29 de fevereiro de 2012

A cor do meu mundo...

Minha resposta pra promoção do João lá do Fósforo foi a vencedora! Até que ficou boa:
Meu mundo é branco, como um círculo de Newton girando a toda velocidade. Se alguma hora eu parar, todas as cores aparecem. Mas não tenho tempo de parar e tudo está sempre branco. Branco pra começar e pintar algo novo, mas logo que eu pinto, a cor gira e se mistura com as outras. Branco… de novo. Meu mundo é doido e certo.
Yupii! Like this:


O prêmio é supimpa! Um kit chiquetérrimo do livro "Um mundo brilhante", de T. Greenwood, e a história é boa, segundo o João e outros resenhistas tarimbados. Angustiante e triste, mas livro bom nem sempre é alegre como um disco de Newton, né? Quando eu terminar de ler, conto pra vocês. 

Minhas outras experiências com concursos desse tipo não foram legais até agora. Num concurso de redação entre as escolas de Erechim, sobre família,  fiquei em segundo lugar. Explodindo de alegria fui receber o prêmio, com uma professora e tcharã! Disco do Padre Zezinho. Esse que tem a música "abençoa senhor as famílias amém, abençoa senhor, a minha também". Uau. Nunca ouvi. Dei pra alguém, sei lá. Depois, segundo lugar também, num concurso de crônicas no Cefet e empolgadinha fiquei esperando sair um famigerado livro com as crônicas vencedoras... ah. Nunca saiu. Desiludi. Nunca mais participei de nada.

Mas na verdade eu nunca tinha tido uma inspiração tão boa. Colocar a pergunta no monitor do trabalho ajudou bastante. Já tem uma pergunta nova ali, mas é BEM mais difícil. "O que é paixão?". Valendo um livro da Hilda Hilst. Ufa. Por enquanto não "baixou" nada. É que é tanto giro que estou meio ocupada pra me apaixonar por qualquer coisa. Opa! Taí, tá vindo a resposta... deixa eu ir me concentrar... Ommmm... Ommmm...

A mulher do viajante do tempo - Audrey Niffenegger

Primeiro livro de junho e quinto do ano do Desafio Literário 2012. Minha edição é da Objetiva, 2011, 654 páginas. Tradução de Adalgisa Campos da Silva.

Ei! Primeiro livro de junho? É... eu estava lendo meio que por obrigação a Ana Karênina (eu sempre, sempre, falei Karenína) e o Dom Quixote. Nenhum estava me dando tesão. Dom Quixote, na verdade, está me "arrepunando" de tanta angústia. Então ele soltou Ali Babá e os quarenta ladrões? Não acredito nisso... E o Tolstoi é um pouquinho tedioso. Queria ler com o corpo todo, alguma coisa que me fizesse pirar um pouquinho. Larguei tudo e catei um que eu imaginava que iria gostar. Aí fui pra junho, li, voltei pra minha timeline do presente e estou aqui contando como é o livro pra vocês.

Clare criança e senhor Henry no Campo.
Sim, tem um clima tenso.
É um best seller, bem desses que o Fábio não gosta de ler. A wikipedia diz que, até março de 2009 (antes do filme, que é de agosto daquele ano) já tinha vendido 2,5 milhões de cópias só nos EUA e no Reino Unido. Por enquanto ainda tá valendo a pena comprar o novo. O mais barato é R$ 24,00,  e em sebos tá saindo entre R$ 17,00 e R$ 40,00, dependendo a edição e a editora. No skoob a nota é 4.4 (u-hu!) e no goog reads, 3,91 (nada mal...)

Conheci o livro pelo filme. Peguei um pedacinho dele entre um canal e outro, mas só comecei a assistir mesmo da cena do casamento pra frente. Ãn fãn. Vou falar bastante sobre o enredo, eu não ia contar spoilers, mas acabei contando. Gatinhos e letras vermelhas avisam vocês, não se preocupem. Podem ir lendo.

Uma das primeiras capas deixava
a tensão bem clara!
A história é que Henry tem essa condição genética que força viagens no tempo. Meio nada a ver, cientificamente estronha, mas eu gosto de livros com dragões, né não? Então vamos fazer de conta que essa viagem desse jeito é um dragão. Ele vai a qualquer hora, sem aviso, sem poder controlar em nada o salto. Some do presente e reaparece em certo local, certa hora, peladão. Porque nada do que ele está carregando ou usando vai com ele. Ele chega a arrancar um dente porque a restauração sempre fica no presente e encheu o saco fazer de novo e de novo.

Clare é a "mulher do viajante no tempo" do título. O primeiro encontro com Henry é numa dessas viagens. Ela está no Campo, uma clareira da propriedade da família onde vai passar um tempo sozinha de vez em quando. Mas é esquisito. Ela tem 6 anos de idade e ele, 36. Ele já a conhece do futuro. Ela nunca o viu mais pelado antes. Bom, ele é educado e não aparece constantemente pelado pra menininha, pede que ela lhe empreste a toalha do piquenique e deixe umas roupas por ali, de reserva. E por uma maluquice de seja lá quem for que rege as viagens no tempo de Henry (a Audrey, obóvio), ele vem várias vezes para o Campo e encontra Clare por muitos anos. Doze. Até o aniversário dela de 18 anos.

É, dr. Brown! Nós aprendemos a lição direitinho,
esse gráfico não saiu da minha cabeça durante
a leitura do livro.
Só que a primeira vez em que Henry vê Clare no seu presente, na sua linha de tempo "real" (valeu, dr. Brown!), é quando ela vai procurar um livro específico na biblioteca onde Henry trabalha. Ela tem 20 anos e ele 28. Até então, ele nunca a viu na vida. Percebem? Ela o encontra por 12 anos seguidos, de tempos em tempos, constrói uma amizade, se apaixona, tchururu e ele nem sabia que ela existia! Está lá, na boa, vida tranquila de emprego bem pago, mulheres mil, punk rock ao vivo e à vontade, drogas e bebida e tudo mais. De repente aparece essa moça que sabe muito sobre ele e sobre o futuro dele. Inclusive já sabe que eles vão se casar. Deixa qualquer um meio doido...

Antes de continuarmos, pausa pros gatinhos dizendo que tem spoiler daqui pra frente:


E tudo vai caminhando a partir daí. Seguimos mais ou menos o tempo presente, com as óbvias viagens no tempo do Henry nos contando mais sobre o passado dele e sobre os encontros com Clare no Campo. Mesmo que Henry nunca realmente abuse dela, ele obviamente a seduz, e muito. Então esse sufoco que começou meio Lolita, o homem maduro que se envolve com a menininha piora. Gravemente. Clare fica presa no relacionamento, presa na espera. "Eu não o escolhi, ele não me escolheu". Pobrezinha, alguém tem que avisar a ela que o adulto sempre tem escolha. Sempre. Ele não precisaria dar um caderno a ela com todos os dias em que iria aparecer no campo. Assim ela não iria esperá-lo em cada dia. E assim por diante. Henry é ativamente culpado pelo "amor sem escolha" da Clare.

Montagem com várias capas, na resenha da Mônica.
Ela leu um livro bem mais romântico do que o que eu li.
Então ela espera mesmo quando não DEVERIA. Se apaixonar em criança por um homem que promete se casar com você, sem que você tenha dúvidas disso torna a pessoa uma grande maluca. Clare beira o suicídio ao tentar, ao custo de seis abortos, ter um filho. Tem que ser DELE. Hein? Dragões, lembram? Mas se for pra levar a sério é como uma purgação da paixão proibida. Como história de amor o livro é assustador. A devoção sem fim ao eterno amado passa do brega e vira obsessão. Terror psicológico disfarçado de Sabrina.

Outra capa, agora remetendo
às mulheres de marinheiros...
essas sabiam MESMO esperar.
Tem mais coisas que me incomodaram. A vida idílica da mãe do Henry quando ele é bebê e até os cinco, seis anos, mais ou menos. Como assim, sempre sorrindo? Como assim, sempre feliz? Sempre alegre? Que pílula ela tava tomando? Ou o Henry era muito quietinho e comportado e imune a doenças? Bom, ela tinha uma vizinha / senhoria / babá / cozinheira perfeita (outro dragão) Sempre, sempre, sempre feliz? Devia ter um parafuso meio frouxo a tal senhora.

E eu acho que já passamos dessa fase "início de século", quando o bom era ser artista blasé intelectual poser. Lembram deles? Escrevendo "Afff..." e "Humpf" pra demostrações animais de humanidade? É, eu lembro. O livro é de 2003, quando gastronomia, arte e decoração eram o tesão do mundo e vendia livro de qualquer coisa, até chick lit de viagem no tempo. Agora enchem o saco. Pulei um tantinho essas partes, mas confesso que gostei quando o blábláblá era sobre livros e punk rock. Os trechinhos com punk renderam dois posts legais. Um já saiu, a lista de bandas do Henry.

Audrey, sua intelectual
poser... tão anos 2000!
Só que aí eu vejo no good reads povo dichavando o livro porque as personagens femininas são estereotipadas, tem a mammy, tem a oriental zen, tem a poeta wanabee rica e depressiva. Que a família da Clare tem cinco empregados (eu não tinha contado!) e que isso é coisa do século retrasado. E é mesmo, pelo menos nos EUA. Aqui é até comum por isso acho que não reparei tanto. Cozinheira de família fazendo receita de peru de 48 horas? Que trabalham durante a ceia de Natal ao invés de ir pra casa com a família? E não, espere, tem mais: pra família poder ir na missa do galo, a governanta passa a noite de natal inteira em vigília à patroa em crise. E daí eu fico pensando se não era a intenção da autora deslocar um pouco o tempo de todo mundo e lambuzar nossas referências, como se todos os personagens fossem, no fim das contas, um pouco viajantes no tempo também. Se for isso mesmo, eu tenho que aplaudir. Mas parece que não é, é pura norarobertice mesmo.

Mas eu gostei do livro, que pra mim acabou sendo um bom suspense psicológico. E chega de resenha!

Três estrelinhas. Em cinco.

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Mais Desafio Literário 2012:


- Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout


Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
Minha estante e sir Bernard Cornwell;

28 de fevereiro de 2012

De novo, a mesa! 52 x 5 - 9a. semana


1. Johnny Cash
2. Debbie Harry
3. Bertrand Russel
4. Isaac Asimov
5. Zélia Gattai

São os 5 mais inacessíveis do meu jantar dos sonhos. Meryl Streep e Lygia Fagundes Telles estão vivas ainda... Debby também, ainda bem, mas entre as vivas é a que eu mais gostaria de topar um dia.

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:


Citações do punk rock
5 coisas que me fazem ficar feliz
Eu nunca...
Coisas para fazer no calor

26 de fevereiro de 2012

Aula de punk rock, por Henry DeTamble

Trecho de "A mulher do viajante no tempo", Audrey Niffenegger. Resenha em breve.


páginas 265 a 269.


Bobby e Jodie são um casal de 14 anos vestido de punks em 1991. Henry se encanta com os "punks mirins" e vai falar com eles. Clare está narrando e [eu estou entre colchetes]:

- Oi - diz Henry, muito envergonhado. - Eu só estava curioso, quer dizer, me perguntando o que é que vocês ouvem.
- Ouvem? - repete Bobby.
- É, de música. De que tipo de música vocês gostam?
Bobby se anima.
- Bom, dos Sex Pistols - diz e faz uma pausa.
- Claro - diz Henry, concordando com a cabeça. - Do Clash?
- É. E, ééé... do Nirvana...
- O Nirvana é bom - diz Henry.
- Do Blondie? - diz Jodie, como se sua resposta pudesse estar errada.
- Eu gosto do Blondie - digo. - E o Henry gosta da Deborah Harry. [eu também, Henry! muito! será que você chegou a ver ela cantando agora?]
- Ramones? - diz Henry. Eles fazem que sim com a cabeça ao mesmo tempo. - E a Patti Smith? - a cara de Jodie e Bobby fica inexpressiva.
- Iggy Pop?
Bobby faz que não com a cabeça.
- Pearl Jam - sugere
Intervenho.
- Aqui não tem uma rádio que seja muito boa - digo a Henry. - Não tem como eles descobrirem essas coisas. [em Pato Branco também não, mas Real Wild Child todo mundo daqui conhece:]
- Ah - diz Henry. Faz uma pausa. Olha, vocês querem que eu anote algumas coisas pra vocês? Pra ouvir? - Jodie dá de ombros. Bobby faz que sim com a cabeça, com uma cara séria e empolgada. Cato papel e caneta na bolsa. Henry senta à mesa da cozinha, e Bobby senta à sua frente. - Tudo bem - diz Henry. - Você tem que voltar aos anos 60, ok? Começa com o Velvet Underground, em Nova York. Aí, aqui em Detroit, tem o MC5 e Iggy Pop e os Stooges. Depois, voltando a Nova York, tinha New York Dolls, Heartbreakers...
- Tom Petty? - diz Jodie - A gente já ouviu falar.
- Ahn, não, essa era uma banda totalmente diferente - diz Henry. - Quase todos eles morreram nos anos 80. [Bobby e Jodie, é isso aqui, ó:]
- Desastre de avião? - pergunta Bobby.
- Heroína - corrige Henry. - De qualquer forma, tinha o Television, e Richard Hell e os Voidois, e a Patti Smith.
- Talking Heads - acrescento.
- Hmmm. Sei lá. Você acha que eles são mesmo punks?
- Eles estavam lá.[e eu não, mas ganhei uma música deles do Charles uma vez. Também não tenho certeza se é punk, mas vocês conhecem essa. Aliás, que estilão Clark Kent do David Byrne, né? Ele mudou...]

- Tudo bem. - Henry os inclui na lista. - Talking Heads. Aí a gente vai para a Inglaterra...
- Pensei que o punk tivesse começado em Londres - diz Bobby.
- Não. Claro - diz Henry empurrando a cadeira para trás -, algumas pessoas, inclusive eu, acham que o punk é só a manifestação mais recente disso, desse espírito, desse sentimento, sabe, de que as coisas estão tão erradas que único jeito é ficar repetindo foda-se bem alto até alguém parar a gente. [ou não... sempre dá pra ser sedado.]
- Sim - diz Bobby tranquilamente, a cara brilhando com um fervor quase religioso embaixo do cabelo espetado. - Sim.
- Você está corrompendo um menor - digo a Henry.
- Ah, ele iria chegar lá de qualquer maneira sem mim, não? [depois do youtube, com certeza!]
- Ando tentando, mas aqui não é fácil.
- Deu pra perceber - diz Henry. Ele está aumentando a lista. Olho pro cima de seu ombro. Sex Pistols, Clash, Gang of Four, Buzzcocks, Dead Kennedys, X, Mekons, Raincoats, Dead Boys, New Order, Smiths, Lora Logic, Au Pairs, Big Black, PiL, Pixies, Breeders, Sonic Youth... [dessas, eu acho que Buzzcocks é uma desconhecida do pessoal não-punk do Brasil. Pelo menos eu só fui descobrir muito, muito tempo depois das outras, de saber que era de punk que eu gostava. Não tinha nenhum single deles em rádios patobranquenses, mas tem coisa muito fofa e pop facinho que o papai a mamãe vão curtir... como essa. ops! o vovô e a vovó, agora né? eu tenho um filho, então não sou mais filha... . Detalhe pro nome do programa:]
- Henry, eles não vão conseguir arranjar nada disso aqui. - Ele faz que sim com a cabeça, e anota o telefone e o endereço do Vintage Vinyl no pé da página.
- Você tem toca-discos, certo?
- Meus pais têm - diz Bobby. Henry tava.
- Do que você gosta de verdade? - pergunto a Jodie.
Tenho a impressão de que ela ficou fora da conversa durante o ritual de camaradagem masculina entre Henry e Bobby.
- Prince - ela admite.
Henry e eu deixamos escapar um grande U-hu! Começo a cantar 1999 o mais alto que posso, Henry dá um pulo da cadeira e estamos os dois rebolando pela cozinha. Laura ouve e corre para pôr o disco propriamente dito e assim, do nada, a festa faz jus ao nome. [? Prince, 1999, ok. Não gostei muito.] 
[Henry está narrando agora]

Estamos voltando para a casa dos pais de Clare da festa de Laura. Clare diz:
- Você está muito calado.
- Eu estava pensando naqueles garotos. Os punks mirins.
- Ah sim. Pensando o quê?
- Eu estava imaginando o que fez aquele garoto...
- Bobby.
- ...Bobby, voltar para trás, se amarrar numa música que foi feita no ano em ele nasceu...
- Bom, eu gostava mesmo dos Beatles - ressalta Clare. - Eles se separaram um ano antes de eu nascer. [Eu gosto MESMO dos Beatles. Essa eu conheci comendo lasanha congelada na casa de um ficantinho muito apaixonado por eles, no século passado.]
You're never too old to
be punk rock!
Do Advanced Style
- Pois é, como é que é isso? Você tinha que ficar de quatro pelo Depeche Mode ou o Sting, alguém assim. O Bobby e a namorada deviam ouvir Cure [Cure é muito, muito bom, a propósito] se querem se fantasiar. Mas, em vez disso, eles caíram nesse movimento, o punk, de que não sabem nada...
- Tenho certeza de que é principalmente para irritar os pais. A Laura estava me contando que o pai dela não deixa a Jodie sair de casa vestida daquele jeito. Ela põe tudo na mochila e muda de roupa no banheiro da escola - diz Clare.
- Mas era isso o que todo mundo fazia, naquela época. Quer dizer, tem a ver com a afirmação do individualismo, eu entendo isso, mas por que eles estão afirmando o individualismo de 1977? Eles deviam estar usando flanela xadrez.
- Por que você liga para isso? - diz Clare.
- Isso me deprime. Serve para lembrar que o momento a que eu pertencia já era e, além do mais, foi esquecido. Nenhuma dessas músicas toca no rádio, não entendo por quê. É como se nunca tivesse acontecido. Por isso fico empolgado quando vejo a molecada se fingindo de punks, porque não quero que isso tudo simplesmente desapareça.
Sharon Caleffi também não quer que o punk desapareça.

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24 de fevereiro de 2012

Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet


Segundo livro de fevereiro e quarto do ano do Desafio Literário 2012. Edição da Ciranda Cultural, com adaptação de Guilhaume Frolet, ilustrações do estúdio Escletxa e tradução de Angela das Neves.

A história original é de Carlo Collodi e pode ser acessada gratuitamente aqui, em italiano e português. É um português meio estranho, automático, mas italiano não é tão difícil assim, pelo menos não escrito. Dá pra tirar dúvidas no original ou ler no original e tirar dúvidas no português. Vou ler a original também, que tenho a impressão que só li adaptações na vida. Eu não lembro.

Página do livro no site do Escletxa
O livro é lindo. O tamanho grande e as ilustrações fizeram o Tomás se apaixonar. Quis levar o "óquio" pra creche hoje, adora o "tio" Gepeto e ficou maravilhado com tudo. Eu também, as ilustrações são incríveis e foi exatamente por causa delas que comprei o livro. O legal é que estão todas no site do estúdio. Mas os chatos fizeram o site em flash... não dá pra linkar direto a página do livro. Para entrar nela, a partir da página principal, tem que selecionar, no menu superior, "book" e depois, no lateral esquerdo "illustrant contes". Pinóquio é o terceiro da segunda linha.

Para a adaptação foram usados uns "jeitinhos" que não me agradaram muito. O grilo falante só aparece na metade da história:
"Um grilo que estava acompanhando o boneco desde o começo da nossa história avisou Pinóquio"
A página preferida do Tomás, tem cinco gatinhos e o grilo ali, bem ali!

E o que eu mais gosto, o nariz, só aparece uma vez... cresce e encolhe na mesma página, que começa com esse recurso tão bobo e clichê: o "belo dia".

Mentiu, cresceu e encolheu, tudo junto, rápido demais e "num belo dia"
Mas a ilustração é linda!
Snif. Infelizmente, a Yolanda Reyes, da revista Emília, tem toda razão:
Alice no país das maravilhas, de Carroll,Pinóquio, de Collodi, Peter Pan e Wendy, de Barrie são novelas complexas e muito lindas e devem ser lidas no seu devido tempo. Ler essas obras resumidas em continhos de poucas páginas é como ler A Odisseia em um resumo de escola. É melhor que a criança possa desfrutar de toda a riqueza da obra quando crescer um pouco mais. 
"Mesmo se o livro for lindo?" Eu pensei na hora em que li isso, porque já tinha visto essa adaptação e estava me coçando pra comprar:  É, gente, mesmo se o livro for lindo, não tem jeito. Adaptação não se compara com o original, exceto as exceções (Benjamin Button é uma das poucas. O Ricbit acha que Blade Runner é outra). Comprei e torci, ai!, o braço.

A minha página preferida, a raposa e o gato golpistas...
Será que vale os R$ 29,90? Mesmo um pouco decepcionada com o texto, achei bem pagos, dá vontade de encomendar uma moldura e pendurar na parede, virando a página de vez em quando. Quando o Tomás enjoar do livro, é pra lá que ele vai.

Três estrelinhas. Em cinco.

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Mais Desafio Literário 2012:


Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout


Mais literatura infantil:



21 de fevereiro de 2012

Os melhores filmes infantis - 52 x 5 - 8a. semana


1. Os incríveis, Disney/Pixar.
2. O estranho mundo de Jack, Touchstone.
3. A fuga das galinhas, Dreamworks;
4. Todos os cachorros merecem o céu, MGM.
5. ET, o Extra-terrestre, Universal.

Tem muitos, muitos, muitos filmes lindos e emocionantes. É muito difícil fazer essa lista.

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:


Citações do punk rock
5 coisas que me fazem ficar feliz
Eu nunca...
Coisas para fazer no calor

17 de fevereiro de 2012

Hoje a história não é alegre...

Não tem como falar disso de forma leve. Não estou nem conseguindo resumir a história, que me sufoca pelo horror. Leiam aqui.


Estas são a Isabela, professora, 27 anos, e a Michelle, 29 anos, recepcionista. Elas foram mortas no último domingo, 12 de fevereiro, por seus estupradores. Assassinadas porque conseguiram tirar o capuz dos criminosos: eram seus amigos.

Acredito que podemos fazer com que o mundo do Tomás seja menos violento para as amigas dele. Que ele não veja notícias como essa daqui a 30 anos, fotos de mulheres estupradas e assassinadas pelos próprios amigos, em um crime premeditado como presente de aniversário.

Ensinando aos nossos filhos que o corpo das pessoas é só delas. Que ninguém, nem pai, nem mãe, nem professor, nem namorado, nem marido - pode bater, pode machucar, pode passar a mão na bunda de outra pessoa se ela não quiser.  "Querer" não é usar decote, não é usar saia curta, calça apertada, salto alto, maquiagem. Que "querer" é paquera, é diversão, é dar risada, é sorrir.

Não estupre. Não deixe estuprarem. Não julgue a vítima. Nunca minimize um estupro. Se não evitarmos estupros como o de Queimadas - os caras sabiam que era um crime bárbaro e fizeram de tudo para se safar... eles sabiam muito bem o que estavam fazendo. Podemos evitar a violência doméstica, os estupros de vulneráveis, os estupros de "oportunidade", os estupros "ah, mas ela tava querendo antes, desistiu, então eu forcei" ou "ela deu pra todo mundo, menos pra mim, então peguei a força". Sexo é livre. Estupro não é sexo.

Este post faz parte da blogagem coletiva do Blogueiras Feministas em repúdio ao caso do estupro e assassinato como presente de aniversário.

14 de fevereiro de 2012

Eu sempre... 52 x 5 -7a. semana

1. Acho que tomei todo o cuidado necessário -  mas às vezes, não tomei.
2. Acho que estou repetindo a história pra pessoa, mesmo que seja a primeira fez que estou contando.
3. Troco "entrada" por "saída" na hora de bater o ponto no PDA do IBGE e dá um trabalhão pra arrumar no final do mês;
4. Tenho dificuldades pra manobrar o carro, principalmente de ré.
5. Tomo café com leite de manhã, ao acordar.

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:


Citações do punk rock
5 coisas que me fazem ficar feliz
Eu nunca...
Coisas para fazer no calor

12 de fevereiro de 2012

Cervantes, um feminista?


Sem pesquisar nadinha, sem averiguar, sem discutir com as colegas, só com um trecho do volume 1 de Dom Quixote, disponível na tradução hoje difícil dos viscondes em domínio público.

Marcela foi uma moça do século 17 que resolveu ser livre. Órfã de pais ricos (privilégio 1) e criada por um bom tutor (privilégio raríssimo 2), decidiu viver como pastora de ovelhas e aproveitar uma vida saudável pelos campos. Por sua beleza (privilégio 3) e pureza (leia-se: virgindade, privilégio 4) todos se encantam e um bom moço, poeta, se suicida. Todos os amigos do rapaz a culpam, a chamam de bandida, de malvada, de cobra, de má, de bruxa. Pois foi ruindade sua não corresponder ao amor do moço, não dar alívio às angústias apaixonadas daquela alma, siriri, sororó... Até que ela aparece no enterro do apaixonado e se sucede o conseguinte:

Por cima da penha, a cujo sopé se cavava a sepultura, apareceu a pastora Marcela, tão formosa, que até a sua fama escurecia. Os que ainda a não tinham visto encaravam nela com admiração e silêncio; e os que já estavam acostumados a vê-la não ficavam menos atônitos que os outros. Ambrósio, tanto como a avistou, disse num ímpeto de indignação:
— Vens experimentar, fero basilisco destes montes, se com a tua presença verterão ainda sangue as feridas deste miserável, a quem a tua crueldade tirou a vida? ou vens vangloriar-te, contemplando as cruéis façanhas da tua índole? ou desejas observar dessa altura, como Nero o incêndio de Roma, os efeitos da tua barbaridade? ou pisar arrogante este desastrado cadáver, como a ingrata filha fez ao de Sérvio Túlio? Dize já a que vens, ou o que é que mais te agrada, que por eu saber que os pensamentos de Crisóstomo nunca em vida deixaram de te obedecer, farei que, ainda depois da sua morte, por ele te obdeçam os que se chamaram, e foram seus amigos.

  — Não venho, Ambrósio, a nada disso que dizes — respondeu Marcela — venho só a defender-me, e mostrar quão fora de razão andam todos os que me culpam do que penam, e da morte de Crisóstomo. Por isso, rogo a quantos aqui sois me atendais, que não será necessário muito tempo, nem muitas palavras, para persuadir de tão clara verdade os assisados. Fez-me o céu formosa, segundo vós outros encareceis; e tanto, que não está em vossa mão o resistirdes-me; e, pelo amor que me mostrais, dizeis (e até supondes) que esteja eu obrigada a corresponder-vos. Com o natural entendimento que Deus me deu, conheço que toda a formosura é amável; mas não entendo que em razão de ser amada seja obrigada a amar, podendo até dar-se que seja feio o namorado da formosura. Ora sendo o feio aborrecível, fica muito impróprio o dizer-se: “quero-te por formosa; e tu, ainda que eu o não seja, deves também amar-me”. Mas, ainda supondo que as formosuras sejam de parte a parte iguais, nem por isso hão-de correr iguais os desejos, porque nem todas as formosuras cativam; algumas alegram a vista, sem renderem as vontades. Se todas as belezas enamorassem e rendessem, seria um andarem as vontades confusas e desencaminhadas, sem saberem em que haviam de parar; porque, sendo infinitos os objetos formosos, infinitos haviam de ser os desejos; e, segundo eu tenho ouvido dizer, o verdadeiro amor não se divide, e deve ser voluntário, e não forçado. Sendo isto assim, como julgo que é, por que exigis que renda a minha vontade por força, obrigada só por dizerdes que me quereis bem? Dizei-me: se, assim como o céu me fez formosa, me fizera feia, seria justo queixar-me eu de vós por me não amardes? E de mais, deveis considerar que eu não escolhi a formosura que tenho; que, tal qual é, o céu ma deu gratuitamente, sem eu a pedir nem a escolher; assim como a víbora não há-de ser culpada da peçonha que tem, posto matar com ela, em razão de lhe ter sido dada pela natureza, tão pouco mereço eu ser repreendida por ser formosa, que a formosura na mulher honesta é como o fogo apartado, ou como a espada aguda, que nem ele queima, nem ela corta a quem se lhes não aproxima. A honra e as virtudes são adornos da alma, sem os quais o corpo não deve parecer formoso, ainda que o seja. Pois se a honestidade é uma das virtudes que ao corpo e alma mais adornam e aformosentam, por que há-de perdê-la a que é amada por formosa, para corresponder à intenção de quem, só por seu gosto, com todas as suas forças e indústrias, aspira a que a perca? Eu nasci livre; e para poder viver livre escolhi as soledades dos campos; as árvores desta montanha são a minha companhia; as claras águas destes arroios, meus espelhos; com as árvores e as águas comunico meus pensamentos e formosura.
Sou fogo, mas apartado; espada, mas posta longe. Aos que tenho namorado com a vista, tenho-os com as palavras desenganado; e se os desejos se mantêm com as esperanças, não tendo eu dado nenhuma a Crisóstomo, bem se pode dizer que o matou a sua teima, e não a minha crueldade; e se se me objeta que eram honestos os seus pensamentos, e que por isso estava obrigada a corresponder-lhes, digo que, quando, neste mesmo lugar, onde agora se cava a sua sepultura, me descobriu a bondade dos seus intentos, eu lhe respondi e declarei que os meus eram viver em perpétua soledade, e que só a terra gozasse o fruto do meu recolhimento, e os despojos da minha formosura; e se ele, com todo este desengano, quis aporfiar contra a esperança, e navegar contra o vento, que muito que se afogasse no meio do golfão do seu desatino!? Se eu entretivera, seria falsa; se o contentara, desmentiria a melhor intenção e propósito. Desenganado, teimou, desesperou sem ser aborrecido. Vede agora se é razão que da sua culpa se me lance a mim a pena. Queixe-se o enganado, desespere-se aquele a quem faltaram esperanças que tanto lhe prometiam. O que eu chamar, confie-se; o que eu admitir, ufane-se; porém não me chame cruel nem homicida aquele a quem eu não prometo, nem engano, nem chamo, nem admito. O céu por ora não tem querido que eu ame por destino; e o pensar que hei-de amar por eleição é escusado. Este desengano geral sirva a cada um dos que me solicitam para seu particular proveito; e fique-se entendendo daqui avante que, se algum morrer por mim, não morre de zeloso, nem desditado, porque quem a ninguém quer a ninguém deve dar ciúmes; desenganos não se devem tomar por desdéns. 
O que me chama fera e basilisco, deixe-me como coisa prejudicial e ruim; o que me chama ingrata, não me sirva; quem me julga desconhecida, que me não conheça; quem desumana, que me não siga. Esta fera, este basilisco, esta ingrata, esta cruel, e esta desconhecida, nem os há-de buscar, nem servir, nem conhecer, nem seguir de modo algum. Se a Crisóstomo o matou a sua impaciência e arrojado desejo, por que se me há-de culpar o meu honesto proceder e recato? Se eu conservo a minha pureza na companhia das árvores, por que hão-de querer que eu a perca na companhia dos homens? Tenho riquezas próprias, como sabeis, e não cobiço as alheias; tenho livre condição, e não gosto de sujeitar-me; não quero nem tenho ódio a pessoa alguma; não engano a este, nem solicito a aquele; não me divirto com um, nem com outro me entretenho. A conversação honesta das zagalas destas aldeias, e o trato das minhas cabras, me entretêm; os meus desejos têm por limites estas montanhas; e, se para fora se estendem, é para contemplarem a formosura do céu. São estes os passos contados, por onde a alma caminha para a sua morada primeira
Pois então que a moça quer ficar com quem quiser quando bem quiser e se quiser! Cervantes não critica  a Marcela, faz Dom Quixote prometer que vai protegê-la e acaba-se tudo. Mesmo com toda a boa sorte e "pureza honesta" da Marcela, que a torna "mulher merecedora de respeito", é um discurso feminista o "me deixem em paz comigo mesma, não é não?



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Mais Desafio Literário 2012:


- Clara dos Anjos, Lima Barreto
- O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout


Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
Minha estante e sir Bernard Cornwell;

11 de fevereiro de 2012

Lojinha delícia do mês - Gorey House

Mr. Gorey.
O autor e ilustrador infantil mais foda de todo o universo é o americano Edward Gorey, o número um no meu Top 10 (na "primeira edição" eu tinha deixado ele de fora, nem acredito nisso... tirei "O Mágico de Oz", do conterrâneo e corrigi essa falta incrível que cometi)  falecido no ano 2000, tem seus livros publicados e mais um monte de coisinhas vendidas pelo Edward Gorey House, um museu-loja-santuário criado por ele mesmo para proteger e divulgar todas as suas obras.

The Gashly... a obra prima!
A Luani Guarnieri escreveu pro b33p um artigo muito bom sobre o Gorey, com resenha supimpa do "Gashly..." Ótimo pra quem não conhece nada dele. Eu aconselho também a procurar as cópias desautorizadas do "Gashly..." na internet e ler já. Mas até que é fácil importar pela Livraria Cultura: o "Gashly..." que nos EUA tá 10 doletas, sai por R$ 24,50 e tem vários outros livrinhos dele, bem como as coletâneas Amphigorey.

E quem vai disputar comigo uma cópia da primeira edição do outro abecedário dele, o "The eclectic abecedarium". A edição atual está 9,95 dólares, mas não tem a graça desse mini-livrinho delícia, assinado pelo próprio autor e tudo mais que uma obra de arte deve ter. Vontade de COMER! Nem é tão caro assim, por ser primeira edição, fodíssima e tudo mais. Só 650 dólares! Micharia! Se eu tivesse sobrando, comprava hoje mesmo.

Exibição da Boston Public Library
Foto de Sarah Houghton, cc
Teatrinho de papel - 21,95

Acho que, além dos livros (todos!) o que eu mais quero é o teatro de papel do Dracula e o tarô. Mas poutz, é muita coisa. Tem uma seção de joalheria, com pins e brincos e pingentes. Na seção de papelaria, notepads e marcadores! Posters, gravuras e impressos, roupas, sacolas e canecas do Gashlucrumb, uma de cada letra!

É uma loja para endoidecer, eles devem vender muito bem. Não é tããão caro assim, mesmo as gravuras custam menos de mil doletas. Com uns dois mil eu raspava o tacho e levava tudo o que eu gostei. Anos de diversão embasbacada.

É. Maluquice, né? Mas olha se não é imperdível:

gravura "Elephant on Precipice..."900 (A) e 400 (B)
Tarô e gravura:













Pin e caneca:
Pin "Book cat" - 65,90
Caneca "S is for Sharon..." - 12,50











Camiseta e sacola:
Sacola "So many books..." - 19,95

Camiseta infantil "So many books..." - 16,00



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Mais literatura infantil:

10 de fevereiro de 2012

Clara dos Anjos - Lima Barreto

Primeiro livro de fevereiro e terceiro do ano do Desafio Literário 2012. Minha edição é ebook, baixei grátis no site Domínio Público.

Pra quem gosta do livro em papel, no sebo está saindo a partir de R$ 1,00! Uma edição mais elaborada e também crítica, foi lançada na coleção Penguin pela Companhia das Letras, com textos de Sérgio Buarque de Holanda, Lúcia Miguel Pereira e Beatriz Resence. A Cia. também tem uma versão em HQ. Alguns dos desenhos do Lelis, ilustrador dos quadrinhos, estão aqui no post. Outro ilustrador de Clara é o Eduardo Schloesser, mas os desenhos que ele publicou no blog revelam muito do enredo!

Gosto muito dessa imagem. Clara linda
e tímida e o Cassi lá, "sedutor"

Prefácio e aviso: não sei fazer resenha curta!

O pai e a mãe do Cassi sabem 
muito bem quem ele é...
Tinha lido pouca coisa do Barretão. Os contos "Nova Califórnia" e "O homem que sabia javanês" e só. Gostei desses e esqueci do autor. Claro, volta e meia alguém fala dos Bruzundangas e eu penso "preciso ler"! Mas a intenção sempre foi frouxa e acabava esquecendo. Mas então que agora no desafio temos que ler livros com títulos com "nome próprio de pessoa" e só ele. E me lembrei do "Clara dos Anjos".

A leitura correu fácil, ao contrário dos outros que estão empacados esse mês. "Dom Quixote" na tradução dos viscondes, está difícil, pela forma, mas também pelo conteúdo. Devo ter sofrido alguma lavagem cerebral nos últimos tempos... não consigo enxergar humor num velhote maluco que sai atacando pessoas e bichos inocentes achando que são bandidos.  O outro que tentei começar a ler é o "Hannibal" do Thomas Harris. O começo até que foi legal, mas aí ficou tão igual ao filme que perdi a vontade também. Dom Quixote ainda vou persistir, persistir, persistir (musiquinha da Kailan). Mas Hannibal já larguei.
A amiga da irmã dele vai descobrir, 
logo, logo...

Então que terminei rapidinho e gostei bastante. Clara é negra e foi criada debaixo da asa da mãe. O pai é carteiro, ama a filha, mas não tem muito tempo para os cuidados com a menina. Como fica muito presa em casa, ela praticamente só convive com a vizinha, dona Margarida, que a ensina bordados, e dois amigos do pai: seu o padrinho, Marramaque, um velho contínuo aleijado e o Lafões. Pois é o Lafões que inventa de querer trazer para uma festa de aniversário da Clara o Cassi Jones, violeiro e modista.

Pera aí! Cassi Jones? Já ouvi esse nome!

Google que me socorra! Cassi Jones era o personagem do Marcus Winter em Fera Ferida! Ele era filho da Joana Fonn... E também estão na novela a Clara, o pai, a mãe e uma irmã inédita, a Teresinha - vivida pela Camila Pitanga, lembra? Outro personagem da novela que é inspirado no livro é o Ataliba Timbó, que casou com a Ilka Tibiriça, o casal mais amado daquele ano, claro. Com tanta gente boa na cabeça o livro ficou mais divertido. Não é como o Hannibal, que ficou tal e qual, porque o Aguinaldo Silva se inspirou levemente nos personagens e a história segue diferente. Mas, como a novela é de quase 20 anos atrás, 1993, eu não consigo lembrar da cara da Clara... e não tem foto da atriz, Erika Rosa, na internet. Dorga! De qualquer forma, eu imagino a moça assim, uma Sheron Menezes e fica por isso mesmo.
A cidade toda poderia saber,
mas nem todo mundo lê jornal...

Enfim, é uma resenha do livro, não da novela!

Barretão escreve de forma simples e divertida uma história que não é engraçada. É um retrato e um alerta para os problemas vividos pelas jovens negras no Brasil. Apaixonadas pelos rapazes brancos, eram usadas por eles e abandonadas na imensa maioria das vezes. Só cansei um pouco das várias pausas para apresentar os personagens. Explico. Estamos lá, lendo que seu Joaquim, o carteiro, tem uma esposa e uma filha e joga como os amigos. Aí conta a vida do seu Joaquim e dos amigos. Aí o Lafões lembra do Cassi Jones. E conta a vida do Cassi Jones e da mãe dele. Aí o Cassi Jones encontra o Ataliba Timbó e... vida do Timbó. Então Timbó leva uma surra da dona Margarida, a vizinha (isso teve na novela, a dona Margarida era vivida pela Arlete Salles) e... vida da dona Margarida. E vida do dentista, vida do poeta, vida do fulano, do sicrano, do beltrano. Dá pra ver que a intenção do Lima era mostrar uma coleção de gente também, e não só uma tragédia de amor.

Fim da parte sem spoilers. Atenção! A partir daqui a resenha pode ser um pouco reveladora pra quem não leu ainda o livro...

Além dos tipos, todos divertidos e caricatos, o foco do livro é a denúncia, como eu disse, da vida triste das mulheres negras da época. Naquele tempo, quando a virgindade era preciosa e indispensável para um bom casamento, que era tudo o que uma mulher poderia querer, era inclusive lei, e função policial, que o "desviante" casasse com a "desviada". E isso acontecia, se o casal fosse da mesma cor. Mas nem a sociedade, nem as famílias dos rapazes brancos aceitavam casamentos inter-raciais. Até mesmo a polícia afrouxava as coisas pro lado dos rapazes brancos. Então os meninos visavam justamente as negras pros namoricos, porque, se se metessem com uma branca, teriam que casar. Então as pobres moças acabavam sem casamento, por não serem mais virgens, ou mães solteiras... Uma vida triste e sem amparo.

Sonha, Clara...

Essa "moral da história" é escancarada. O gosto de hoje é a sutileza e não o panfleto. Mas tem quem ache necessário por algumas coisas bem na cara das pessoas. Que é preciso criar as meninas vendo os homens como seres humanos e não como príncipes encantados ou heróis de sonho. Que o casamento é uma construção de duas pessoas, uma opção de vida entre muitas e não a finalidade da vida da mulher. Que, às vezes, as maiores juras de amor são mentiras. Para justamente enganar meninas sonhadoras cheias de príncipes e castelos na cabeça. Lima Barreto falou, Lima Barreto avisou...

Rascunhos de duas versões diferentes e incompletas de "Clara dos Anjos" estão nos "Diários Íntimos" do Lima. Esta Clara é criada mais solta. Participa da vida social da cidade. Em uma versão, o primeiro homem dela é um português que lhe doa dinheiro para cuidar da filha em comum. Na outra, mais longa, com muitas passagens sobre escravatura e abolição, seu pai morre e ela começa a frequentar festas sozinha e acaba conhecendo um "adolescente" com quem começa um romance, que é descoberto, mas o pai do menino não deixa o casamento acontecer por ela ser negra.

Três estrelinhas. Em cinco.

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Mais Desafio Literário 2012:


O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout


Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
Minha estante e sir Bernard Cornwell;

6a. das 52 semanas de bibliofilia!


Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

Hoje a imagem é de dois concursos culturais que valem um livro. Coloquei as perguntas no monitor do trabalho, assim eu posso ter um insight a qualquer hora e ter a resposta mais linda e incrível e fodástica de todas. Espero. Estão valendo os livros "Um mundo brilhante", no Fósforo, e "Na fronteira da realidade" no Listas Literárias. Participem também, mas nem vão se achando, que os livros já são meus!

Concursos culturais valendo livros

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Mais 52 semanas:


1a. semana: eu amo a leitura, nem tanto os livros...
2a. semana: ler pra relaxar... e nanar!
3a. semana: uma carga muito divertida!
- 4a. semana: não lidos, desafio e resenhandos
- 5a. semana: para ler nas folguinhas do trabalho...

Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha

Blogs de quinta sobre livros:

Livrada! do Yuri

Top 10 sharístico:

Romances
Literatura infantil

Mais literatura:

A melhor HQ de 1980
Desafio Literário 2012
Livros para ler em 2012

8 de fevereiro de 2012

O parto da quitanda!

Essa é uma blogagem coletiva sugerida pela Anne do Superduper e do Mamatraca. O Superduper foi o primeiro blog de quinta. A ideia é fazer um "relato de parto do blog", como se fosse um filho. Então aqui vai.

Em 2003 eu morava com minha irmã Sheylli e um amigo nosso, o Márcio, num apartamento de número 111, na Mateus Leme, em Curitiba. O prédio fica exatamente atrás do Shopping Muller, é um de azulejo amarelo que dá pra ver da passarela rolante sobre a rua. A Karina, amiga e colega de faculdade da Sheylli, dormia lá em casa de vez em quando também, quando o horário apertava e era muito tarde para pegar o ônibus e ir pra casa. A quarta moradora. Dra. Andressa estava fazendo pós-graduação em Direito e "morava" lá nos fins de semana para estudar.

A primeira quitanda não era pra qualquer um.

A página de links, com um botão exclusivo
para cada amigo! Eu caprichava!
Nó fazíamos muita festa. Frequentávamos todos os bares do Largo da Ordem. Todo dia tinha banda ao vivo em algum bar, então a groupie aqui saciava o vício por rock'n'roll. Numa noite dessas, provavelmente no Empório São Francisco ou no Birinaites, começamos a inventar o blog. Não sei de onde veio o nome "quitandinha", mas lembro do Márcio e eu imaginando que se cada um de nós fosse um legume qual seríamos e porquê. O Márcio seria um tomate, a Karina, um quiabo, a Sheylli, aipim e eu, rabanete. Eu era rabanete porque eu era "vermelha por fora e branca por dentro", porque eu estava sempre vermelha mas não necessariamente envergonhada ou com raiva. Ou então porque rabanete é uma coisa falsa: é vermelho, você corta e é branco. Algo doido assim, bêbado assim.

Chegamos em casa e montamos o blog na madrugada mesmo. Fizemos no blogger, que era da globo.com na época e tinha muito entrave, uma caca. Incluímos a Andressa. A Dra. Batata. E o Eduardo, meu namorado da época, que virou "Magro Milho", por ser magro e loiro. Todo mundo juntou um adjetivo no legume e eu virei  "rabanete redondinho". Por isso o rabanete agora no favicon da quitanda.

Reflexões internéticas e comentários dos amigos.
Graças à Way Back Machine, do web.archive, dá pra ver tudo! Até os comentários! Não era um blog de mãe, que eu nem pensava nisso ainda. A "primeira quitanda" era tal e qual esta aqui, uma mistureba de tudo o que eu gostava, mas eu fazia questão de deixar o layout toscão, com fundo verde e letra amarela. Porque eu queria uma quitanda fuleira, desorganizada e de mau gosto. Pé-sujo. Povo sempre tava criticando isso e eu mudei. Agora a quitanda também aceita leitores com olhos sensíveis.

Acho que o comecinho Sharon "mãe blogueira" é quando eu contei do começo da minha história com o Rodrigo, bem numa noite de piada tosca básica do meu pai. Aí pula pra setembro de 2010, já quase parindo o Tomás, fiz os infográvidos, que eu adoro, mas ninguém comenta... E então nasceu o Tomás e eu sempre vou ser mãe blogueira, pãe prolixa, cheia de palavras.

Aninhei os posts sobre filhos na tag "pãeternagem". São esses, pra vocês que vem do Mamatraca:


Pãeternagem
A melhor parte da escola é comprar material escolar
Prêmio Jude Law
Feijão no vapor embalado à vácuo
Mãe que trabalha, mãe que viaja
Pro seu filho comer de tudo, siga minha intuição
Tomás vai pro castigo agora e já volta, tá?

Blogs de quinta sobre filhos:

- Diário de uma mãe polvo - Mari, Ciro, Stella, Leo e Pedro
Super Duper - Anne, Joaquim e Tomás
Mãe Geek - Gisela e Luisinho

7 de fevereiro de 2012

Superpoderes: 52 x 5 - 5a. semana


1. Cura -  prô Tomás nunca passar mais de um segundo com dodói! OK, grandes responsabilidades... eu prometo só usar pra coisa séria, tipo amidalites, bronquites, narizes trancados e osso quebrado. E para as costas do papai que não tem dado sossego, pras varizes da vovó, pro ombro da dinda, pras bronquites da Sofia e do Mateus...
2. Voltar no tempo - para fazer mais coisas, como a Hermione no Prisioneiro de Azcaban;
3. Teletransporte para seguir a turnê do Foo Fighters pelo mundo;
4. Telecinética - para não ter que levantar...
5. Ultra-sabedoria pra usar tudo direitinho, pesar os prós e contras e não causar cataclismos e paradoxos.

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:


Citações do punk rock
5 coisas que me fazem ficar feliz
Eu nunca...
Coisas para fazer no calor

6 de fevereiro de 2012

Sugestões de presentes para criança de dois anos

nessa parede pode,
meu monstrlinho!
Tomás não é tããão terrível. Não 24x7, ainda bem. Vez em quando dá uma crise de raiva e choro e angústia e frustração. Essas horas são difíceis, mas geralmente acontecem quando ele está doente, com muita fome ou se machuca... Carinho e paciência resolvem.

Já o bicho carpinteiro destruidor baixa várias vezes na semana e temos que correr pra fora fazer qualquer coisa ou pegar um punhado de jornal e rasgar até passar. Então ele pede "giz! papal!" e não desenha no "papal", mas na parede!  Pra ajudar os pais a manter esse monstrlo sob controle, alguns brinquedos legais que os padrinhes, amigues, tios e tias e avós podem dar à petizada no aniversário de dois aninhos, dia das crianças ou no Natal. Vou começar pelo presente perfeito:

- meio metro de areia: se a criança mora em uma casa com espaço e os pais aceitarem, não tem presente igual... inclusive pode ser o tema da festinha! Dá pra combinar com os pais dela e dos convidados pra trazer os bebês com roupa velha e deixar um punhado de colheres e potes de plástico pra eles lá. Pode esquecer das crianças, é só se revezar. Um adulto dá conta de não deixar ninguém comer areia ou brigar pela colher. Eles se concentram como em nenhum outro lugar, incrível.

Areia + amiga + apetrechos =  diversão!
- coisas para brincar na areia: Tomás ganhou este soldadinho da Trololó que vem com balde, essa peneira verde da foto, funil, pá e rastel. E o carrinho de mão veio com essa pá amarela e essa enxada laranja que a Isabelle está pegando. Tem kits de todo o tipo, preço e tamanho. Peneiras são deliciosas. Eu gosto de colocar a peneira em cima da areia, pra tapar os furinhos. E então encher. Quando a gente levanta a peneira, a areia vai escorrer aos poucos e fazer movimentos esburacados hipnotizantes!

- amigo para brincar na areia: se você tem um filho de dois anos também, faça um cartãozinho "vale 10 tardes na areia com o amiguinho" e combine os horários. Não tem coisa melhor para aprender a dividir, a respeitar o espaço do outro, a brincar junto. Os amiguinhos do Tomás adoram a nossa areia e estão sempre lá por casa fazendo bagunça. Como eu disse antes, é diversão que só precisa de um adulto supervisionando, mesmo que sejam duas ou três crianças.

- bola: não precisa de explicação... toda criança ama bola e tem de vários tamanhos, vários materiais, várias cores. Bolas são infinitas e as brincadeiras com elas, também.

- quebra-cabeças: não, não é cedo, não. Tomás ganhou um de 12 peças da Algazarra (pag. 28). Ele ainda não consegue montar sozinho, claro, mas nós vamos juntos... onde está o resto do porco? Cadê os outros pintinhos? Ele também gosta muito desse da foto, da empresa Brincadeira de Criança. Não é só pra montar as partes, também serve para empilhar. E o Tomás já está aprendendo a fazer o prédio direitinho! Como é de madeira, MDF, tem esse estilo que lembra a infância da gente também. No site tem outros produtos deles, muito bons! E os sem personagens não são muito caros!

bichos de madeira e plástico: eu acho melhores que os de pelúcia porque são durinhos e dá pra inventar mais brincadeiras... qualquer bicho. Selvagens, de fazenda, de casa, dinossauros. Eu queria encontrar peças para fazer uma cerquinha enorme em volta dos bichinhos do Tomás!

- carrinho de supermercado: esse o Tomás não ganhou, mas acho que é tão perfeito que estou doida pra comprar. Ele gosta de arrastar tudo pela casa: as cadeirinhas dele, caixas, cadeiras grandes, pufes, qualquer coisa que ele consiga empurrar. Como ele gosta muito dos carrinhos de boneca das vizinhas, acho que um carrinho de mercado seria assustador de tanta alegria. Não porque eu tenha preconceito com relação à bonecas, mas é no carrinho de mercado CABEM COISAS. Eu tive a cara de pau de pedir para a Raquel dar o carrinho de mão, mas Tomás tem dificuldade em guiar o bichinho ainda, por ter uma roda só e tal. Mas com um desses não teria problema.

- coisas para imitar os adultos: kits de médico, bombeiro, fazendeiro, ferramentas, panelas. louças, fogão e comidinhas (perfeitos essa coleção Pomar Crec Crec da Big Star!), computador, celular, chaves, máquinas de calcular, regador, vassoura, pá, rodo, pano, lousa... qualquer coisa que um adulto faça no dia-a-dia e as crianças possam imitar com brinquedos simples, sem muita complicação. E tem que dar panela pra menino e ferramenta pra menina!

E, é claro, livros! Mas esses eu vou fazer um post a parte. Até!

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Mais pãeternagem:


Pãeternagem
- A melhor parte da escola é comprar material escolar
Prêmio Jude Law
Feijão no vapor embalado à vácuo
Mãe que trabalha, mãe que viaja
Pro seu filho comer de tudo, siga minha intuição
Tomás vai pro castigo agora e já volta, tá?
Blog de quinta: Super Duper - Anne, Joaquim e Tomás
Blog de quinta: Mãe Geek - Gisela e Luisinho