15 de agosto de 2012

24 horas da Sharon em 2004 (longo, sem figurinha)

Da quitanda antiga, em 10 de abril de 2004

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Uh! É feriadãããum! Uh! É feriadãããum! (postão)

Sexta feira santa, 5 h 30 min

- Hora de acordar! Sharon, o Bruno tá passando aqui pegar a gente!
- Tá, já vou... mas você não usou a MINHA mala, usou?
- Não acredito que você nem fez a mala, a gente sai às seis!
- Você usou a MINHA mala?
- Eu usei a de couro, por quê?
- É a minha mala. Eu te emprestei para ir até MANAUS. Não para sempre.
- Ela tava toda estourada e em Manaus eu tive que mandar num sapateiro.
- Quando você pediu emprestada eu disse que tava estourada!
- GASTEI um monte.
- Então agora você quer a mala de presente de PÁSCOA???
- Não! Ó, já tô esvaziando. Pega essa merda prá você. E não se atrase, a gente está saindo.
- É, vai embora, vai. Deixa a sua irmã em casa por causa de cinco minutos...

Aí ela tomou banho e se acalmou. Enquanto isso, eu andava pela casa, arrumando as coisas, e percebi que ela havia lavado a louça, desligado o gás, enxaguado e torcido as roupas que estavam de molho. A casa estava um brinco. Isso me acalmou bastante, também.

Tudo embarcado, saímos de casa. Fui declarada guia da perigosa viagem até Pato Branco, no sudoeste do Paraná. E já comecei bem:

- Sobe reto toda vida.

O Bruno foi... reto. Mas ele deveria ter virado à direita na primeira rua, na Inácio Lustosa. Eu disse "segue reto toda vida" e esperei que ele virasse, porque a rua onde moramos, Matheus Leme, não permite um "toda a vida", achei que ele se tocaria. Não se tocou. Aí viramos na primeira rua que subia no mesmo sentido, a Carlos Cavalcanti. A Sheylli quis voltar para a Inácio Lustosa, eu disse que não precisava. Resultado: devido a um viaduto entre as duas ruas, fomos parar no bairro de Santa Felicidade, quando devíamos sair no Campina do Siqueira.

Eu fiquei confusa com as placas em Santa Felicidade. Elas diziam "BR 277 Ponta Grossa". Eu não sabia se era o caminho para Guarapuava. Constatamos depois que sim, mas, a princípio, tivemos de voltar uma grande parte do caminho e nos meter nas ruelas através do Parque Barigüi para encontrar o Campina do Siqueira. Fiz a maior confusão. Se tivéssemos voltado para a Lustosa, como a Sheylli sugeriu...

6 h 30 min Mais embróglios. Musiquinhas de viagem.

Eu não lembrei de entrar no trevo de Araucária, e acabou que fomos por Ponta Grossa, gastando 20 quilômetros a mais de gasolina.

Prá animar a partida, ouvimos Maskavo Roots. Skazinho-pop-rock divertido. Depois, Audioslave, mas como a Sheylli estava quase dormindo nas baladas, ela colocou uma coletânea que meu pai chama de "Rock 2000" e começa com "Eu fui dar mamãe" aí vem "Loiras geladas" do RPM, "Menina Veneno", essas coisas. Aí achei melhor por o Maquinarama do Skank e, como a essa altura já não estávamos mais perdidos, fui dormir (um banco traseiro só para mim!) e pedi que me acordassem em Guarapuava, pois lá o caminho muda.

9 h 30 min Acordei com uns forrós indefiníveis.

Não era exatamente forró, era o Maxixe Machine, samba curitibano "de raiz". Paramos para um lanchinho em Guarapuava. Eu pedi o café da manhã tradicional da família Caleffi em viagem: pastel e café-com-leite. Somente quando já estava no carro eu percebi que cometi um pecado! Pastel de CARNE. Bom, agora já era tarde. Encerramos a viagem ouvindo Carl Perkins, um vovô rock'n'roll que tocou músicas do Elvis e compôs músicas que o Elvis tocou.

12 h 30 min Lar, doce lar.

Peixe assado com legumes. O máximo. Perfeito. Só não estava tão bom porque foi um peixe comprado e não pescado. Diz o Caleffi que não tem mais tempo para pescar. Muitos compromissos. Seeeei... Aí sequei a louça que a Sheylli lavou. É impressionante como aqui, em Pato Branco, as louças conseguem ser lavadas a cada REFEIÇÃO. Em Curitiba, isso acontece a cada DOIS DIAS. Então, cama. Dormi bragarai. Acordei quando meu tio de Rondonópolis e sua família estavam indo embora. Como eles chegaram durante o meu sono, só pude dar um abraço em cada um. Conversa só ano que vem.

16 h 30 min Família que joga unida permanece unida

Ensinamos o Bruno a jogar pontinho. Pontinho é também conhecido como Pife e Pif-paf. É parecido com Caxeta. Você recebe 9 cartas. Tem que montar grupos de no mínimo de três cartas. Ou seqüencia (2,3,4) do mesmo naipe ou números iguais (K,K,K) de naipes diferentes. Aí você baixa o seu jogo, e ganha quem terminar todas as cartas. Terminar as cartas chama-se "bater".

18 h 30 min A Melody de barriguinha!

Que fofura! Se for menina, vai ser Alana. Para menino ela ainda não decidiu. Ela passou em casa para irmos no centro da cidade comprar ingressos para a boate. Show do Nega Fulô, uma banda (err...) de Curitiba. Tocam 70's. Vai ser a única coisa nessa cidade mesmo, então vamos. Treze malditos reais o ingresso! Um absurdo. Na fila do ingresso, não tão bonita quanto a do Pixies, mas bastante estética, um menino e seu super-mini-pinscher. Tão pequeninho que não parava de tremer (o pinscher, não o menino: uma fofurinha).

Já na casa da Mel, um susto: aranha armadeira. Enorme. Eu até dei uma de corajosa, peguei um inseticida enquanto a Melody empunhava sua impávida vassoura. Entretanto. A aranha se mecheu. Cuidadosa, ardilosa, nocivamente. Preparando o bote, com certeza. Ela queria pular. Pular, morder, matar!!! Cadê coragem? Recuamos todos os passos que corajosamente haviámos dado em direção à fera. Foi o momento em que Vera, a super mãe, chegou, pegou a impávida vassoura nas mãos de usa filha, e matou a aranha destemidamente.

A Melody é praticamente minha vizinha. Nos conhecemos em 1992, sétima série. Ela já é "de casa", e meus pais quiseram ver suas fotos de formatura. Ela trouxe o CD-ROM aqui em casa. "Corta para" a família toda em volta do computador comentando vestidos, cabelos, meninos e filhas com garrafas de cerveja na mão.

-----Interlúdio: acabo de desligar o telefone, era ela. Amanhã ela e a Vera vêm almoçar o strogonof da mãe. Vão trazer a salada de batatas. Aqui em Patópolis chamamos simplesmente de maionese. Fim do Interlúdio-----

20 h 30 min Hora do jantar.

Pão com queijo e salame (já que eu comi um pastel INTEIRO de carne um salaminho não vai fazer mal) e café-com-leite. Histórias diversas de Manaus, pescaria, hospital (a Mel é enfermeira), biblioteca e Guarapuava (onde a Shana, nossa caçula estuda Biologia). Qual foi mesmo a piada que o pai contou? Não lembro. Mas ele está aqui do meu lado e tem outra:

"O casal na boate, pedindo bebidas. O rapaz oferece um uísque:
- Não, querido. Uísque me dá problemas nas pernas...
- Sério? O que acontece? Elas incham?
- Não. Abrem."

21 h 30 min Lavar a louça, tomar banho, arrumar o cabelo, maquiagem. Provar roupas. Incrivelmente, essas atividades, multiplicadas por quatro (Sharon, Sheylli, Bruno e Shana) duraram umas 3 horas. Então, boate.

00 h 30 min Festinha na boate. Em Patópolis as meninas fazem cabelo-manicure-pedicure e estão sempre super-bem-vestidas-na-última-moda (que inclui uniforme de aché: legging branca, saia rodadinha vermelha, top branco e blusa de lycra toda recortada vermelha). O pico estava lotado. Os gays reunidos no canto inferior direito, os adolescentes (14-18) no mezzanino, quase ninguém na pista e todo mundo se expremendo, acotovelando-se e empurrando-se para "dar uma volta". Até começar o show (Nega fulô, lembram?) a dijeia toca os maiores sucessos eletrônicos da última semana, que incluem Britney Spears, Beyoncé Nuñes e o resto eu não reconheci porque não passa na MTV.

01 h 30 min As pessoas!!! Gente que estudou no CEFET em 1994-1997. Listinha: Sharon, Melody (e bebê), Kelly, Cheila Piaceski, Sheila Yoris, Pimenta, Sidney, Rodrigo "Pum", Rudélcio, Paracena, André "Pangaré", Juliani e Tati. Amigos das minhas irmãs. Personalidades patobranquenses. Muita mulher bonita (a cidade é reconhecida por isso) e alguns meninos aproveitáveis.

O show foi divertido. Clássicos dos anos 70, Abba, Bee Gees, Saturday Night Fever... Eles tentaram tocar "Private Idaho", do B-52's, mas fica estranho com todos aqueles metais, aquela pouca guitarra, nenhum baixo e poucos urros. A melhor música da noite acabou sendo:

03 h 30 min

I Say A Little Prayer - Aretha Franklin

The moment I wake up
Before I put on my makeup
I say a little pray for you
While combing my hair, now,
And wondering what dress to wear, now,
I say a little pray for you

Forever, forever, you'll stay in my heart
and I will love you
Forever,and ever, we never will part
Oh, how I'll love you
Together, together, that's how it must be
To live without you
Would only be heartbreak for me.

04 h 30 min Acaba o show, com Tim Maia e Jorge Ben. Começam novamente os grandes sucessos eletrônicos da última semana. Hora de juntar os caquinhos e ir embora.

05 h 30 min Cama!!!

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Então. Assim fica cumprido o primeiro ítem da lista abaixo. 24 horas na vida da quitandeira. Foram horas saudáveis, familiares, divertidas. Elas foram, e não voltam mais. E, não vão embora, que ainda não terminou.
Boas essas 24 horas, hein? E vocês estavam fazendo o quê em 2004?

Um comentário:

  1. Haha, você acorda mal humorada? Sei bem como é, se o papa me der bom dia eu estapeio ele. Foram vinte e quatro horas bastante produtivas, rendeu mesmo. Estou me lembrando o que estava fazendo em 2004. Provavelmente estava estudando para o vestibular da Unesp, feito um louco, de manhã a tarde, tudo por que meu irmão me disse uma frase terrível: enquanto você descansa tem um japonês estudando. Mas valeu a pena.

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