19 de setembro de 2012

Duna e Talia, parte 1: Girls just wanna have fun

"Duna e Talia" é uma historia inventada a muitas "mãos". Ela aconteceu em umas três ou quatro sessões de RPG em 2002 ou 2003. Eu era a Talia, uma atriz e dançarina famosa, bonita e esperta. Duna e Sagan foram "nascidos e vividos" por dois amigos meus, o Tiago e o Jorge. Não tem como eu dizer que a história é "minha" apesar do ponto de vista ser da Talia, porque sem eles nada aconteceria.

Assim como não posso deixar de reconhecer o criador da maior parte do cenário, do "mundo" e da situação onde a Talia e o Duna se "conheceram". Foi o Eduardo, nosso narrador e mestre a principal mentre criativa da história. Como em todo RPG, tudo o que não é ação direta de um jogador vem do livro ou do mestre... e, no caso, o Eduardo era nosso livro E nosso mestre!!!

Eu não lembro muito bem dos nomes das cidades e essas coisas, mas não importa muito pra essa história. O que importa é que é um mundo inspirado no medieval (pro nosso antigo grupo, a melhor ambientação de RPG evah), com tavernas e viagens longas de carroça por lugares cheios de bandidos. 

Então, quando tiverem um tempinho, vejam o começo da história, que eu rascunhei em 2003 e publiquei na Quitanda antiga... ainda estou editando tudo, ela deve ter entre três e quatro capítulos. Curtinha. 

Agora que eu percebi que o lugar se chama "Caminho dos Bravos"! Mas tenho quase certeza que não é uma referência à Bravos do GRR Martin. É só coincidência, ok? Então tá.

DUNA E TALIA

Parte 1 - Girls just wanna have fun

(criada por Eduardo, Sharon, Tiago e Jorge)

Talia Stivatti é a dançarina principal da famosa Taverna dos Bravos, em Travessia, capital da província conhecida como Caminho dos Bravos. Depois de vários anos de carreira, conseguira uma sociedade com o taverneiro e vivia bem apresentando-se somente nos finais de semana, com a casa cheia. Mas não havia nada para fazer nos outros dias. Talia era solteira, não tinha filhos nem família, só tinha que cuidar de si (o que, para uma dançarina de taverna, é bastante coisa). Nessas horas de tédio, em que tornava-se uma moça comum e não o sonho e desejo dos homens bêbados de longe e de perto, ela sentava-se na frente da taverna, olhando o forte movimento comercial da cidade e lendo os anúncios de emprego para aqueles que buscavam oportunidades, mas não sabiam ler. Numa dessas manhãs, bem cedo, se aproxima um jovem forte, alto, vestido com roupas grosseiras mas bem costuradas, carregando um machado. Talia já o tinha visto algumas vezes na taverna, acompanhado pelos amigos ou pelo pai. Era um rapaz de alguma fazenda dos arredores. Ele se aproximou e disse querer encontrar um trabalho com "ação". A moça começa a ler:

- Hum... ação, é? Você sabe usar bem esse machado? Parece que sim... então deixa eu ver... "Guilda dos Banqueiros contrata escolta para Duradouro, viagem de vinte dias".
- Onde fica isso, "Duradouro"? - pergunta o rapaz.
- Nunca ouvi falar, mas parece longe... vinte dias de viagem
- Então não. Tem outra coisa?
- Hum... cozinheira... carpinteiro... ah, sim! Aqui! "Fazendeiro contrata carroceiros e escolta para entrega de grãos em Velho Carvalho". Isso é perto, eu conheço, já me apresentei numa taverna de lá.
- Mas a estrada é tranquila demais... eu quero usar meu machado! - o rapaz acerta alguns golpes contra o ar para mostrar que não está brincando. Talia ri.
- Tá bem... vamos ver outro, então, senhor?
- Sagan
- Sagan de quê?
- Sagan... - o rapaz pensou um pouco, parecia querer um nome interessante e sorriu quando encontrou um que o agradou: "Sagan, o Maldito". - Talia riu da vaidade juvenil do rapaz.
- Bem apropriado para um homem de ação! Deixa eu ver... tem esse! Uso certo pro seu machado! "Guilda Agulha e Linha paga boa recompensa por resgate de carga roubada".
- Opa! É esse mesmo! Muito obrigado, dona Talia!
- É só Talia pra você, Sagan, o Maldito!
- Está bem, Talia, muito obrigada. Quando eu tiver resgatado essa carga e pegado esses bandidos venho aqui e bebemos uma cerveja juntos.
- Combinado.

Talia estava sentando novamente no seu banco quando se aproxima outro homem. Ainda jovem, mas um pouco mais velho do que Sagan, o Maldito (Talia quase ri ao lembrar do nome) e também forte. Vestia trajes que deveriam ter sido bonitos algum dia, mas estavam desgastados e sujos. "Outro homem de ação", Talia pensou. Mas esse tentou ler os anúncios, então Talia sentou.

- Desculpe, senhorita... - falou o homem com delicadeza, na língua imperial. Era um forasteiro.
- Sim? - Talia estranhou aqueles modos educados, que não combinavam com a aparência desgastada do estrangeiro.
- Esses anúncios não estão na língua imperial... você poderia me ajudar, por favor?
- Claro, com prazer! - Talia estava começando a achar interessante aquela gentileza toda... - O que você procura, mais exatamente?
- Um trabalho para meus músculos que seja rápido e pague bem!
- Ah, sim! Um moço acabou de encontrar um trabalho interessante, resgatar uma carga roubada da guilda Agulha e Linha!
- Parece bom, onde fica essa guilda, a senhorita poderia me explicar?

Depois de ensinar a direção ao forasteiro, Talia começou a pensar na vida besta que levava durante a semana. Ajudar as pessoas a ler era útil, claro, e divertido, pois conhecia pessoas interessantes, como esses dois rapazes de hoje, mas não tinha muita emoção. E ela queria se divertir, se emocionar, sentir medo, coragem, se aventurar. Então, resolveu arriscar e tentar o trabalho da guilda também. Afinal, já tinham dois caras grandes. Uma mulher bonita viajando com eles disfarçaria suas intenções. E ela não era nenhuma boba em termos de luta, afinal, continuava solteira e dona de si por seus próprios esforços. E os esforços de sua faca. Não era pouco, não era não. E foi.

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Fim da primeira parte

E aí? Gostaram? A continuação já saiu: "E vamos aos negócios"

4 comentários:

  1. Minha formação nerd tem um déficit tremendo: nunca joguei RPG que não nos vídeo-games. Mas aqui no interior já era difícil arrumar u ou outro para uma partida tardia de Yu-Gi-Oh!, quanto mais RPG.

    Gostei da narrativa, teve a formação do grupo que a gente vê no começo dos RPG's, e Talia parece ser uma boa moça. Vou acompanhar ;)

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  2. Gostei bastante também... deu vontade de acompanhar!

    Assim como o Luciano, eu tenho essa frustração em relação ao RPG... nunca consegui arrumar um grupo decente para jogar, e até fui mestre uma vez, na tentativa de iniciar meus primos no vício do RPG, mas não foi pra frente...
    Na teoria sou quase um especialista, sabia quase tudo de Gurps, tinha vários suplementos, e os universos do WoD, que me fascinavam (tenho os livros e alguns suplementos de Vampiro e Lobisomem). Mas jogar que é bom mesmo, necas!

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  3. Ai que pena d'ôces, João e Luciano!!!

    Eu tive a sorte de ter o Eduardo na minha turma de biblioteconomia. Ele convidou a gente pra jogar Vampire aos sábados de manhã, na nossa sala de aula mesmo... a Reitoria da UFPR é aberta para os alunos usarem as salas para "estudar" quando quiserem. Depois dessa aventura, que nem terminou, comecei a ir na casa dele praticamente todo fim de semana e foram 5 anos seguidos de jogos... da White Wolf jogamos Mago e Wraith, jogamos um cenário AD&D de terror, o Ravenloft (nossa campanha mais longa, acho que foram uns 2 anos, quase 3), joguei Call of Cthulhu, Castelo Falkenstein, Conan... então o Eduardo criou um sistema e a gente inventava os cenários... jogamos Cubo, Star Craft e esse jogo, num mundo todo criado por ele, com deuses, magia, enfim... muito legal!

    O Duna e a Talia eram personagens sem relação com magia, que nós começamos a usar para fazer aventuras "capa e espada" mesmo, sem interferências "religiosas".

    A melhor parte do RPG de grupo, mesa, sistema é a criação da história, a evolução dos personagens... é muito bom!!!

    Depois que voltei para Pato Branco nunca mais joguei... snif.

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