23 de novembro de 2006

Até Pato Branco ficou sem graça depois dessas...

Diário de Guarapuava, 24 de fevereiro de 2005:

PF destrói 30 mil frascos de lança-perfume

A Polícia Federal (PF) destruiu ontem cerca de 30 mil frascos de lança-perfume, apreendidos em duas operações realizadas em dezembro do ano passado e janeiro. No final houve explosão. Equipes do Corpo de Bombeiros que estavam no local para evitar acidentes agiram rápido e ninguém saiu ferido.

A destruição dos frascos, triturados por rolo compressor, espalhou o forte cheiro do produto, incomodando os presentes e afetando alunos de uma escola próximo ao local onde houve a destruição. Alguns passaram mal e foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros. As aulas foram canceladas no período da tarde.

O ato foi presenciado por lideraças políticas e policiais. Os mais velhos lembravam que no passado o lança-perfume não era considerado droga e era utilizado para brincadeiras no carnaval.
O agente federal Víctor Bond disse ter sido a maior destruição de lança-perfume já ocorrida no Brasil. ¿Foram duas apreensões recordes em menos de um mês¿. Segundo ele, ano passado a PF de Guarapuava, que atua em 77 municípios e 120 quilômetros com a fronteira da Argentina, apreendeu cerca de 38 mil frascos, quase metade do total de apreensões no país - 79 mil.
Ele explicou que a PF pediu autorização judicial para a destruição dos frascos por causa dos riscos de explosões. A droga estava guardada nos depósitos da delegacia. ¿O Cloreto de Etila é altamente inflamável e poderia ocasionar incêndios¿, afirmou, sem saber que, pouco depois, o receio se concretizaria.

Diário de Guarapuava, 25 de fevereiro de 2005:

PF vai apurar causas do incêndio

Corpo de Bombeiros diz que destruição dos 30 mil frascos de lança-perfume, que terminou em explosão, deveria ter sido em local afastado

O delegado da Polícia Federal (PF) José Alberto Iegas afirmou ontem ao Diário, que a explosão ocorrida durante a destruição de 30 mil frascos de lança-perfume, na quarta-feira, foi um acidente sem grandes danos ¿ físicos e materiais ¿ e informou que a policia está investigando o que ocasionou o fato. ¿Estamos apurando o que aconteceu¿.

Iegas criticou setores da imprensa de Guarapuava que, segundo ele, estão tratando o assunto com ¿sensacionalismo¿. ¿Querem manchar a imagem da PF de Guarapuava. A troco de quê?¿, questionou.

Ele afirmou ter tomado todas as precauções necessárias para evitar qualquer acidente. ¿Chamamos o Corpo de Bombeiros, Guaratran, isolamos o local e distribuímos máscaras para quem estava assistindo (para proteção contra o forte cheiro do lança perfume). Havia até representante da Vigilância Sanitária¿.

Ele informou que os maiores prejuízos materiais foram os pneus do rolo compressor da Surg ¿ utilizado para a destruição dos frascos ¿, que foi queimado. ¿Vamos doar outros pneus à Surg para recompor as perdas¿. Ele lembrou que nem mesmo a fiação elétrica foi atingida.

Iegas também comentou sobre os alunos de uma escola municipal próxima ao local do fato, a rua Capitão Arcílio Pereira, ao lado da delegacia da PF, que passaram mal com o mau cheiro. ¿Eles foram atendidos na hora. Duas crianças chegaram a ser levadas no período da tarde para hospital, mas nenhuma delas faltou à aula hoje (ontem)¿. O delegado disse ter entrado em contato com a mãe de um dos alunos que passou mal e se colocou à disposição para qualquer problema.

A diretora do colégio, Dagmar Ingrid Marcondes, contou que algumas crianças se queixaram de garganta ressecada, dificuldades respiratórias e apresentaram reações alérgicas. Havia cerca de 400 crianças quando houve o incidente. Elas tiveram de ser retiradas das salas de aula e levadas para o pátio. ¿Houve um certo tumulto e algumas crianças choraram¿.Dagmar contou que alguns pais ficaram assustados ao ver a rua bloqueada, a presença do Corpo de Bombeiros e as crianças chorando no pátio. ¿Alguns reclamaram¿.Apesar disso, a diretora não atacou a PF. ¿Eles não esperavam que isso fosse acontecer. Foi uma infelicidade¿. Mas ela questionou o local escolhido para a destruição.

O comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Júlio César de Góes, também afirmou que o local utilizado não foi adequado. Ele disse que os bombeiros não foram consultados sobre a escolha do local. ¿Apenas nos solicitaram apoio no final da tarde de terça-feira¿. Segundo Góes uma área afastada deveria ter sido escolhida.

O delegado da PF explicou que o local foi escolhido justamente pela segurança, por ser ao lado da delegacia. ¿Ninguém queria que isso acontecesse¿.

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