23 de novembro de 2006

Quaresma da Soja Verde

Li Sartre (A idade da razão) e Alan Moore (A voz do fogo). Com certeza: história na ficção é mais divertido que filosofia na ficção. E acreditem ou não, mais perturbador também. Mas a tradutora do Moore falhou em um ponto muito importante. Vejam esse trecho, de um parágrafo que conta como foi encontrado, finalmente, o lugar estavam as cinzas do pai do Moore:

"Isso havia criado uma breve comoção para esclarecimento de suspeitas perturbadoras: Soylent Green é gente."

E olha a nota da tradutora:

"O nome do pai (sic) poderia ser confundido com nome de vegetais por causa de significado de partes do nome: soy, soja e green, verde (lent significa quaresma)."


Ai Jesus, Maria, José! Mas estão ela não sabe que Soylent Green é um filme? Ela não tem Google? Aliás, aliás, aliás, um ca-lás-si-co da ficção científica? Não, pelo jeito ela não sabe. Mas vem cá: ninguém na Conrad leu esse livro antes de publicar? Quedê editor? Quedê?

Pois é que eu procurei no google e não vi nenhum indignado comentar isso... Acho que tem pouca gente que viu Soylent Green. Poizé. Eu vi, graças a ao Grande Mestre do Role Playing Game Que Possui A Grande Coleção de Fitas de Vídeo Contendo Filmes Clássicos do Terror e da Ficção Científica. Fui abençoada nessa vida. Pelo menos eu não ia tentar traduzir o nome do pai do Alan Moore como Quaresma da Soja Verde (ou Verde Soja da Quaresma?).

Um comentário:

  1. Olá.
    Sim, a nota de rodapé está errada. O texto em si está correto, mantendo a referência ao filme. Numa eventual próxima edição, a nota será devidamente retirada.
    Muito obrigada pelo comentário!
    Estamos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.
    assinado, a assessoria de imprensa da tradutora, composta por ela mesma ;)

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