3 de março de 2012

Unhas - Paulo Wainberg

Primeiro livro de março e sexto do ano do Desafio Literário 2012. A primeira edição é da Leya, 2010, 248 páginas. Tive que comprar porque nem existe o pirata, acho.

Conheci o livro pelo Gauchão de literatura. Passou bem pelas primeira fase, no jogo contra "Tudo o que fizemos" de Carlos André Moreira, que pela resenha me pareceu um livro bom. Aí matou um quase livro reportagem, o "Águas da Revolução" do Juremir Machado, "pavilhão da literatura gaúcha" e eu apostei. Ainda não tinha começado a terceira fase do campeonato e eu decidi firmemente que o meu serial killer do ano seria o Unhas. Na terceira fase foram dois jogos, um contra "Sinuca embaixo d'água", da Carol Bensimon, e outro contra "O centésimo em Roma" do Max Mallmann. Enfim, o Paulo mesmo achou os resultados muito justos, então devem de ser, que não li nenhum dos concorrentes. Só o Unhas. E vamos falar sobre ele.

Unhas é o pseudônimo de um contador que, cansado da rotina, da esposa, dos filhos, tem a ideia de mudar de ramo e entra para a matação de aluguel como um especialista: "exterminador de paixões proibidas". É quando captura Elisa, que ele resolve, pela primeira vez depois de alguns anos na nova profissão, conversar com sua futura vítima. É a esse trololó que assistimos, sua filosofia do pecado, da morte e da vida, seus métodos, seus contos policiais favoritos, e os pepinos dos homens apaixonados que resolveu: a aluna de um professor de cursinho casado, o companheiro gay de um homossexual em dúvida, a esposa feia filha da sogra gata, a filha da empregada... e Elisa. Quem é ela? Como ela veio parar ali? Por quê? Em entrevista, o Paulo disse não sabe se o livro é mesmo "policial". Talvez não, mas dá pra brincar de detetive com a Elisa. Foi riscando os tipos de amores proibidos da lista que eu adivinhei antes de começar a ficar fácil.

Li de uma sentada, que o livro é rápido. O ritmo é fluído e a grande cara de pau do Unhas me puxaram pra históira. As cenas de ação são fortes e difíceis, principalmente no final, os casos mais pesados. Parece tanto um caso do Law & Order SVU que eu juro que vi a detetive Benson ali, quase desvendando todo o mistério nos últimos segundos. Isso me manteve firme no enredo. Atrapalhou  um tantinho o conto policial paralelo, o "Caso do quarto fechado", que vai sendo narrado aos poucos, salteando com a história principal. Outro "quase" é um terceiro narrador alienígena. é a misturas de pontos de vista. Os capítulos tem, alguns, o ponto de vista de Elisa, outros o de Unhas e outros o de um narrador onisciente. Preferiria todo o livro narrado sob pontos de vista dos personagens. Demoramos um tantinho para perceber que não é nem Unhas nem Elisa quem está narrando e o desentendimento desconcentra.

Talvez o mais divertido seja a idiossincrasia entre o Paulo e o "Unhas". O Paulo lembra o Jack Nicholson dando um "beijo na garota mais linda do mundo" no final de "Antes de partir". Porque esse cara escreveria esse livro? Ele não parece se importar com o choque ou a polêmica... Já o Unhas é um quase-Hannibal. Falta refinamento e manipulação, mas ele mata com o mesmo prazer.

Três estrelinhas e meia. Em cinco.

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Mais Desafio Literário 2012:


- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffenegger
- Pinóquio, adaptação de Guilhaume Frolet
Clara dos Anjos, Lima Barreto
O rapto das cebolinhas, Maria Clara Machado
Cozinheiros Demais, Rex Stout


Outras resenhas:

Noite e Dia, Virginia Woolf;
A melhor HQ de 1980;
Água para elefantes, Sara Gruen;
Buracos, Louis Sachar;
Preconceito Linguístico, Marcos Bagno;
Minha estante e sir Bernard Cornwell;

5 comentários:

  1. Nunca tinha ouvido falar neste livro, parece ter uma estrutura bem diferenciada.

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  2. Eu também não conhecia o livro, mas fiquei curiosa. E essa capa é muito aflitiva!
    bjo

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  3. Eu já tinha visto o livro por aí, mas ainda não tinha lido uma resenha sobre ele.
    A comparação com Hannibal me deixou bem curiosa!
    Ótima resenha!

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  4. Nunca ouvi falar, mas aguçou minha curiosidade com certeza!.

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  5. Associarestruturas de estilos diferentes na mesma narrativa é um risco. No entanto, é bom que os autores experimentem e evoluam entre erros e acertos. Excelente resenha!

    PS: Quando olhei para o autolink e vi escrito "Unhas", pensei que seria um spam de algum blog de moda. Sorte que não. :)

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