4 de março de 2013

"O Morro dos Ventos Uivantes", Emily Brontë

Arte de C.E. Montford -
 'Entra! Entra! - soluçava"
Antes de ler vai no youtube e liga a música. (obrigada, Cyntia!)

Li (mas não comprei) a famigerada edição com a referência à série Crepúsculo na capa, já que foi a que me caiu nas mãos. Estava numa das estantes do Leitura sem Fronteiras e eu decidi ler o clássico que a uns 25 anos me recomendam. Desde que eu tinha idade para ler romances. É da editora Leya, selo Lua de Papel, 2009, 292 páginas. E é... incrível, arrepiante. Justifica todas as referências, inspirações, homenagens, adaptações, inclusive as duvidosas.

O mundo de Heatcliff e Catherine é tão diferente da atualidade que é até difícil julgar o enredo com nossos olhos. Só pela quantidade de gente que morre jovem, de doenças que, hoje em dia, são plenamente tratáveis, já se imagina que nunca existiria história como essa em nossos dias. Outra coisa é que dificilmente cinco crianças viveriam, hoje, em um grupo humano tão fechado... onde só tem como referência a si mesmas. Não me admira que elas tenham amado e odiado tanto umas às outras... elas não conheciam mais ninguém! Não tinha escola, não tinha rua, não tinha parque, não tinha nada!


Capa para Penguin Classics Deluxe Editions, criada por Ruben Toledo
Aconteciam tragédias como essa, como Romeu e Julieta? Era assim que o "mundo operava" no quesito "amor de adolescentes"? Como era complicado, difícil, desumano viver... se as pessoas não tivessem a sorte de crescer sem amor algum, sem tesão nenhum, sem expectativa alguma... bum! Tudo acabava em morte, tragédia, vingança, ódio, traição.

Gravura de uma edição de 1940,
Fritz Eichenberg
Um tempo horrível pra se amar, se quiserem que a gente acredite que era mesmo assim que acontecia... e não como nos romances de Jane Austen, onde o idealizado é a beleza e a alegria... ou no Noite e Dia, da Virginia Woolf, que se espera um tantinho mais realista. Ainda bem que eu li esses antes, hein... o peso da história diminui um pouco se comparado com as relativamente contemporâneas, já que se torna surreal. (lembrando que Austen é bem anterior e Woolf bastante posterior, na verdade).


Pra terminar a lista de idiossincrasias, em três anos era impossível juntar uma riqueza que bastasse para comprar uma propriedade rural inglesa. Mas vejam bem, se as coisas corressem em tempos normais, ele não voltaria a tempo, porque... é.

Gravura da edição de 1940,
Fritz Eichenberg
Tudo foi bem amarrado, de certa forma. O livro é muito bem escrito, eu não consegui largar até chegar ao fim, mesmo com essa visão tão triste sobre as pessoas. Será que Emily acreditava nesses monstros que criou? Será que foi tudo um exercício de imaginação? Quão longe alguém pode ir levado pelo ódio e pela vingança? Ou pela letargia?

O livro só vai passar desapercebido para os fortes, os insensíveis e gente que não mergulha no que lê. Eu não sou nenhum dos três e fiquei marcada, meu fim de semana foi ruim, meu humor azedou, o leite coalhou, o bolo murchou, a salada azedou. Mas é essencial. Eu não lembro de ter lido nada tão extremo. Alguns livros falam sobre amor obsessivo (como "A mulher do viajante no tempo"), tentativas de recomeçar amores do passado ("O Grande Gatsby") mas nada que se tenha chamado de "história de amor", que eu tenha lido, chega perto de aterrorizar como "O Morro..."

Com toda certeza, não é uma história amor. É uma distopia, concordam?

Cinco estrelhinhas. Em cinco.

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Mais resenhas, aqui.

3 comentários:

  1. Claudia Flores3/04/2013 11:43 AM

    Olá, você tem visto a novela Lado a Lado? desde a semana passado vários assuntos femininos tem sido abordados, na reta final da novela. Semana passada foi sobre a luta da Laura em assinar as matérias no jornal com o próprio nome em vez de assinar com o pseudônimo Paulo Lima.
    Aqui vão as cenas se vc quiser dar uma olhada:
    http://tvg.globo.com/novelas/lado-a-lado/videos/t/cenas/v/laura-revela-a-guerra-que-e-paulo-lima/2427094/

    http://tvg.globo.com/novelas/lado-a-lado/videos/t/cenas/v/jornalista-rejeita-a-materia-de-laura-por-ela-ser-mulher/2429170/

    E aqui uma entrevista com a autora Claudia Lage sobre a internação de mulheres, comum no século XIX e XX.

    http://tvg.globo.com/novelas/lado-a-lado/Fique-por-dentro/noticia/2013/03/laura-no-sanatorio-autora-diz-que-constancia-sera-mae-cruel-e-devoradora.html

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    1. Oi Claudia! Eu assisto sim! Quando eu não posso, vejo no site da globo mesmo. Eu gosto muito da Laura e tal. Brigada pelos links.

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  2. Um dos meus livros favoritos. Preciso reler.

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