boas!

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  2. João, eu também gostei muito no começo, mas começou a virar tiração de sarro com o desconhecimento alheio... aí não gostei mais.

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  3. Concordo que algumas histórias do "Manual prático..." são debochadas demais, mas eu rio muito com o blog.


    Mas a maioria dos contos não é assim tão desrespeitosa, mostra muitos fregueses são realmente sem noção, e eu gosto de ver como algumas pessoas tentam ser melhores depois de ler alguns posts.

    Abraços!

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  4. sharon, beijo no coração. <3

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