11 de outubro de 2012

Duna e Talia, parte 4: Ataque slurp!

"Duna e Talia" é uma historia inventada a muitas "mãos". Ela aconteceu em umas três ou quatro sessões de RPG em 2002 ou 2003. Eu era a Talia, uma atriz e dançarina famosa, bonita e esperta. Duna e Sagan foram "nascidos e vividos" por dois amigos meus, o Tiago e o Jorge. O mundo, "Fasantia", e a estrutura do enredo foram criados pelo nosso narrador, o Eduardo.

DUNA E TALIA

Parte 4 - Ataque slurp!

(criada por Eduardo, Sharon, Tiago e Jorge)

Na primeira parte da história, Talia ajuda dois rapazes a encontrarem um trabalho de resgate de mercadorias roubadas e resolve tentar a empreitada também. Leia aqui.

Na segunda parte, ela consegue se unir ao grupo, que talvez tenha 
encontrado os bandidos, em uma aldeia de pescadores. Leia aqui.

Na terceira parte Duna, Talia e Sagan recuperam os ricos panos
e começam a viagem de regresso. Leia aqui.

(Aviso, de novo: é o meu primeiro combate a monstros! tenham compaixão... rerere... e, por favor, me avisem sobre qualquer coisa. Foi muito difícil escrever. Fiz uma versão em que os slurps foram ferozes demais e acabou com Duna e Talia presos na estrada e sozinhos, com o risco de outro ataque. Não sou o GRR Martin, né? Mas guardei esse trecho. Por outro lado, se os slurps fossem ridículos demais, eles não precisariam matá-los nem o Sagan teria tanto medo, não é? Então, ficou assim.)

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Todos a postos, começaram o caminho de volta, calculando o tempo que demorariam para voltar. Eram duas pessoas montadas, Talia e Duna, com os cavalos carregados também com tecidos. Dois bandidos iam em cima do outro cavalo, amarrados e adormecidos por "técnicas antigas" de Duna, mas formavam um conjunto bamboleante que atrasava o passo da montaria. Sagan e o líder, muito ferido, iam na carroça. Eram um comboio lento partindo no meio da tarde... chegariam umas duas horas depois de o sol baixar, nos melhores cálculos.

- Só temos que nos preocupar com os slurps - lembrou novamente Sagan.
- Slurp? O que é isso, rapaz? - perguntou Duna - Tinha alguma coisa a ver com aquelas pedradas na cabana, não é? Que trapalhada!!! Se você não fosse uma surpresa de destreza e força, teria sido bem mais difícil nossa tarefa... - e deu uma boa risada.
- Você ri, Duna, porque não conhece o slurp. - Sagan contava, um pouco assustado - É monstruoso, gigantesco, segue o cheiro de sangue e ataca em bando... Depois eles sugam as entranhas da gente... "slurp, slurp, slurp"... é um horror... 
- Ah sim! - Duna riu mais ainda - E você quis intimidar esses vilões fazendo o barulho do bicho, foi isso?
- É, mas na hora eu me atrapalhei todo!
- Eu percebi! Senhorita Talia, está ouvindo? Ele queria imitar o bicho pra assustar os caras! 
- É... talvez funcionasse... slurps são perigosos mesmo... - responde a mulher, pensando em outras coisas, coisas redondas, valiosas, que estavam levando entre os tecidos. Mas decide entrar na conversa, que estava divertida: - Mas eles nunca atacam vilas, Sagan, você sabe... foi uma péssima ideia!
- Sim, foi, mas eu não consegui pensar em mais nada... enfim... funcionou! Eu peguei eles!
- Pegou demais, - lembra Duna - o líder ainda está morre não morre... veja...
- Esse sangue todo... vai chamar os slurp, estou dizendo. - Sagan não se aquieta. - Esses bichos são traiçoeiros. Temos que ficar atentos. 
- Mas é tão perigoso assim? - Duna fica curioso - Vocês não caçam esses animais? Existem muitos?
- É difícil entrar no pântano para pegá-los, - explica Talia. - Eles se escondem bem, são da cor da terra, não dá pra ver antes de chegar em cima... além disso, se você ficar preso na lama, adeus. Mas não vejo perigo não, Duna... estamos em um grupo grande e eles tem medo. Só atacam pessoas sozinhas, crianças... não vão atacar tanta gente junta. Ainda mais durante o dia. Não vimos nem um deles até agora, estamos fora de perigo.
- Você que pensa, moça! Se eles sentirem o cheiro de sangue, ficam doidos! Vamos o mais rápido possível!!!
- Mas isso mataria o líder, e não teríamos o restante do dinheiro, - lembra Duna.
- Talvez não precisemos nos preocupar tanto com o pagamento, diz Talia, retirando um dos sacos e jogando para Duna - Olha isso! Estava entre os panos.
Duna abre o saco e fica admirado com o conteúdo, uma quantidade expressiva de moedas larkisianas.
- Fortunas!!! Como esses bobocas conseguiram tanto dinheiro?  - Duna fica pensativo. - Porque ficar numa vila de pescadores?
- Sim, tem alguma coisa por trás disso... esses dois aí devem saber de alguma coisa... podemos parar e acordá-los para perguntar
- Não! Não vamos parar! Os slurps!
- Calma, Sagan... vamos parar num lugar alto com boa visibilidade, se você prefere. Que coisa estranha, rapaz, você bate em homens como se fossem de brinquedo e tem medo de um bicho?
- Você não conhece esses bichos, Duna... são o demônio. E quando sentem o sangue, ficam malucos. São o demônio. O demônio. 

Encontraram, finalmente, um local com boa visibilidade para parar. Poderiam ver qualquer viajante ou animal a uma boa distância. Acordaram primeiro o bandido que estava afiando a faca, que parecia  mais inteligente. Mas ele tinha pouco a dizer. Só sabia que haviam sido pagos pelo serviço com as moedas, mas não sabiam quem havia pago, ou por qual motivo. Acordaram o outro, que não acrescentou grande coisa. Eles não conheciam o líder, tinham negociado tudo numa taverna barata. Se juntaram somente na tarde do dia anterior.

- Pagar alguém para roubar panos? Não pode ser, tem mais alguma coisa nisso. - Duna ia amarrando novamente a boca dos bandidos, quando Sagan gritou:
- Ouvi alguma coisa! Slurps!!!
- Não, Sagan, imagina... - Talia tentou acalmar o rapaz - Slurps não atacam durante o dia...

Mas os cavalos começaram a se agitar, difíceis de controlar. Duna era o único desmontado e correu para acalmar seu animal, deixando o cavalo dos bandidos solto. A montaria escoiceou, pinoteou, fez tanto que conseguiu se livrar de uma das cargas, que caiu gritando. O outro continuou preso enquanto o cavalo fugia em disparada.

- Sluuuurp! Socorro! -  Sagan começou a gritar. O homem caído e amarrado começou a gritar também
- Me soltem! Me soltem! Não me deixem aqui!!!

Começaram a ouvir um barulho alto e perceberam a vegetação se movendo em várias partes.

- Slurp, slurp! Slurp, slurp!

Parecia vir de todos os lados. Os cavalos estavam assustados... mas Talia e Duna ainda conseguiam manter os seus quietos. Duna gritou:

- Senhorita Talia! Fuja!
- Imagina só! Eu adoro uma boa caça! - Ela tira duas facas da estrutura do corpete e mostra aos homens - Estou pronta! Que venham! Sagan! Desatrele o cavalo da carroça e suba nele! Vamos embora, essa carroça que fique aí!
- Mas antes pegue o líder, Sagan! Sagan? - o rapaz parece petrificado. - Seu machado, rapaz! Acorde! Duna, ainda desmontado, se aproxima da carroça e dá um tapa em Sagan.
- Nãããão... consigo... slurp...

Duna desatrela o cavalo e puxa Sagan. O faz subir na montaria.

- Vá embora, se está com tanto medo! Vai! - Sagan some em disparada, sem precisar guiar o cavalo, que está em pânico.

Agora as criaturas estavam se aproximando e podiam vê-las. Eram várias e vinham de todos os lados. Duna pára para olhar. São realmente grandes e assustadoras, do tamanho de um homem adulto. Lembram sanguessugas, rastejantes, com grandes bocas nojentas... Duas delas caem quando Talia arremessa suas facas exatamente dentro das bocarras.

- São fáceis de matar, Duna, se você souber onde acertar!

Talia abate mais uma das criaturas e fere outra, que solta um grito agonizante, diminui o ritmo, mas não pára de avançar na direção do rapaz amarrado. Uma das coisas, que vem atrás dela, morde o ferimento e a puxa com força, montando no animal ferido e sugando-o.

- Slurp, slurp, slurp!
- Me soltem!!! Pelo amor dos deuses! Pela minha vida! Eu faço tudo o que vocês quiserem! Me soltem!

Duna está tentando tirar o líder da carroça e colocá-lo em seu cavalo, mas é complicado fazer isso enquanto a montaria tenta pinotear e fugir, apavorada com o ataque dos monstros.

- Se eu te soltar, você me ajuda?
- E é bom ajudar, que eu tenho uma faca preparada pra você, cachorro! Juro que acerto na perna pra você não conseguir correr dos bichos! - grita Talia enquanto acerta mais dois slurps, um na boca, matando a fera, mas outro apenas de raspão.
- Tá bom, tá bom! Eu ajudo!

Duna solta o ladrão, que o ajuda a colocar o líder no cavalo, na sela de Duna, que senta atrás, sobre os panos e incita o cavalo a partir:

- Vamos sair daqui!
- Pronto! - Talia acerta mais um bicho próximo e deixa o cavalo correr livre. O ladrão tenta pular em sua garupa, mas Talia ameaça atirar uma faca. - Sai fora, cara, use as pernas!

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Fim da quarta parte. Próxima, já disponível: Intriga internacional?

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