29 de junho de 2012

26a. das 52 semanas de bibliofilia!

Alguns livros que doei para a biblioteca da Oficina da Amélia. Tomás ajudou a colar as etiquetas e aprendeu a posar sorrindo! Tem aí alguma coisa que comprei pro segundo grau e faculdade e os doloridos "Meninos da Rua Paulo", "A outra volta do parafuso" e do Stephen King, "Olhos de Dragão".
Olha pra mãe e capricha no sorriso, filhão!

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

Outras fotos do meme 52 semanas aqui.



Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha
Fila de livros não lidos

28 de junho de 2012

Top 10 da Sharon dos melhores filmes infantis

1. Os incríveis, Disney/Pixar - é o mais engraçado, o que eu dou mais risada, tem referências a 007 e espionagem, as cenas finais do Zezé são hilariantemente MÍTICAS. O melhor, o melhor, o melhor. E o bônus, O Ataque do Zezé é... bem, quem ainda não viu, está perdendo!
2. O estranho mundo de Jack, Touchstone.
3. A fuga das galinhas, Dreamworks;
4. Todos os cães merecem o céu, MGM - meu preferido quando criança tem que ficar em uma boa posição!
5. ET, o Extra-terrestre, Universal - um dos primeiros filmes que eu vi no cinema. Privilégio!
6. Os Goonies, Warner (lembrança da Tábata).
7. Coraline e o mundo secreto, Focus Feartures, o stop motion mais lindo de todos os tempos, peguem o dvd e vejam os bastidores da criação, é até melhor que o filme!
8. Mary Poppins, Disney. Tem que ter.
9. Desventuras em série, Dreamworks.
10. Up - Altas aventuras, Disney-Pixar.


É bem complicado escolher só dez e ainda ter que juntar animações com filmes tradicionais. E, claro, só o que eu assisti. Por isso meus Top 10 estão sempre em movimento!

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Outros Top 10:

27 de junho de 2012

Meu "terrível dois" e o inverno

Tomás não tem a mínima vontade de voltar para casa depois da creche. No maternal os horários são bem definidos e o tempo de liberdade no pátio é pequeno... uma hora pela manhã e outra à tarde, quando tem sol. Se está nublado, nem pensar... Então quando "abre a porteira da liberdade" o ele quer é brincar ao ar livre, correr, mexer na terra, andar um monte e investigar quais casas tem cachorro, onde estão as casinhas de joão-de-barro... nada mais saudável, não é?

Mas ele nunca foi tão ágil e sempre ficou bem agasalhado no inverno. Só que agora... Ontem eu até tentei deixá-lo brincar na praça ao lado da creche com o capuz do moleton, mas não deu certo. Com a correria a cabecinha ficava desprotegida em dois segundos! E o tempo está horrível ultimamente, nublado, úmido, frio. Um perigo! Toucas de lã são muito quentes, então minha opção é chapéu de algodão, estilo cata-ovo. Fica bem bonitinho e protege sem esquentar e coçar. Posso então deixar o guri correr a vontade ao ar livre sem receio!

Não é o menino mais lindo desse mundo?


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Mais pãeternagem:

Blogs de quinta:

26 de junho de 2012

Mini-biblioteca na Oficina de Costura da Amélia!

A vontade é antiga. Desde que conheci a Pote de Mel, o Livros e Afins e o conceito de biblioteca livre, comecei a imaginar uma delas aqui em Pato Branco. Pensei em alguns lugares, outros, mas não dava certo.

Então começou a Freguesia do Livro, comandada pela Jô Mayr Bibas e pela Ângela Duarte. E vi espalhadas na cidade as caixas do projeto Asas da Leitura do Colégio SESI. Então, num almoço com minha amiga Amélia, combinamos!

Conversei com a Jô e ela separou os livros e o "velho" amigo Rafael Viecieli os trouxe de Curitiba. Procurei uma estante e agora... está pronta! Nossa mini-biblioteca na Oficina de Costura da Amélia! Fica na Rua Itacolomi, 797, no prédio da Flessak.

Ali na entrada, nossa estante!

Deixamos perto da rua, quem sabe alguém se interessa, não é? Os livros adultos estão na prateleira de cima, os infantis mais embaixo e alguns livros mais famosos ali embaixo, em destaque. Esse tipo de estante é bom porque pode ser aumentado, quando mais livros chegarem!

Começou! Agora é ver circular!

Fiz um pequeno cartaz explicando o funcionamento e coloquei num porta-retrato bonito.

O modus operandi

Vou deixar com a Amélia uma lista para as sugestões do pessoal e espero conseguir as doações de títulos específicos com o pessoal por aqui mesmo. Quem quiser doar livros, pode deixar lá na Oficina com a Amélia, ou entrar em contato comigo por aqui, pelo leiturapatobranco@gmail.com ou pelo facebook: www.facebook.com/leiturapatobranco

Estamos procurando pontos de leitura também no sudoeste. Você tem alguma sugestão? Quer uma mini-biblioteca na sua empresa, para seus funcionários e clientes! Conversa com a gente! Se cadastra lá na Freguesia!

Vamos trazer os livros para perto das pessoas!

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Mais livros livres:

- Etiquetas para livros livres em pdf e jpg
- Três formas de libertar seus livros
Ame a leitura, liberte os livros! Foto da 16ª semana de bibliofilia
- Oração de São Pessoa do Desapego Literário
- Contos de Crime - libertado na praça Getúlio Vargas
- 4º Bookcrossing Blogueiro: O sol é para todos, Harper Lee
- Livros libertados em 20 de abril de 2012, sexta
- Alta Fidelidade, Nick Hornby

Outras carreiras! 52 x 5 26a. semana

1. Jogadora de teste de RPGs de mesa.
2. Agente literária dos amigues
3. Editora dos amigues
4. Ilustradora de livros meus, dos amigues e de qualquer pessoa (porque todos os livros deveriam ter figurinhas - mantra pra vida da Roberta Fraga e meu desde que ela tirou da minha cabeça)
5. Embaixadora (se as provas e a escalada hierárquica não fossem tão difíceis!)

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:

Outros posts do 52 x 5
Cinco fatos sobre a Sharon
Resoluções sharísticas
O que a gente aprende quando nosso pai está longe da gente
Eu política

25 de junho de 2012

O livro do contador de histórias chinês - Michael David Kwan



Terceiro livro do tema "escritor oriental" e nono do ano do Desafio Literário 2012. Achei o livrinho na sessão infantil da biblioteca do SESC, que tem pouca coisa para pequeninhos, mas muita para os maiorzinhos. Me animei, porque queria, desde o começo, ler dois livros para ao desafio, um "adulto" e um "infantil", mas só havia encontrado literatura de gente grande para aquele mês. Fiquei feliz!

A edição é da Martins Fontes e tem 247 páginas ilustradas, formato bolso. As ilustrações bem dentro do estilo oriental são de Cláudia Scatamacchia.

O autor cresceu em uma família multilíngue em Hong Kong, onde escutou histórias do folclore local:
"No topo está o Paraíso, onde vivem os deuses. Abaixo está a Terra, onde moram as pessoas. E abaixo da Terra fica o reino mágico das bruxas, dos vampiros, dos fantasmas e das raposas imortais, capazes de assumir a forma humana." - da orelha
São nove histórias com personagens sobrenaturais, mas não exatamente de horror. Só uma ou duas podem trazer pesadelos para os mais pequenos, mas como o livro é uma delícia, eu aconselho os pais a lerem primeiro e decidir o que contam para eles ou não...

Os contos e personagens são parecidos e também muito diferentes da nossa tradição.

Lembram muito o "Contos de Assombração", um dos meus favoritos na infância, mas, ao mesmo tempo, são mais elaborados, os personagens são mais complexos e detalhados.  Tudo delicioso, olhem só:
"- As Raposas Encantadas enfeitiçam as pessoas - vociferei, o sangue me subindo à cabeça - e tornam-se criaturas da noite também!
Yinn riu na minha cara.
- Já que não acredita que existem Raposas Encantadas - bradei -, passe a noite na mansão assombrada e lhe darei um banquete como você nunca experimentou antes."
- de "O casamento da raposa encantada"

***
"- Perguntei se você viu uma raposa! - vociferou o homem.
Lao Mu apontou na direção oposta à que a raposa tomara.
- Ela foi para aquele lado! - gritou o batedor, apontando na direção indicada por Lao Mu, quando seu patrão se reuniu a eles." - de "Ser o melhor"
***
"- O que você achou, querido irmão? - ressoou a voz da jovem de dentro do coche.
O homem chegou o rosto bem perto de Wong Shung.
- Um homem - respondeu, lacônico.
- Como ele é?
- Médio."
- de "As raposas"
***

Achei divertido descobrir como as raposas são importantes para a mística chinesa. Elas aparecem em mais alguns contos do livro, mas nesses três são personagens centrais. O próximo conto é o meu favorito. E eu sei de pelo menos uns quatro amigos que vão adorar também. Fila no SESC! Dá pra ter uma ideia exata do que vai acontecer pelo pedacinho que eu coloquei aí embaixo, mas isso não tira o sabor dessa historieta suculenta como uma pera madura:
" - Mestre, tenho fome e sede... Em nome de Buda, poderia me ceder uma pera?
O fazendeiro Chang arregalou os olhos, espantado. Será que estava ouvindo coisas?
Claro que não. Pois lá estava o monge, repetindo o que acabara de dizer, a voz fininha, choramingando.
- Como? Como? - disse o fazendeiro Chang, arquejando. - Abrir mão de uma pera!
Nunca tinha ouvido nada tão absurdo!" - de "A pereira"

***

E essa história sobre um casal de camundongos não ficaria destoante no "Livro da Selva" do Kipling:
"Ela chamava-o de "Bigodes" porque ele tinha os bigodes mais arrojados que ela já tinha visto. Ele a chamava de "Olhinhos Brilhantes" porque o riso em seus olhos o enchia de alegria. Eles moravam no fundo de um armazém, onde o ar era carregado de cheiro de mel, de tempero, de frutas e de muitos grãos. Era um lugar barulhento, empoeirado e movimentado; sempre estava acontecendo alguma coisa. Mas era quente e seco." - de "Bigodes e Olhinhos Brilhantes"
***
"A história do pescador", que é talvez, a mais diferente do que estamos acostumados... sem contar as raposas, claro. Depois, vem "A cantora da noite", muito familiar para nós, olhem se não:
"...Reabra a mansão à beira do lago. Torne-a habitável no primeiro dia do terceiro mês', escreveu meu patrão. "A ala leste do pátio principal, porém, deve permanecer trancada."

A próxima história, "A Bela Dama" segue o estilo de horror mais universal em tudo: inimigo, mestre, heroína salvando o amado da tentação... e é ótima. O livrinho finaliza com uma história bonita e triste de amor, "A borboleta". 

Um detalhe interessante é que todas as histórias tem em comum uma casa, um rio, a mesma cidade, ou um jovem prestando exames para o Serviço Público Imperial. Temos a impressão de que pode ser possível montar uma linha do tempo e ligar uma história a outra, mas sempre tem alguma pequena coisinha diferente... Um livrinho delicioso para ler numa tarde de sol, num piquenique, com seu filhote de sete aninhos.

Quatro estrelinhas. Em cinco.

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Mais Desafio Literário 2012:


- Oriente. Ocidente, Salman Rushdie
A jogadora de go, Shan Sa
Unhas, Paulo Wainberg
- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet
Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout


Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
Minha estante e sir Bernard Cornwell;

22 de junho de 2012

25a. das 52 semanas de bibliofilia!


Os livros da semana. "Preacher" e "Devoradores de Mortos" estão indo em trocas do skoob. "Os melhores contos de faroeste" e "O livro do contador de histórias chinês" são os que estou lendo. Quero terminar a resenha do roxinho ainda hoje. Trabalhão!

Um, dois, três, quatro!
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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

Outras fotos do meme 52 semanas aqui.



Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha
Fila de livros não lidos

21 de junho de 2012

Novo post velho

Publicado em 21 de outubro de 2004

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Terminei de reler "Do Inferno", do Allan Moore e do Eddie Campbell. "Oh! Meu! Deus!" Num resumo rápido, as qualificações da obra: história em quadrinhos, investigação policial, terror, misticismo, maçonaria, Londres vitoriana, notas bibliográficas elucidativas e humor auto-depreciativo. [resenha no Meia Palavra]

Coloquei os quatro volumes do inferno na estante de honra, ao lado do Asimov e d'As crônicas de Artur, do Cornwell. Esse ato discriminatório me levou a uma meditação sobre outro ato do mesmo tipo: a "busca e apreensão" de espécimes humanos do sexo masculino para fins de "troca de líquidos corporais". O que diriam os meus "melhores" livros sobre os meus encontros amorosos? Como eles (os livros) se sentem ao serem trocados (ou deixados temporariamente de lado) para que eu possa aproveitar adequadamente longos instantes de breves romances? Talvez vocês aí não achem a comparação válida, mas vejam bem. A única coisa que, no momento, me diverte tanto quanto passar alguns momentos com um lindo garoto é deitar em minha caminha e gastar belas horas entre as fantásticas páginas de uma história. E os livros levam pelo menos duas vantagens sobre os homens: estão sempre ao meu dispor, esperando quietinhos com a página marcada enquanto eu cozinho, tomo banho ou escrevo o TCC e nenhum deles prefere ficar sozinho a ficar comigo.

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P.S.: A maravilhosa Wayback Machine traz de volta até os comentários:


Na época eu até estava "tentando parecer intelectual", tem até um post sobre isso baseado nas ideias da Susan Sontag. Mas hoje estou me lixando, escrevo sobre os livros o que eu quiser. E ainda soo* infantil, sem problemas. 

* sim, tá certo, é isso mesmo!

20 de junho de 2012

Cada bicho seu capricho, Marina Colasanti


É o primeiro livro do tema "poesia" e vigésimo quarto do ano do Desafio Literário 2012. A edição é da global. Pegamos na biblioteca do SESC daqui.

Poesia para criança é uma delícia... como pode ser tão chata quando é pra adultos? Hein? Alguém me explica? Eu tentei ler alguma coisa para adultos, mas não deu. Não consigo entender poesia, preciso das coisas mastigadinhas.  Mas poesia infantil é outra história. Parece música, parece brincadeira, é tudo de bom.

Sei não, mãe, é um mistério... tem que ver isso aí.
"Cada bicho seu capricho" é redondinho. Muita rima, bom ritmo, ilustrações simples, da Marina mesmo, mas com uma cara de xilogravura ou bico de pena que eu amei. Adorei. O Tomás também, e ele ficou encafifado e interessado na página da pulga:


Meu poeminha favorito é o do cuco:


"Mais esperto que maluco
este é o retrato do cuco.
Taí um que não se mata
pra fazer um pé-de-meia
e nem pensa em bater asa
pra construir a casa.
Para ele o bom negócio
é morar em casa alheia,
e do abuso nem se toca.
Os seus ovos, rapidinho,
põe no ninho do vizinho
depois vai curtir um ócio
enquanto a vizinha choca."

Não está muito caro, a partir de R$ 15,00, mas podia ser bem mais barato... só tem 16 páginas.

Três estrelinhas. Em cinco.

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19 de junho de 2012

Tenho aflição de... 52 x 5 20a. semana

1. Potes abertos
2. Barulhos arrepiantes em geral, broca de dentista, unha no vidro, iiiiiiiirrrrr... sertanejo universitário
3. Fazer uma pesquisa de imagem como "bebê no colo" e vir uma foto de refugiados de guerra, dessas que a gente só quer lembrar de esquecer...
4. Ver gente se arriscando com altura (eu mesma nem me imagino fazendo isso). Update: Esse. Vídeo. Nem. Consegui. Assistir: 




5. Filmes como "Nosso querido Bob", "Terapia de choque" e "Entrando numa fria" - chorei de soluçar na hora em que eles terminam pelo telefone - onde a pessoa não consegue seu objetivo, não se livra de um encosto, não consegue mostrar que está certo, enfim. Desligo correndo.

AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!
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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:

Outros posts do 52 x 5
Cinco fatos sobre a Sharon
Resoluções sharísticas
O que a gente aprende quando nosso pai está longe da gente
Eu política

18 de junho de 2012

Está saindo das cabeças...

E virando realidade!!!


Tá com vontade de conversar sobre livros? Junte-se a nós! Contatos pelo leiturapatobranco@gmail.com

Cultura em Pato Branco

Alguns candidatos (ou pré-candidatos, sou meio boba nesses imbróglios eleitorais e eleitoreiros) estão conversando com o pessoal de patópolis sobre temas eleitorais e eleitoreiros. Tudo me interessa e acompanho alguma coisa, mas o que me puxa e faz funcionar essas engrenagens preguiçosas da minha cabeça é a arte. Então vou meter meu bedelho, já que convidaram, não é não?

Primeiro, um diagnóstico rápido da situação da cidade. Tem cultura, tem arte em Pato Branco? Quem já estudou o assunto vai dizer que sim, que tem muita. Quem acha que não tem cultura nem arte em Pato Branco tem que estudar mais. Se tiver o interesse, claro, quem sou pra mandar alguém ler.

Só pra constar. Não sou especialista. Não fiz um levantamento exaustivo. Algumas coisas estou dizendo por ouvir dizer e suposição. Mas precisamos partir de algum lugar e aqui está.

1.1 As tradições gaúchas, a religiosidade, a classe média trabalhadora e a fotografia.

Sim, CTG é arte, gente! Dançar, cantar, se fantasiar, declamar poesia, acampar, doma, rodeio, chimarrão. É tudo arte. Dizem que o início dos CTGs foi invenção de universitário com invejinha do samba do Rio de Janeiro, mas não importa, agora é tudo feito com o coração. E pra mim é isso o que mais tem relevância: ser uma atividade apropriada pelas pessoas, feita de coração e com todo o empenho do corpo e da mente. Mesmo os odiadores mais radicais das gauchices não podem negar isso. É arte, é cultura. E eu tenho orgulho em ver pato-branquenses vencendo concursos Brasil afora. Só não estou num CTG dançando, cantando, declamando e me divertindo porque não é a minha praia. Sou punk roquer, sou feminista, a tradição manda recato e eu mando o recato... enfim.

Eu vejo um bocado de arte nos rituais religiosos. Muito do nosso povo usa a religião como expressão também. E eu acredito que a fuga em massa dos brasileiros e pato-branquenses da igreja católica para as evangélicas representa muito mais do que redistribuição de dízimos. É a perda da identidade entre o praticante e a religião. A igreja deixou de ser um local de catarse, de sonho, de prazer. Pessoal está um pouco cansado dessa missa sempre igual, padres com esse obrigatório sotaque de lugar nenhum e as músicas arrastadas. Legal mesmo é ver exorcismo ao vivo e em cores, falar em línguas e passar debaixo do pó de ouro pra ficar rico. Ritual religioso também tem arte e supre a falta dela nas pessoas mais espiritualizadas.

E né, nós, a classe média trabalhadora herdeira de colonos europeus que suavam, de sol a sol, na capina, na enxada. Herdamos um amor pelo trabalho duro que faz com que vejamos a arte, se não for lucrativa, como bobagem. Quer ser músico? Vai tocar acordeão nos bailes pra ganhar dinheiro. Quer costurar? Vai fazer vestido de formatura. Quer escrever? Jornalista, radialista. Quer cantar? CTG, Festivais da canção. Você tem que ganhar dinheiro e rápido, meu filho. Nós não trabalhamos a vida toda para criar vagabundo. Talvez por isso nossos artistas mais famosos e mais reconhecidos dentro da cidade sejam os fotógrafos. Porque fotografia sustenta a família, além de ser bonita.

Muito orgulho aqui também. Não conheço todos os nossos fotógrafos então não vou citar nenhum. Mas nossas fotografias são lindas, não apenas pela paisagem bonita. Porque é preciso ver para clicar.

Então arte e cultura nós temos. De monte. Você pode não gostar, mas não pode negar que é arte, que é cultura. Então Pato Branco tem cultura. E arte. Qual é o problema então? O público? Acho que não...

1.2 O público

As 15 locadoras de DVDs, o uso intensivo da internet (quanta gente brigando com o vizinho por causa do compartilhamento de banda larga...), os estúdios de tatuagem cheios, as boates cheias, os shows cheios, a Paladium cheia, as igrejas católicas evangélicas africanas espíritas cheias... as lojas de roupas e calçados cheias... as decoradoras vendendo estantes e sofás de quatro dígitos, um novo motel a cada ano... os leilões do Rotary faturando... o público está aí, está morrendo pra ver cultura, pra ver arte, pra fazer também alguma coisa acontecer. A demanda existe, com certeza.

E não é falta de conhecimento não... Nós, a classe média trabalhadora herdeira de colonos europeus estamos cansados de saber o que é arte, o que é bonito, o que é cult, o que são as Belas Artes, quem são os grandes artistas da civilização ocidental. O negócio, como eu falei, é nós não sabermos exatamente para quê serve tudo isso. Tem um pessoal meio maluco, conhecido como artistas, que acreditam que o produto deles não é só pra pendurar na parede, não é para aparecer na TV, não é para fazer bonito pras visitas e combinar com o sofá: é para expressar o mundo, ideias, sentimentos, confusões, tristezas, alegrias. Arte é para mostrar o espírito, é para liberar o que vai dentro do coração. E, enquanto o pato-branquense classe média trabalhador herdeiro de colonos europeu não experimentar isso com o corpo e alma, ela não funciona. Não engrena e não vai dar lucro mesmo!

Entenderam o meu ponto? ctg, igreja, fotografia. Todo mundo faz. Não me admira nada que sejam nossas artes e culturas mais reconhecidas, admiradas, comentadas, frequentadas!

1.3 Então Pato Branco está ótimo em cultura, Sharon, vamos fechar o departamento, não serve pra nada

Poderia até ser, se todos nós fossemos fotógrafos, religiosos e gauchescos. Mas tem muita gente fora disso que sofre (ó eu aqui, a terapeuta socióloga de novo) por não ter suas expressões reconhecidas. Ou melhor, por ter suas expressões ignoradas, renegadas, banidas. Um escultor teve uma estátua linda retirada da praça, provavelmente por seu conteúdo polêmico "ofensor aos bons costumes". Os pintores decoram. Ninguém vai ao teatro. Os músicos que não seguem o sertanejo e o gaúcho fogem ou se conformam. Tinha um grafiteiro, gente, onde foi parar? Escrever é ser cronista do cotidiano e cuidado pra não ofender as Sagradas Famílias! Não tem saída. O pensamento classe média tralalá você sabe o resto é forte demais e a invenção (aquela! que precisa imaginação, que por sua vez precisa liberdade), a invenção não vinga.

E precisa vingar? Talvez não, mas a fuga é dura, sabe? Drogas, bebida, violência, adolescentes grávidas, acidentes de trânsito e de pára-quedas (peguei pesado de novo? poxa...) Será que tudo isso é reflexo de uma sociedade que não dá espaço para o diferente? Será que tudo isso é reflexo de entregar a alma para um papel de trabalhador metódico, controlado, competente, hierarquizado? Será que a exigência diuturna desse papel tira a coragem de abrir o coração para o novo, o outro belo, o belo diferente, o belo vivo, criativo, festeiro, faceiro, o belo gratuito que pode encher a alma? Eu acredito que sim, que aceitar e fomentar toda a arte, todo artista, toda expressão, por mais estranha, imoral, inculta, estrangeira, pagã e economicamente inviável que ela seja... aceitar e fomentar tudo isso ajuda a manter saudável toda a sociedade. Quanto mais gente feliz, mais gente feliz.

É isso! Arte para a felicidade geral da nação! E tenho dito!


Top 10 da Sharon dos melhores livros para ler a noite em claro

Histórias nem curtas nem longas para ler em uma noite mal-dormida, todos devorados e aprovados por mim, que os amo demais, demais, demais:

- Pedro Páramo, Juan Rulfo
O médico e o monstro, Robert Louis Stevenson
- Pergunte ao pó, John Fante
O espelho no espelho (Michael Ende) - disponível para leitura online.

Blog que publicou o livro na íntegra
Caninos brancos, Jack London 
No país das sombras longas, Hans Ruesch
- Mistérios - Lygia Fagundes Telles
- Buracos (Louis Sachar) 

Mapa mental do "Estranho caso", daqui. tem spoilers!
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Outros Top 10 literários:

15 de junho de 2012

Contos de crime - mais um livro livre!

Deixei na Praça Getúlio Vargas, em um banco, essa coletânea supimpa organizada pelo Flávio Moreira da Costa, "Contos de Crime". Só a nata. Nenhum é ruim ou menos melhor. Não conhecia e passei a gostar de vários autores, agora vou procurar mais coisas de Wilkie Collins, Cayetano Coll Y Toste, Leon Bloy, Ambrose Bierce e Louis Couperus.

Esse último tem um conto de biscate bem interessante. A filha do Barba Azul, conhecendo toda a história de seu pai, sua mãe e as outras esposas demora anos até se casar. Mas ela casa. E o marido some. E o melhor é que o conto está praticamente inteiro no google books, a partir da página 303. O finalzinho pra quem ler e quiser saber, mando por e-mail. E ó como ficou o livrinho sozinho no banco, perto das 11 horas:





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Mais livros livres:

Etiquetas para livros livres!

Minhas orações a São Pessoa dos Bibliófilos estão sendo respondidas... bibliotecas livres estão se formando em Pato Branco! É uma delícia! Para ajudar o pessoal, fiz uma etiqueta para colar nos livros. Neste link, uma página em pdf com 6 etiquetas para baixar e imprimir. Quando abrir a página, pode clicar no  botão azul com "Download Now" sem medo.


Meus livros vou doar colocando a logo e o endereço da Quitanda:


Bom trabalho, gente! E não esqueçam de me contar tudo, tudo!


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Mais livros livres:

- Três formas de libertar seus livros!
Ame a leitura, liberte os livros! Foto da 16ª semana de bibliofilia
Oração de São Pessoa do Desapego Literário
4º Bookcrossing Blogueiro: O sol é para todos, Harper Lee
Livros libertados em 20 de abril de 2012, sexta

24a. das 52 semanas de bibliofilia!

Chegou um aviso de entrega dos correios e eu achei que era minha camiseta de caveira mexicana da Elemento Zen. No correio:

"Deve ser um pacote grande, é uma camiseta".
"Não é não, Sharon, é outro livro!"
"Mas não estou esperando nada!" Leio o remetente. "Ah, é presente de uma amiga! Oba!!!"

A Joelma mandou presentinho lá de Porto Velho.
Notem o ex-libris - eu ajudei a elaborar!
Adoro mexer no ex-libris dos outros. Alguém quer uma ajudinha?

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

Outras fotos do meme 52 semanas aqui.



Mais meme literário:

Meme literário de um mês do Happy Batatinha
Fila de livros não lidos

14 de junho de 2012

Peixinhos obsessivos?

Post publicado em 30 de dezembro de 2004, logo que voltei de Curitiba para morar em Pato Branco:

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Caleffi Aquários e Peixes Ornamentais. É lá que estou trabalhando no momento, enquanto meus pais estão de férias nas praias de Santa Catarina. Trabalhar em uma loja de aquários é divertido, mas na maioria do tempo não temos muita coisa para fazer. Entre um cliente e outro, minha mãe tricota, minha irmã faz palavras cruzadas e eu leio. Mas às vezes, as crianças, nossas melhores freguesas, nos presenteiam com demonstrações curiosas de raciocínio cinestésico-matemático.

furunfo de lebiste começa assim!
Dia desses, duas meninas e seu pai vieram comprar alguns peixinhos, pois, devido a uma epidemia não-identificada, passaram desta para melhor a maioria dos que eles tinham. Sobraram somente cinco, entre eles, um belo exemplar macho de lebiste. Na maioria das espécies de peixes em que há diferenciação sexual, os machos são mais bonitos. Mais bonitos não. Eles são lindos. As fêmeas, coitadas, só são consideradas na hora da reprodução. Com os lebistes não é diferente. É raro encontrar uma fêmea que tenha alguma graça. Mas como eles são o tipinho mais assanhado do mundo aquático, é comum o povo comprar mais fêmeas do que machos. Assim, o macho vai fazendo seu serviço e as fêmeas vão tendo seus filhinhos. É raro um aquário com lebistes não ter no mínimo uma nova ninhada por semestre.

Pois então chegam as meninas na loja e o pai vai escolhendo os peixes para levar. Uma das meninas gruda na frente do aquário dos lebistes e tenta chamar a atenção do pai o tempo inteiro, dizendo para ele levar um daqueles também. O pai não dá muita atenção, e vai escolhendo os outros peixinhos, mas nenhum lebiste, como ela quer. Então, ela pensa um pouco e salta, com um argumento infalível:

- Pai, a gente tem que levar uma fêmea desse, porque senão o marido morre sem a esposa!

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Mais histórias:

A tragédia do Pato Branco: amor de branca e índio não pode, não dá!
O elogio da Jabuticaba: o excêntrico em negritude esférica!
Meu não-namoro: como estragar tudo o que podia ser e acabou não fondo.
Cirúrgico: ou não tão cirúrgico assim, mas pelo menos, limpinho.Surreal:
Vejo flores em você: é mais curto do que se eu tentasse explicar.
O que a gente aprende quando nosso pai está longe da gente. a gente tem que aprender a se virar sozinha nos serviços de "homem da casa".
Cháron: porque eu sou amarga, doce e inesquecível. (ou gostaria de ser, sabe como é!)

13 de junho de 2012

"Prostituição e vagabundagem", Vicente Piragibe, 1928

"Preciso é curar o mal sem prejudicar o corpo enfermo: erraria o esculapio que, antes de cauterisar a ferida, não estudasse as resistencias organicas; muitas vezes, a ulcera, que ninguem vê, tem raizes tão extensas quem desapparecida por algum tempo, explode com violencia maior, surgindo em pelono rosto, numa exposição repugnante." (p. 9)
E continua:
"Claro está que, accossada das alcovas, corrida dos lupanares, expulsa dos alcouces, perseguida nas pensões em que se alberga, a protituição teria que vir para a praça publica, para os hoteis, para as casas de diversões, exhibindo-se impudentemente, na semi-nudez que os reclamistas da moda se encaregam de annunciar como ultimo modelo. Graças a isso, vae ella se infiltrando, confundindo-se, insinuando-se, na sua obra de perversidade e de dissolução e, como propaganda, apparecem as escolas de dansas e outras semelhantes, funccionando em pleno dia, nas ruas mais centraes da cidade, ao som dos jazzes atroadores, para ensinar, ao desordenado do batuque, os passos inestheticos do charleston, do black-bloton e do u-kê-lé-lé, copiados dos cabarets de Nova-York, de Londres e Paris, exhibidos em algumas salas elegantes e reproduzidos photographicamente nos semanarios de maior procura." (p. 11)
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1. Copiei no blog em 6 de novembro de 2006, com a ortografia do exemplar disponível na estante de livros raros da Unicuritiba, quando trabalhava lá.
2. Já imaginou viver num tempo em que a agressão ao bom gosto musical e estético era representada pelo charleston?
3. O mundo gira, mas continua o mesmo.
4. Tudo já foi dito antes.

12 de junho de 2012

Casais preferidos 52 x 5 20a. semana

1. Johnny Cash e June Carter

2. Sharon e Ozzy, óbvio.
3. Seal e Heidi Klum (snif!)

4. Alexandre Borges e Julia Lemmertz
5. Zélia Gattai e Jorge Amado

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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. A Tábata do Happy Batatinha também está participando. Ela tem outro plano para 2012, o 52 semanas de bibliofilia, que estou seguindo também.

Mais eu:

Outros posts do 52 x 5
Cinco fatos sobre a Sharon
Resoluções sharísticas
O que a gente aprende quando nosso pai está longe da gente
Eu política

11 de junho de 2012

23a. das 52 semanas de bibliofilia!


- Tomás, qual é seu bicho favorito?
- Sauro!
E agora tem um livro preferido pra hora de dormir!

Como os dinossauros dizem boa noite?
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Esse é um plano de postagem da Pri, do Devaneios e Metamorfoses. Estou seguindo outro plano dela para 2012, o 52 X 5 momentos para compartilhar. A proposta aqui é "postar uma imagem por semana da relação que você estabelece com os livros e o modo como eles aparecem no seu cotidiano".

8 de junho de 2012

Meme: Fila de Livros não Lidos

Memes são como os "Cadernos de perguntas" que a gente tinha na quinta série... e eu até fiz um no segundo grau, chamava-se "Caderno da Tribo". Não tinha perguntas, mas rodava entre as amigas pra escrever bobagens. Na faculdade ficou mais "cool", era uma pastinha sanfonada, com uma folha de perguntas e a pessoa respondia como e se quisesse. Tenho umas obras de arte em casa, pessoal foi muito criativo.

Então o Luciano, do .Livro, respondeu esse meme e me deu vontade também, porque é uma coisa que tem me preocupado, a pilha! A criação é do blog Verbo: ler. Aproveitei o assunto e atualizei a minha lista, que está uma bagunça. Quem quiser responder, fique a vontade. Só precisa linkar o blog onde pegou o meme e avisar a lia lá no Verbo: ler, ok?

Bora lá:

Qual a quantidade de livros comprados/ganhados e não-lidos que você tem na fila atualmente?
76! Tem livros em andamento à séculos que vou ter que começar a ler de novo pra lembrar da história. Tem livro que talvez eu nunca leia, tenho que pensar melhor nisso e doá-los logo.

Como ou por quê motivo chegou a essa quantidade?
Eu dava conta. Todo dia, depois do trabalho, eram, no mínimo, duas horas de leitura diárias. E leio rápido, eram seis livros por mês, no mínimo. Nem todos comprados, emprestava na biblioteca pública, de amigos, trocava, baixava da internet. Mas... Tomás. Não tenho mais o tempo de antes. Além disso, agora eu respeito mais o meu tempo de leitura. Se o livro está chato, eu paro e pego outro. E eles foram acumulando, acumulando...

Você tenta se controlar para não comprar muito (e aumentar o tamanho da fila) ou não se importa com isso e compra quando tem oportunidade/ dinheiro/ vontade?
Me controlei. Mais ou menos. Não comprei mais livro pra mim, agora estou comprando só para o Tomás. Mas gastei dinheiro com a "indústria cultural" da mesma forma. O cd do Alexandre Nero, e o filme "A princesa prometida" foram as últimas aquisições. Por que eu me sinto estúpida comprando música e filmes que eu posso baixar de graça, e não me sinto assim quando compro livros, hein? hein? hein?

Nos últimos meses, a sua fila está tendendo a aumentar ou diminuir?
Diminuir, já que não estou comprando. Mas na verdade verdadeira, tende a ficar igual...

Quantos livros em média você compra/ganha por mês?
Não ganho livros... snif. Eu comprava dois ou três pro mês, dependendo de promoções e tudo mais. Agora, compro esses dois ou três para o Tomás e leio com ele. Mas não conto nas minhas leituras "adultas".

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Mais memes literários:

- Um mês de literatura com o Happy Batatinha
- Uma imagem por semana, no 52 semanas de bibliofilia do Devaneios e Metamorfoses
- Desafio literário 2012, um tema por mês!

5 de junho de 2012

O preço do livro infantil no Brasil - parte 2




No post do dia 30 de maio sobre o preço do livro infantil, a conclusão: livro infantil é caro. É sim. Não tem impostos! Nossa, então é mais caro ainda! É. E os melhores são caríssimos. Os mais divertidos, imaginativos, lúdicos, os que fazem sonhar... são muito caros. Mas tem livro barato e bom. Nem todos são incríveis, emocionantes, nem todos vão ficar no coração como preferido. Mas nem todos são ruins.

Comprei alguns livros baratíssimos, de R$ 1,99 cada um. Não gostei. As histórias são resumidas demais, simples demais, tolas demais. Uma que outra ilustração se salva, mas elas não são bem pensadas, não são... arte.  Mas também tem história boba em livro caro, atenção, hein!!!

Mas encontrei boas histórias e boas figuras em três coleções baratas da editora FTD. "Na Mata", "Na Selva" e "Caixinha de contos". Livro barato sempre tem um "senão". No caso, são brochura, capa mole, papel couché decente, mas rasgável. Tomás já mandou pro "hospital dos livros" um deles, pobrezinho.

Coleções "Na Mata" e "Na Selva"

As duas primeiras coleções são quase uma só. Pequenas histórias de bichos, mas "Na Mata", eles são brasileiros e "Na Selva", não. Os textos são de Alba Capelli e Dora Dias. São histórias simples sobre o cotidiano real dos bichos e as ilustrações são cuidadosas para refletir a anatomia e o habitat.



Nós temos o do lobo guará. Para vocês terem uma ideia, e o texto não é artístico, é mais descritivo, mas tem coesão, sentido e hum, chega em algum lugar. A edição é de 2008, a ortografia não foi revista:
"Quando eu era pequeno, parecia um cachorrinho com pelinhos preto-acinzentados.
Brincava com meus irmãos, enquanto mamãe saía à procura de comida.
Depois que eu cresci, fiquei bem diferente. Meus pelos ficaram de cor laranja-avermelhado*... com manchas pretas no focinho, nas costas e nas pernas. Na garganta* e na cauda, tenho manchas brancas.
Minhas pernas são finas e compridas. Pareço até uma raposa com pernas de pau.
Aprendi a caçar com meus pais e a procurar pequenos animais, alguns vegetais e frutas que gosto de comer.
A fruta-do-lobo, uma baga verde, grande e doce, é minha comida predileta.
Fujo de encrencas mas, quando é preciso, mostro os dentes e rosno pra valer.
Prefiro a noite para fazer grandes caminhadas.
Meu  nome, Guará, foi dado pelos índios porque uivo assim:
-"wá... áááá, wa...rááá"


* "laranja-avermelhado é um exagero de preciosismo anatômico... mas ele tem mancha na garganta? dentro da boca? hmmm?

Enfim! O melhor é o preço! Entre R$ 8,00 e 12,00 reais.

Coleção "Caixinha de Contos".

São histórias conhecidas recontadas pela Eunice Braido. Nada de pelos na garganta aqui, o texto é bom e divertido. No nosso livro, "A velha e o porquinho" o único senão é o "porquinho para ser seu companheirinho". É chato um texto cheio de diminutivozinho... mas pelo menos é só ali. Então, essa história é muito divertida e nas ilustrações tem uns bichinhos escondidos que é gostoso procurar. Vale a pena e só custa 7 reais!



Mais livros baratos da FTD

No catálogo da editora tem livros baratos... mas fora essas coleções, não posso recomendar nada, não li, não peguei na mão. Mas os livros são fáceis de achar, em Pato Branco tem nas papelarias, por exemplo. É rapidinho para ler... dá pra decidir fácil o que levar. E também dá pra encomendar na internet junto com aquele livro lindão de R$ 40,00 que você compra a cada dois meses... ou um ano. As coleções mais baratas são:

"Fábulas encantadas", "Contos de Ouro", "Livro Mágico", "Castelinho", "Contos de papel", "Hora de ler", "Aventuras"- tem tantas editoras publicando essas histórias (Rapunzel, A raposa e as uvas, Pequeno Polegar, Hobin Hood, Gulliver) alguém tem que fazer um post com todas as edições de cada uma, que tal, trabalho monstro ou não?

"Pegadinha" - tem um livrinho, "O camelo camelô" que vale os R$ 7,00 só pela gracinha do título... ou não. Eu ri.

"Zumzum" - histórias com insetos;

"Casinha e Companhia" - cada livro uma raça de cachorro: Husky, Doberman, Vira Lata...

Lembra, né?
"Contos da Mitologia" - lembram daquele desenho animado da nossa época que se passava em Roma? Então, a coleção não tem nada a ver, é mitologia grega. Mas como todo mundo confunde mesmo, melhor ir mostrando pro seu filho a diferença...

"Lendas Medievais" - A história do Rei Artur dividida em livros por personagens... Eu adoro histórias arturianas, mas assim, em livros individuais, achei complicado. Não li nada, mas será que a história fica coesa? Achei estranho... vamos ver se ainda vai estar disponível quando o Tomás tiver uns 7, 8 anos. Por enquanto não vale a pena comprar.

"Encanto" - Segundo a editora são "elfos, fadas, silfos e sílfides em belíssimas histórias". Fiquei meio cabreira, assim como desconfiei das arturianas... Tem que pegar e ler. Se alguém se aventurar, me conte.

"Coleção Xereta" - no estilo "Na Mata" e "Na Selva", mas são bichinhos de quintal... minhoca, tatuzinho, lagartixa. Essa eu vou comprar toda pro Tomás!

Concluindo

Tem livro bom barato, mas é de papel simples, o texto tem pequenos errinhos e as ilustrações não são memoráveis. Se procurar, se encontra algo que valha a pena. É ler antes de pagar.

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