21 de maio de 2012

O livro dos mandarins, Ricardo Lísias

Está complicado escrever sobre os mandarins do Lísias, porque apesar de ter compreendido bem o enredo ainda parece que estou deixando passar alguma coisa. E claro que eu não consigo explicar que coisa é essa que eu não captei.

Foi uma leitura suada e labutada até ajustar os vários personagens chamados Paulo, Paula, Paulinho, Paul com a narração repetitiva (que pra mim é a voz do Paulo José dizendo "o que distingue os seres humanos dos outros mamíferos é o tele-encéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor"). Aí fluiu como um bom filme, e eu estava assistindo o Clube da Luta na versão de quem fica na firma e vence o jogo. Às vezes eu mudava o clima pra "Psicopata Americano", principalmente quando começava uma conversa fiada sobre auto-imagem, apresentação pessoal. Eu ficava imaginando que na próxima página ia ter um assassinato. Mas às vezes você até se reconhece no Paulo, que, afinal de contas, parece sincero, pelo menos nos seus objetivos prioritários. Afinal de contas, é só um cara que veio de baixo tentando ganhar a vida entre os tubarões. Meio "À procura da felicidade" só que com um protagonista feio, torto, de coração duro e sem crianças bonitinhas.  Tem um pouco de pastelão americano, quando o Paulo vai jogar futebol com os estrangeiros e a conversa vai de "Vamos ver se o camarada aqui é o Belé mesmo" até "Esse aí não é o Belé porra nenhuma". Tem umas aflições no estilo "Nosso querido Bob", um bando de louco pegando no pé do cara e ele não tem como se livrar. Angustiante. Pra não ficar só no estrangeiro, tem "Tereza Batista cansada de guerra" também, mulherada superando horrores e faturando com o poderio sexual. E no fim a gente se dá conta que não é uma fábula do mundo moderno, o mundo é mais "O advogado do diabo" do que a gente pensa.

Adorei. Quem também gostou muito foram os jurados da Copa Brasileira de Literatura. Vão lá, eles resenharam muito melhor do que eu. Tanto que foi pelas resenhas que eu disse que queria o livro neste post, e o Ricardo mandou! Agora que já tenho o livro na cabeça e no blog, vou libertar em Pato Branco. Mas tem que ir pra alguém que queira mesmo ler. Não vou deixar ao relento não. 

Cinco estrelinhas. Em cinco.

Um comentário:

  1. Me pareceu um livro bastante rico, gosto de livros assim, que nos coloca pra pensar depois - e sabe, tenho uma dificuldade tremenda de resenhar algo que gostei muito. Mesmo quando sei as razões de ter gostado tanto as palavras me faltam, é tenso.

    Vou anotar ele aqui, talvez um dia esbarre nele.

    Ah, a citação do Ilha das Flores me transportou para meus tempos de escola, quinta série, com eu e meu amigo lutando para não perder o foco. Me lembrou também que preciso visitar este amigo, que se tornou pai.

    Beijo.

    ResponderExcluir