23 de novembro de 2006

A tragédia do Pato Branco

- Io mato questo bugre maledeto! - berrou seu Floriano, pegando na espingarda. - Questo porco nom leva filha mia!

- Calma, homem, pelo amor de Deus! - dona Carmem, desesperada, segurava o marido. - Vai acabar acertando os dois e ainda mata nossa filha!

Seu Floriano se soltou da mulher e correu para os fundos da casa, de onde ainda podia ver os amantes em fuga, ao alcance de um tiro.

- Desgraciato!

- Não homem, não faça isso!

Nesse momento, os homens da vila apeavam no rancho. Quando o piá do Frederico deu a má notícia na cancha de bocha, seu Floriano sumira tão rápido que nem se ouviu o cavalo trotar. Uns para evitar tragédia, outros de curiosos, mas a maioria querendo mesmo é ver índio sujo levar fumo, seguiram para a fazenda. E chegaram bem na hora da bala.

- Bam!

Dona Carmem rezava de olhos fechados. Mas os gritos que ouviu não eram os que esperava. Coragem de olhar só quando ouviu as risadas do povaréu. Seu Floriano haria acertado o pato branco de estimação da família, que, não se sabe como, havia se intrometido na rota da bala.

O inesperado do caso e a risada dos compadres aturdiram o pai, dando o tempo do casal fugir. A história do pato herói se espalhou rapidamente, e, em pouco tempo, não havia visitante que não desejasse conhecer o "Sítio do Pato Branco". Foi nesse lugar onde, anos mais tarde, se ergueu nossa cidade.

O pato? Foi prá panela. Mas seu Floriano nem provou:

- Porco cane! Se nom me é questa praga eu acerto o bugre! Maledeto!

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