11 de julho de 2012

Eu e as Marílias

Da quitanda antiga, em 03 de maio de 2004

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Ontem, no melhor programa da TV aberta desse fim de semana, a Gabriela entrevistou a Pêra.  Duas mulheres maduras, lindas e bem-sucedidas conversando como eu e a Melody quando  nos encontramos. É obvio que o conteúdo da conversa foi mais profundo e interessante (para o público, porque para amigas antigas TUDO é assunto) do que as minhas tagarelices para a mulherada faceira com quem tenho a sorte de compartilhar essa vida e esse mundo.

A cada intervalo do programa eu ia escrevendo um parágrafo deste post. À caneta, porque não tenho internet em casa. A Pêra contando a vida dela e eu pensando na minha. Ela tem 61 anos, 57 (CINQUENTA E SETE) de carreira, três maridos, namorados, filhos, papagaia, sucesso, talento, reconhecimento no exterior, etc, etc. E eu tenho aqui algumas coisas que o vento me trouxe (ou que meus pais pagaram) e que eu estou evitando que escapem entre meus dedos. Mas nos separam 38 anos de vida. Acho que é suficiente para construir alguma coisa. Eu espero.

O que eu gostaria de fazer nesses 38 anos?

Tenho que excluir da resposta os óbvios prazeres de ler, ouvir música, dormir, namorar e comer, é claro. Primeiro, escrever muito. Construir boas histórias, personagens consistentes, enredos criativos, diálogos intrigantes, mistérios envolventes. Segundo, aprender música, ter uma banda. Ou mesmo trabalhar nos bastidores. Está para acontecer alguma coisa grande aqui em Curitiba. Dá prá sentir a energia. Nós vamos borbulhar muito em breve. Provavelmente essas coisas aconteçam antes de eu reunir três frases em um livro... Terceiro: desenhar. Xilogravura. HQ. E pintar. Eu pendurava nas paredes da Quitanda quadros e quadrinhos que adoro, mas agora o pouco tempo não permite.

Tanta coisa que eu amo, que me modifica, que me toca. É mais fácil e seguro deixar que os outros as produzam para mim. Sentar na frente do computador ou de um livro é confortável, mas não satisfaz. Eu tenho sede, mas preguiça de levantar e pegar a água.
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Ah... continuo tão preguiçosa! E parei de escrever por um tempão, agora estou retomando... e acho meus escritos da época tão melhores que os de agora! E Curitiba não borbulhou, não apareceu, não aconteceu. Continua underground, sofrido, trabalhoso, fazer música por lá. Ainda não aprendi a desenhar e pintar como eu gostaria... tem curso gratuito no SESC, mas nas quartas e sextas, horário comercial... schuif.

Mas acho que sim, daqui a 38 anos eu vou ter alguma coisa boa feita por mim mesma para mim mesma. Já comecei. Já estou trabalhando e não vou desistir!

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