23 de novembro de 2006

O elogio da Jabuticaba

És o excêntrico em tua negritude esférica
Ó Jabuticaba! Teu sumo é o doce apaziguador das amarguras!
Somente o iniciado em teus segredos é digno de tuas delícias,
O romper da perfeição de teu invólucro
As minúcias de teu sabor indescritível
A sensação de sugar cada pequena gota de tesão
E finalmente, teu pequeno caroço, que nos desce pela garganta
Num prazer mecânico que lembra coisas escondidas

Os olhos se fecham, como se a visão atrapalhasse,
os ouvidos não atendem mais a nenhum apelo,
o nariz existe unicamente para teu delicado olor,
o tato concentra-se inteiramente nos lábios,
e sou toda paladar, os sentidos absorvendo cada detalhe
numa confusão que atordece!

Ó Jabuticaba, perfeita, inexprimível!
Grande és, em pequenas doses negras,
ó excêntrica, ó exótica, ó temível presença,
tantas lembranças evocas, tantas sensações despertas,
que nos esquece todo cuidado, e nos deixamos empanturrar.

Ó cruel Jabuticaba!
Ao abandonar nossos corpos,
corpos já esquecidos das delícias que provocaste,
em dores lancinantes que rompem membranas,
golpes malvados de teus restos vingativos,
não esqueces de lembrar-nos que dentro de nós esteve!

Nenhum comentário:

Postar um comentário