5 de setembro de 2012

Nell, Mary Ann Evans

Veio por troca no Skoob e, olha, a pessoa deve ter ficado tão aliviada por alguém se interessar por essa história! Não foi muito popular, apesar de ter todos os requisitos e deve ter sido muito chacoalhado se alguém criticou.

A edição é da Objetiva, 1995, 217 páginas. Tradução da Eliana Sabino. É o roteiro romanceado do filme de 1994, estrelado pela Jodie Foster. O roteiro original é de William Nicholson e Mark Handle.

Só aí já dá pra entender um pouco a coisa. Não é uma obra complexa, pensada para fazer sentido num livro... o filme já se basta! Mas eu gostei tanto do filme que não resisti. E aí acabei desgostando até do que já tinha gostado. Vejam o trailer:


Nell é uma mulher jovem que viveu durante anos apenas em contato com sua mãe, em um local isolado próximo a uma pequena cidade. A mãe, por ter sofrido um derrame, tinha grandes dificuldades em falar... como Nell só ouvia sua mãe, ela aprende a falar de forma estranha, diferente. Quando sua mãe morre, Nell é descoberta pelo delegado e pelo médico da cidade, começando a ter contato com outros seres humanos adultos pela primeira vez.

Ôôôô ôôô  ôôô  ôôô ôôô ôôô
(Se a Nell fizesse isso, povo escutaria na cidade...)

Tá. Menos uma estrelinha pra esse começo bobo. Quer dizer, como alegoria a gente até desculpa. É Tarzan e Mowgli revisitados, com enredo parecido, mas os descobridores da Nell são um pouco mais cautelosos: decidem observá-la em sua casa, em seu mundo e tentam decifrar sua linguagem antes de decidir se ela é capaz de cuidar de si mesma ou precisa de ajuda, internação, escola, civilização.

Né? Bem melhor!
O filme tem poesia e é interessante como divulgação científica de estudos linguísticos, psicológicos, sociológicos... já que Nell representa o "homem primitivo" e toda a curiosidade que nós temos sobre ele. Ela é o "bom selvagem", o adulto-criança puro ideal, e essa pureza toda me fez desgostar do livro porque, apesar de entender o poder do símbolo, não acho que ela teria tanto poder sobre as pessoas quanto o livro mostra. Nem que ela estaria imune a violações apenas pela "força da inocência". Assisti o filme com 15 anos, na época eu achei tudo isso muito legal e não discuti. Mas hoje meu olhar é totalmente diferente.

A única história consistente da "descoberta da criança selvagem" é o "O livro da selva", do Kipling e cabou. Sempre vou preferir Mowgli, um personagem bem mais complexo, apesar de muito mais irreal. Quando é pra ser alegórico, que seja completo. Senão fica chinfrim.

Se você se interessou pela história, veja o filme. É uma hora e meia e passa rapidinho. Já o livro é irrelevante. Eu até desconfiava, mas essa maldita nostalgia e o amor ao Mowgli...

Bônus track, mini mowgli vida real:
Awwwwwnnn... quero um pra mim!!!
Foto de JeanPaul Rollet, em Angkor, Camboja,
original aqui.

Três estrelinhas e meia para o filme. Em cinco.
Uma estrelinha para o livro. Em cinco.


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Outras resenhas:

O céu dos suicidas, Ricardo Lísias
O caderno vermelho, Paul Auster
Marcas na parede, organização de Hanna Liis-Baxter
Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
O livro do contador de histórias chinês, Michael David Kwan
Oriente. Ocidente, Salman Rushdie
A jogadora de go, Shan Sa
Unhas, Paulo Wainberg
- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet
Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout

Um comentário:

  1. Lembro do filme, mas não sabia que tinha livro não. Eu não sei dize se gostei do filme, faz tempo que assisti e ele me pareceu bem estranho, não consegui me "conectar", e era novinho também...

    E nem vou falar nada do Kipling, rsrs, ele sabe.

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