25 de outubro de 2012

Duna e Talia, final: O viajante e o embaixador

"Duna e Talia" é uma historia inventada a muitas "mãos". Ela aconteceu em umas três ou quatro sessões de RPG em 2002 ou 2003. Eu era a Talia, uma atriz e dançarina famosa, bonita e esperta. Duna e Sagan foram "nascidos e vividos" por dois amigos meus, o Tiago e o Jorge. O mundo, "Fasantia", e a estrutura do enredo foram criados pelo nosso narrador, o Eduardo.

DUNA E TALIA

Parte 6: O viajante e o embaixador

(criada por Eduardo, Sharon, Tiago e Jorge)

Na primeira parte da história, Talia ajuda dois rapazes a encontrarem um trabalho de resgate de mercadorias roubadas e resolve tentar a empreitada também. Leia aqui.

Na segunda parte, ela consegue se unir ao grupo, que talvez tenha 
encontrado os bandidos, em uma aldeia de pescadores. Leia aqui.

Na terceira parte Duna, Talia e Sagan recuperam os ricos panos
e começam a viagem de regresso. Leia aqui.

Na quarta parte, slurps, monstros sugadores de entranhas,
atacam o grupo. Leia aqui.

Na quinta parte, os amigos se conhecem melhor, e desconfiam
das roupas do líder do bandido. Leia aqui.

Quando Talia acordou, já era hora do almoço. Não encontrou nenhum dos seus novos amigos na taverna. Almoçou com Eli, a segunda bailarina e coreógrafa do grupo, que a chamou para criarem uma peça especial, em homenagem a alguns burgueses galandrianos que estavam de passagem pela cidade. Talia também conversou com a costureira, mostrando o pano de rosas e ouro e encomendando um vestido novo. E nada dos dois quando abriram as portas para os trabalhos da noite.

O embaixador Belardo chegou com a comitiva de galandrianos ela os recebeu, como de costume. Como de costume, o embaixador foi muito gentil com ela, sempre interessado no que ela fazia:

- Senhorita Talia, está magnífica essa noite... alguma novidade?
- Não senhor, nada que interessaria... - Talia achava que a aventura do dia anterior era novidade mais do que suficiente, mas claro que ela não iria falar de slurps para o embaixador.
- Ah, sim, um novo vestido talvez? Um perfume?
- É... estou fazendo um novo vestido com um lindo tecido do senhor Tremelassé... com desenho de rosas e folhas de ouro.
- Parece bonito... e a dança de hoje? 
- Planejamos um número especial para o senhor e seus convidados! Espero que gostem! Aliás, está na hora, com licença...

O espetáculo começou. Na metade da dança, Talia desistiu de buscar os olhares do embaixador, que não reparava nela mais do que nas outras dançarinas. Foi quando percebeu um jovem diferente na platéia. Lembrava um pouco Duna, mas estava com o cabelo cortado, barbeado e usava um rico casaco de peles. Aquela personagem a interessou muito, e depois da pirueta, do salto, da ponta e da volta, chamou outra dançarina: 

- Você conheceu o Duna, Lina??? - pirueta, salto, ponta, volta.
- Aquele seu amigo aventureiro? - pirueta, ponta, ponta, volta e meia.
- É! Não é ele ali, de casaco de peles??? - ponta, volta, pirueta, volta.
- Nãããão... imagina... aquele alí deve ser algum nobre estrangeiro...

A peça termina meia hora depois, e Talia troca-se rapidamente para conhecer o estranho antes dele ir embora. A novidade a tinha feito esquecer o embaixador por um tempo. Duna disse-lhe ter muitos irmãos, e este homem pode ser um deles...Talia chama o garçom:

- Ei, Jonir! É você que está atendendo aquele senhor com as peles???
- Sim... estranho ele...  Pediu somente uma cerveja, e agora vou levar um filé para ele. Você o conhece?
- Não sei... mas ele é muito parecido com um amigo meu...
- Quer que eu mande algum recado?
- Pergunte a ele se ele conhece o Vagante das Dunas...
- Mas esse é o nome dele, Talia... Ele é esse tal de Vagante...
- Sério? - Talia dá risada - O Duna, todo empolado, organizado, galante!
- Então você conhece ele?
- É conheço! É meu amigo, conheci ontem. - "mas parece que faz mais tempo", ela pensou.

"Nossa, nem acredito." Talia dirige-se à mesa de Duna, pelas costas dele. "Onde ele arrumou esse casaco? Parece tão caro! Será que gastou todas as fortunas que achamos?" Mas no caminho é interrompida por um funcionário da embaixada:

- O embaixador Beraldo a convida para jantar com ele, senhorita Talia.
- Claro! Eu... - era tudo o que ela queria, jantar com o embaixador! Tão bonito... mas a curiosidade sobre o que Duna e Sagan haviam descoberto na embaixada, somada a essa nova figura que o amigo estava apresentando, a puxava para outro lado. - Diga que eu já vou, sim? É rápido! O tempo dele tomar uma taça de vinho!
- Imediatamente, senhorita.

Talia chegou por trás de Duna e o surpreendeu:

- Esperando a namorada, senhor Vagante das Dunas?
- Er... - ele se vira e a reconhece - Talia! Olá! É, de certa forma, estou esperando a namorada, sim...
- É mesmo? Posso me sentar enquanto ela não chega?
- Claro! - Talia mediu a mesa do embaixador e sentou de forma que ficasse fora do campo de visão dele, escondida pelas outras pessoas.
- Então... gostou da dança? 
- Foi muito estimulante! A senhorita dança tão lindamente quanto atira facas, devo dizer! Estou encantado!
- Obrigada! E você hein? Todo elegante! Essa pele!
- É de um leopardo do deserto que eu cacei na minha terra! Minha mãe ficou muito orgulhosa e bordou com esse fios de ouro! É um objeto de estimação que trago com muito orgulho!
- Nossa, que história bonita! - Talia pensou: "como eu não pensei nisso? claro que deveria ser alguma coisa assim... bruta... mas emocionante, também!". - E está intacta! Mas como foi lá na embaixada hoje? - ela tinha que tirar todas as dúvidas logo, antes de jantar com o embaixador. Olhou na direção dele. Ele não parecia ter visto que ela conversava com Duna. 
- Bom, o cara desconversou muito... disse que o rapaz que pegamos havia se rebelado e estava sendo procurado. Olhe - mostrou para ela um anúncio de "procurado" com o desenho do líder, oferecendo uma boa recompensa. - Acho que o Tremelassé reconheceu o cara, por isso queria ele inteiro. Maldito costureiro! Nos passou a perna!
- Então, não falei? Tinha uma boa explicação pra isso tudo... - "que alívio", ela pensou.
- Ah, não estou satisfeito, não, ainda me parece muito estranho.
- Relaxa, Duna... deve ser isso mesmo. O cara desertou, foi roubar os panos e pronto.
- Sem tirar a farda? Talia... você parece mais inteligente do que isso.
- Ah, homem não pensa em roupas, Duna! Então está bem! Vou deixar você esperar sua namorada! - Talia ia levantando, pois o embaixador já havia tomado uma taça de vinho - Conversamos amanhã!
- Talia! - Duna levantou com ela - Eu gostaria mesmo de te falar o que me incomoda nesse embaixador!
Talia ficou dividida. Não sentou, mas parou para ouvir.
- Sente-se, por favor... 
- Está bem. Mas fale rápido, que eu tenho um convite para jantar...
- Com ele não é? Ah, Talia, esse cara fede! Não gostei nada da forma como ele conversou conosco hoje! Está tudo perfeito demais nessa história, não estou gostando... eu ainda não sei o que é, mas não pode ser só isso! Veja bem, o rapaz estava todo paramentado... se ele tivesse desertado, tiraria o uniforme! Porque ele manteria o brasão de um país que renegou? 
- É, é estranho mesmo... - Talia começou a ficar interessada na conversa de Duna.
- Eu acho que foi tudo armado, sabe? Esse roubo, o lugar onde eles se esconderam, esses comparsas praticamente inúteis, nenhuma guarda na vila... foi fácil demais nosso ataque. É como se eles quisessem que a gente os pegasse! - Talia estava enredada nos argumentos do amigo... intrigas sempre eram muito sedutoras...
- Mas por quê? 
- Pra causar estremecimentos entre Galandria e Turlan! 
- Sim, mas Berlando... mas o embaixador estava procurando o cara! Ele não pode estar envolvido... o rapaz pode ter desertado a mando de alguém, e essa mesma pessoa que pagou as fortunas para eles... 
- É, pode ser, mas não confio nesse embaixador. Ele não olha nos olhos da gente, ele não fala com convicção. - e Duna imitou a entonação entediada do embaixador:  - "Senhores, vejo que estão com o uniforme do desertor... muito bem! Onde está o homem? Ah, virou um bandido de estradas, atacante de cargas? Que original, não é? Bem, pelas roupas não temos recompensa, mas se os senhores conseguirem o patife, bla bla bla". Não confio em um homem sem sangue nas veias e na voz.

Talia estava rindo, a imitação era perfeita. Não tinha reparado como a conversa do embaixador era educada, mas sem emoção. O convite dele parecia menos romântico, agora. Pareceu um pouco falso  e comercial demais também. 

- É, você tem razão, Duna, ele é meio apático mesmo, polido demais...
- Duvido que já tenha matado um slurp, como você faz.
- Será que ele não sabe lutar? Bom, eu nunca o vi metido em brigas... sempre olhando tudo à distância...
- Porque não tem sangue, não tem energia... como você tem. - agora Talia enrubesceu, Duna estava olhando diretamente nos olhos dela, e continuou, sem desviar o olhar:
- Esses tipos burgueses, nobres, como esse embaixador aí, só possuem qualidades estéticas... 
- Com assim, estéticas?
- É como um manto de seda. É bonito, fino, brilhante. Mas se você quiser usar para te proteger do frio ou da chuva, não serve, e até estraga. Não é como um bom casaco de lã ou couro. Podem ser rústicos, mas estão sempre lá pra te proteger você quando precisa... - Talia ficou por um tempo sem fala, mas acabou retrucando:
- Mas e quem disse que eu preciso de proteção? Imagina só!
- Ah é? Então vai lá, janta com ele. E se prepara para protegê-lo, porque ele parece precisar... - Talia pensou e olhou para a outra mesa. O jantar já estava servido e o embaixador conversava com a comitiva, sem parecer se importar pela falta dela. 
- Ah, na verdade, já perdi a vontade de jantar com ele... só me escuta a respeito de tecidos e flores e danças...
- Deve achar que as mulheres não tem outros interesses...
- E você pensa diferente?
- Meu pai tem uma família grande, várias esposas. Tenho também muitas irmãs, além de irmãos... no deserto a vida é difícil, precisamos de todos os braços, sejam de homens ou mulheres. Minha mãe também tratava de feridos, e eu a ajudava quando menino, até que meu pai me achou grande o suficiente para treinar para a guerras... - e Talia se deixou ficar, ouvindo as histórias de Duna sobre o deserto, sua família, a caçada ao leopardo, quando ele era pouco mais do que um menino... e na terceira ou quarta cerveja percebeu que não havia namorada nenhuma, Duna estava ali por sua causa mesmo. E ela também resolveu ficar ali... por causa dele.

Fim.

2 comentários:

  1. Acho que vou falar de novo que gostei muito ;) e o final foi muito bom, e os personagens, por quem se apega de forma fácil, mereciam. Duna e Talia hein...

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    1. Brigada, Lu! Vou tentar continuar, mas ainda tenho muito pouca ideia de como! Beijo!

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