8 de outubro de 2011

Bernard Cornwell

A Tábata, do Happy Batatinha, convida os leitores todo ano pra uma série de postagens sobre literatura. Esse ano, cada dia do mês de outubro tem uma pergunta para inspirar um post. Hoje, no oitavo dia, o tema são os livros que eu tenho, os que são meus. Ou que por enquanto são meus. Mas isso é filosofia.

Dia 08 – Quantos livros você tem? De qual o autor você tem mais livros?

Pois é, eu sou o Sidney Sheldon
do romance histórico.
Segundo o skoob, e desatualizado, porque comprei bastante coisa nos últimos tempos e não incluí lá, eu tenho 199 livros. Provavelmente eu tenha algo em torno de 230 livros.  O Tomás já tem uns outros 30 e Rodrigo tem uns 5, então, acho que em casa temos bem uns 270 livros. Não é muito. Ou não. Daqui uns dias povo só vai ter mesmo uns 5 ou 6 livros na estante e vai ler só pelo tablet. Aí não vai dar pra contar as obras, porque o limite entre uma e outra vai ficar difuso e confuso. Mas, por enquanto, os livros físicos de papel ainda fazem parte da rotina e estão ali, guardadinhos, na estante.

O autor que eu mais comprei é Bernard Cornwell, que escreve romances baseados em lendas e na história da Inglaterra.Que eu mais li? Provavelmente Stephen King. Ou Asimov. Ou Fernando Sabino. Marion Zimmer Bradley ou Lygia Fagundes Telles. Marcos Rey. Não tenho ideia. Mas tenho, do Cornwell, 12 livros: o primeiro livro da série Sharpe, os três das crônicas de Artur, os três do arqueiro e os cinco das saxônicas. E provavelmente vão ficar por aqui por um bom tempo, mesmo que eu consiga me desprender e doar alguns, os Cornwell ficam.

Richard Sharpe, o Tigrão.
Não é Jaime Lannister,
mas não pegou a irmã só
porque não tinha uma.
O primeiro livro que Cornwell escreveu, em 1981, "O Tigre de Sharpe", é o começo da série de 20 livros sobre Richard Sharpe, um filho da puta (exatamente) londrino que se alista no exército pra fugir de um crime qualquer  Sharpe começa no exército como recruta, participa de campanhas na Índia e luta contra Napoleão. Chega a tenente-coronel. Dentre os Sharpe que eu li, meu preferido é "Sharpe em Trafalgar". Uma das grandes qualidades do Cornwell é a descrição detalhada das lutas, e depois desse livro, sua batalha naval nunca mais será a mesma. Piratas do Caribe, A Ilha da Garganta Cortada, tudo fica muito mais interessante. E o livro também fica melhor se você já gostar de navios combatendo e tiver assistido algum filme. E de novo, o eterno dilema: como uma mulher fica três meses num navio sem menstruar e sem tomar banho, fazendo tchu-ru-ru com o cachorrão todo dia? Incrível isso, eu estava pensando, mas Cornwell é um pouco mais ligado na vida feminina que a maioria dos escritores homens. Os livros do Sharpe são bastante independentes, dá pra ler meio fora da ordem sem problemas.


Sharpe em Trafalgar, Bernard Cornwell

Wellesley, ou Mr Darcy.
Suspirem, donzelas!
Todos os livros do Cornwell são narrados sob o ponto de vista de um personagem fictício, homem, gatão e totoso, pegador de muitas mulheres e tudo mais. Menos "A filha da tempestade", que eu não li. Mas o resto dos personagens principais são todos homens. Continuando, Sharpe só não é o "Mister Cornwell" porque nas suas histórias tem um concorrente arrasador: Arthur Wellesley, o Duque de Wellington, o Mr. Darcy das guerras. Até no retrato da época o cara tem o tipão inglês que deixa suspirando pobres leitoras de Jane Austen. Enquanto Sharpe é o cachorrão escancarado, Wellesley é o carrancudo silencioso com um longo histórico de bondade no coração. Mas enfim, divago. As histórias de Sharpe viraram filmes. Sean Bean interpreta o Sharpe desde 1992 e até agora não morreu com divisas militares. Um personagem mais lucrativo que o Boromir. Ufa! Mas. Não comprei toda a série Sharpe porque não acho que valha a pena, são livros mais descartáveis, de ler e esquecer. Li todos os outros lançados no Brasil em e-book compartilhado pelo Viciados em Livros.

Estou quase desistindo também que continuar comprando a série saxônica, que Cornwell está escrevendo agora. Começou muito bem, mas está começando a virar folhetim... no volume quatro as coisas acontecem, acontecem, mas não saem do lugar. E tudo continua no quinto como se o quatro não tivesse acontecido. Não gosto de dinheiro jogado fora. Mas tem o Uhtred, o gatão pegador da vez. Sabe aquele seu amigo que não perde uma chance de ironizar? De fazer piada, de colocar alguém no seu lugar? Que perde amigos, mulheres e empregos por causa da língua descontrolada. Então. Desculpem-me quem não me segue no gReader, mas a pessoa mais Uhtred que eu conheço é o Agripas.

As crônicas saxônicas são a história de como o rei saxão Alfredo e seus filhos combateram a invasão dos noruegueses. Vikings! Pelo martelo de Thor, os Vikings! Yeah, os vikings são caras muito foda. Mas dentre todos os personagens históricos, a melhor é a filha de Alfredo, Aethelflaed. Uhtred a conhece ainda menina e durante a série ela cresce a mulher corajosa e inteligente que vai ser conhecida como "Senhora da Mércia" e governar o lugar por oito anos, depois da morte do marido. Todos os fãs estão loucos pra ver a Aethelflaed (eu digo édelfléd) e o Uhtred em um romance modernoso, cada um na sua casa mas com muita coisa em comum. Eu espero que sejam só mais dois livros pra que todo esse negócio termine.


Crônicas Saxônicas, Bernard Cornwell

Tudo isso e eu só falei dos livros "bons". Agora é que o negócio começa a ficar bão.

Thomas, o Emo
"A Busca do Graal" é uma trilogia sobre A Guerra dos Cem Anos. Você lembra, Carlos Magno e Joana D'Arc. Esse povo aí. No meio do troço tem o Thomas, o galã adolescente confuso bonitão do Cornwell. Thomas é filho de um padre que guarda uma relíquia religiosa verdadeira, entre as inúmeras falsidades pega-crente da época. A história, na verdade, é mais sobre Thomas e sua descoberta de quem é, da família, dos amores... um romance de formação bem típico. Só que com um cenário bem peculiar. São os livros do Cornwell que agradarão mais os poetas e os românticos.


A busca do Graal, Bernard Cornwell

Dumbledore? Gandalf?
Bitch, please...
Em 1995 Cornwell começa a publicar o que eu considero o meu romance histórico favorito de todos os tempos. Está entre os meus dez livros favoritos. As Crônicas de Artur. Muita gente, senão todo mundo (até os yanomami? até os pigmeus?) conhece o básico da lenda. Excalibur na pedra, Merlin, Guinevere, Lancelot, Távola Redonda. Pois é, né? Não, nada disso. Guinevere não é uma virgem linda e recatada, Lancelot não é o melhor amigo, Merlin... bem, Merlin sim, Merlin é um velhinho safado que consegue tudo o que quer. E o narrador gatão dessa vez é Derfel Cadarn, o cara normal, um guerreiro, mas da paz, que teve três mulheres, três amores e três filhas. Dentre todos os homens do Cornwell, Derfel é o bom marido. O que está lá quando a família precisa. Mas nem sempre ele consegue fazer tudo e... Pelo menos não é Crônicas de Gelo e Fogo, pode ficar tranquilo que ele não fode todo mundo. Como são os livros que eu mais gosto, não vou contar mais nada pra não melar a coisa. Não recomendo, inclusive, as páginas sobre o livro na Wikipedia em inglês. Tem spoiler sobre o Derfel já na primeira linha. Chato demais. As mulheres da história são surpreendentes. Elas fazem tudo o que a gente espera mas não é bem pelos motivos e das formas que conhecemos. Meu livos estão com o Dinho agora, mas assim que ele devolver, empresto procês.

Crônicas de Artur, Bernard Cornwell
(sebosskooblivra)

Terminando só dizendo que também gosto bastante das Brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley e A Crônicas de Merlin da Mary Stewart. Mas o realismo vence a fantasia no meu coração. 

2 comentários:

  1. A legenda da foto do Bernard me comoveu, tocou meu coração pq eu sou fall in love com os dois *.*
    Eu tenho os 5 volumes das Cronicas saxonicas e amo o Ragnar (vc não falou dele!!!!) e nunca aprendi a pronunciar Aethelflaed sou pessima em pronuncia inglesa rsrsrs Tenho o Graal mas ainda n li e sou louca p ler o Rei Arthur pq eu n gosto da forma como a lenda é contada, gostei da forma vista por Brumas de Avalon mas to curiosa p ver a do Bernard :)
    E vc me deixou curiosa p ler os livros do Sharpe, eu pretendia ler soh pelo fato de ser escrito pelo Bernard mas agora vc me deixou com uma p. vontade de ler *o*

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  2. O Ragnar é gatão também, né Agatha? Mas eu acho as "Crônicas..." meio "segunda linha". Leio, mas tem coisa melhor. Não sei se vou ler o próximo, vou deixar o pessoal comentar primeiro.

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